CRIATURAS DEGENERADAS

“Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá.
Tem gente que machuca os outros,
Tem gente que não sabe amar.
Tem gente enganando a gente,
Veja a nossa vida como está.
Mas eu sei que um dia a gente aprende.
Se você quiser alguém em quem confiar,
Confie em si mesmo.
Quem acredita sempre alcança!”

In: Mais Uma Vez Renato Russo

Existe um terrível prazer oculto que é cultivado e incentivado, há séculos, nas cabeças de absolutamente todas as criaturas degradadas da raça humana.

O problema é que essas pessoas, por conta da sua ausência total de princípios morais, ética ou humanos, são as que se encontram no topo do poder na maior parte do sul global – justamente por isso.

Uma vez que (sobre)vivemos em um sistema econômico baseado tanto na enorme desigualdade quanto na superexploração dos povos, as sociedades se tornaram muito bem engendradas, onde é possível avistar aquela minoria que, no topo, desfruta de confortos e privilégios que a maioria na base jamais conhecerá em suas vidas.

Assim, quando para essa subespécie o prazer de ser servido, de superexplorar seres humanos, de fazer o que bem entende quando e onde quiser se esvai, sobrevêm um desejo impulsivo de praticar um mal maior, mais odioso, mais disruptivo e perverso, algo que a humanidade (da qual fazemos parte) jamais reconhecerá como legitimamente seu. Por que não é.

Lamentável que apenas nesse momento se torne possível reconhecer o psicopata escondido sob o manto ‘sagrado’ da família, da propriedade e da cidadania.

Como eram os playboys de Florianópolis que supliciaram um cãozinho inofensivo ou o piloto sexagenário abusador de crianças.

Enquanto não entendermos que tais indivíduos que buscam parecer seres humanos – sem os serem – vivem para nos destruir, jamais conseguiremos lutar contra esse mal tão poderoso.

E quem são estes predadores?

Todos exercitam espécies pérfidas de poder que os excita. Estes que vamos descrever a seguir, são homens muito ricos, famosos e influentes.

Tudo indica que tal ‘poder’ nutre neles a sensação de que conseguirão alcançar tudo o que desejarem, por mais baixo e torpe que seja, sem nenhum constrangimento, e de que jamais serão descobertos. Acreditam que se forem pegos, poderão se comportar como o personagem central do filme Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, um clássico de 1970. Assista. Vale a pena.

Sabem que escondem um segredo que precisam manter sob sete chaves.

Eles são pedófilos. Logo, abjetos e destrutivos por natureza.

Evidentemente, quando descobertos, os pedófilos negam veementemente seus crimes. Costumam acusar suas vítimas, insinuando que elas é que desejaram os abusos ou os provocaram.

O pedófilo é sempre um ser torpe, tanto no infame ato praticado quanto na pretensa defesa que faz de si mesmo.

Woody Allen se defendeu alegando que a ex-mulher teria ‘feito a cabeça’ da filha – mesmo que a jovem hoje, aos 34 anos de idade, mantenha a acusação de ter sido por ele molestada. Alias, Jeffrey Epstein era amigo de Woody Allen e fizeram várias aparições juntos ao longo dos anos.

Babi Christina Engelhardt, ex-assistente pessoal de Epstein, afirmou que ela e Allen tiveram um relacionamento secreto durante oito anos – desde os seus 16 anos – e que ele o teria descaradamente retratado em seu filme Manhattan, de 1979.

Considerado um estuprador e pedófilo, criminoso bajulado nos meios sociais e acadêmicos restritos da burguesia norte-americana, Epstein foi acusado de ter brutalizado centenas de meninas e jovens mulheres. Algumas com menos de 12 anos de idade!
Foi no centro da lama destas ‘elites’ de Nova York, Hollywood, Palm Beach, Paris e Londres, entre outras, que Jeffrey Epstein floresceu impunemente. Por décadas, pessoas importantes, influentes e pretensamente ‘sérias’ compareceram aos seus concorridos jantares, usaram seus aviões particulares e foram fotografadas, com orgulho, ao seu lado.

Todos conseguiam algo em troca. Desde uma carona grátis no inominável Lolita Express ou alguma outra forma de generosidade monetária, boca-livre nas extravagantes festas de celebridades que ele patrocinava em suas mansões, ou certos tipos de ‘investimentos’.

Mas de onde vinha tanto dinheiro? No final, a anda surpreendente descoberta.

Dentre seus famosos e influentes amigos estava Bill Clinton, que o definia como um ‘financiador de grande sucesso e um filantropo comprometido’. E Donald Trump que, em 2002, afirmou conhecê-lo há 15 anos e ser ele um cara muito divertido e com uma vida social notável.

O príncipe Andrew (filho da rainha Elizabeth da Inglaterra) era amigo pessoal de longa data de Epstein – que lhe oferecia agitados banquetes em Manhattan – e foi diretamente acusado de fazer sexo com pelo menos uma menina menor de idade que afirmou ter sido forçada a participar de uma orgia com ele e outras garotas.

Documentos obtidos pelo New York Times, mostraram que o bilionário cofundador da Microsoft, Bill Gates, manteve uma relação muito próxima com ele.

Outro amigo, o conhecido professor de direito de Harvard, defensor, dentre outros, de OJ Simpson, Alan Dershowitz, foi acusado, por diferentes jovens, de estupro.

A mulher que fingia ser a namorada de Epsteisn, Ghislaine Maxwell, era, na verdade, quem recrutava as adolescentes que seriam tratadas como escravas sexuais.

Todos os multimilionários envolvidos, claro, seguem negando as acusações.

Outro ‘amigão’ foi o bilionário Leslie Wexner, CEO de 82 anos da L Brands, dono da Victoria’s Secret e da Bath & Body Works, proprietário anterior da luxuosa mansão da 71st Street, onde foram cometidas muitas destas violências e onde a polícia encontrou farta pornografia infantil.

Tom Barrack, conselheiro sênior da campanha de Trump, também participava da ‘trupe’.

Mort Zuckerman, o magnata da mídia, bilionário, também investiu milhões em Epstein.

Larry Summers, o ex-presidente da tão falada universidade Harvard e secretário do Tesouro do governo Clinton, recebeu de Epstein a doação de US$ 30 milhões pelo Programa Epstein de Biologia Matemática e Dinâmica Evolucionária. Este homem também apareceu nos registros de voos do “Lolita Express”.

Lawrence Krauss, um físico teórico que se aposentou da Arizona State University em 2018, após várias alegações de má conduta sexual, teve Epstein como um dos seus principais doadores e, juntos, sediaram uma conferência de ganhadores do Prêmio Nobel nas Ilhas Virgens Americanas, em 2012.

Steven Pinker, famoso professor de psicologia de Harvard, também pegou carona no “Lolita Express”.

Harvey Weinstein, produtor de filmes acusado de agressão sexual por várias mulheres, e que está sendo julgado por cinco destes crimes que incluem estupro, era outro ‘arroz de festa’ na casa de Epstein, na França.

Kevin Spacey, outro conhecido ator processado por abuso de menor, também frequentou este Jet Set.

Nos últimos dias supostamente mais nome se somaram à lista dos horrores: Tom Hanks, Oprah, Elon Musk, Bill Gates, Spilberg, Steven Bannon, João de Deus e (pasme!) Madre Tereza.

Esta desprezível lista é tão chocante quanto extensa.

A jornalista Vicky Ward, que escreveu o perfil de Epstein na Vanity Fair, disse o seguinte:

“Você tem a sensação de que os amigos dele não eram amigos de verdade – eram propriedades dele – já que ele era o tipo de homem que coletava informações sobre as pessoas e depois as usava.”

Talvez por isso tenha sido ‘suicidado’ enquanto aguardava julgamento, em sua cela, dentro de uma prisão em Manhattan, Nova York, em agosto de 2019. Antes que fossem reveladas as violações que praticava e os nomes de seus cúmplices. Antes que todas as fotos e provas fossem mostradas.

Uma morte conveniente, como tantas. Embora hoje apareçam suspeitas de que ele vive tranquilamente em Tel Aviv, Israel.

Um livro do jornalista Dylan Howard afirma que Jeffrey Epstein trabalhava para o Mossad – serviço secreto do Estado de Israel – chantageando políticos a mando deste a fim de os terem sob total controle. Daí teria ‘nascido’ sua fortuna.

Jeffrey Epstein: Poder e Perversãohttps://www.netflix.com/br/Title/80224905

Resta apenas uma pergunta que ninguém parece conseguir responder: afinal, para que (ou quem) serve tamanha e repetitiva exposição e exploração de casos de violências tão macabras quanto explícitas neste momento da nossa história?

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