AH, O AMOR…

“O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar.
E todas as horas que o tempo tem pra me conceder
São tuas, até morrer.

E a tua história, eu não sei,
Mas me diga só o que for bom.
Um amor tão puro que ainda nem sabe a força que tem,
É teu e de mais ninguém.”

In: Um Amor Puro – de Djavan

Ninguém mais discorda do fato de que uma saudável relação amorosa é capaz de nos proteger de depressões e do agravamento de diversas outras doenças – físicas ou mentais.

O amor, assim como alguma espécie de apoio incondicional, aprofunda nossos sentimentos de felicidade e reduzem o estresse e a ansiedade. Ser amada/o melhora a autoestima e a sensação de ser valorizada/o.

Todo o coração canta uma música, incompleta, até que outro coração sussurre de volta.
Platão, filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga.

O olhar que dirigimos ao outro, a atenção que lhe dispensamos, sem qualquer vestígio de dúvida, é a primeira manifestação humana do amor e, arriscaria dizer, a mais importante.

Quer saber os indícios que evidenciam que alguém lhe faz bem? Preste muita atenção na alegria do olhar logo acima do sorriso largo estampado no rosto – tanto no seu quanto no de seu interlocutor.

Sabe aquela alegria que resplandece? O olhar que ilumina e cuja ausência deixa tudo ao redor mais vazio e sem graça?

Se você foi capaz de identificar este sinal, tenha certeza de que está diante de uma pessoa que pode representar o oásis dentro da sua existência. E você, o mesmo dentro da dela.

Se os dois olhares se ‘percebem’ profundamente, e com delicadeza, todas as células de nosso corpo participam desta vibração. E, neste momento, se construirá um espaço onde a mais significativa troca de afeto se consolidará de maneira vigorosa e plena. Indispensável para quem deseja plenamente VIVER.

É o que TODOS (com exceção, é claro, dos psicopatas) procuramos: alguém que efetivamente se importe com a gente e por quem seja leve e prazeroso se importar.

Porque, do contrário, o que resta é a ausência de felicidade.

Afinal, ninguém, no fundo, deseja servir de salva-vidas para quem não sabe nadar. Buscamos invariavelmente a alteridade – que implica que um seja capaz de se colocar no lugar do outro (sentindo nisto um sincero e genuíno prazer) para, apenas desta forma, vivenciar uma relação baseada no diálogo e no respeito às eventuais diferenças.

E acredite: não existe interesse unilateral. O verdadeiro e promissor vínculo só se instala quando ele é mútuo e espontâneo.

Por isso, sofrem muito – e perdem seu precioso tempo – aqueles que acreditam que gastando rios de dinheiro com roupas caras, tratamentos estéticos mirabolantes, cirurgias plásticas, academias e métodos de embelezamento que buscam desesperadamente aumentar a distância da morte, vão conquistar amores profundos e serenos.

Como poderiam se, dentro de si, carregam tamanha tormenta?

Ou você não percebe a diferença abissal que existe entre praticar atividades para ficar bem com o próprio corpo e fazer exercícios extenuantes e sobre-humanos para que todos notem a tal da diferença nos músculos, na barriga tanquinho, na bunda dura ou no peitoral avantajado?

E é desta forma que muitos seguirão a vida como atores (péssimos,  diga-se de passagem) que interpretam aquilo que imaginam que se espera deles e, assim, passam muito longe de perceber o que, de fato, seria o autêntico sentido de suas trajetórias.

Mas pense: repetir papéis é muito fácil, não acha? O difícil, o incrível e espetacular mesmo, é você criar-se a partir do seu próprio e indivisível modelo. Fora disso, são meros truques, encenações sociais que nos tornam – a todos – seres muito solitários.

O olhar que nos acolhe não nos cobra. Nos aceita e nos admira do jeito que somos, com os pequenos detalhes que nos tornam singulares, únicos e maravilhosos. Mesmo se estivermos totalmente fora dos padrões enlouquecedores da estúpida e ambiciosa indústria que produz modelos malucos e alienantes, ainda assim, seremos especialmente raros.

E, lembre-se: o olhar do amor precisa estar harmonizado, equilibrado. Algo assim como:

“Observe que eu presto muita atenção em você. Percebo suas necessidades, preocupo-me com suas questões tentando auxiliá-lo(a) da melhor forma que posso.”

Mas, cuide bem disto. A manutenção deste olhar interessado dependerá exclusivamente da reciprocidade com a qual você tratá-lo. Se você não prestar atenção em que lhe dispensa ternura e apreço, então, nada feito, certo?

Porque este olhar certamente seguirá em busca de outros que lhe retribuam o amor dispensado. E o tão indispensável cuidado.

Deixe seu comentário...