A PERVERSIDADE NOS ESPREITA

Imagem Movimento Maldade 1

“Desconfiai do mais trivial, na aparência singela.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural.
Nada deve parecer impossível de mudar.”

In: Nada é Impossível de Mudar – de Bertold Brecht

A Johnson & Johnson esteve ciente, durante décadas, de que seu talco para bebê continha amianto (substância altamente cancerígena). Por causa deste contato, centenas de milhares de pessoas tiveram variados tipos de câncer. Centenas de milhares morreram. Os executivos da companhia, gerentes de minas, cientistas, médicos e advogados estavam a par disto durante todo o tempo.

Que tipo de gente faz coisas assim? Como essas pessoas conseguem dormir em paz e continuar vivendo suas vidas sem a menor sombra de culpa?

Calcule o número de coisas que você usa, come, veste, pinga, toma, respira, dentre outros, que lhe fazem mal, que lhe envenenam aos poucos, sem que ninguém nunca denuncie isto? Quantas pessoas ganham dinheiro para esconder o que mata milhões de outros seres?

Ainda que você pense que este dantesco exemplo nada tenha a ver com o que virá a seguir, lembre-se de que tudo faz parte do mesmo pesadelo, porque se resume a ambições cegas e perversas, ao anseio de alguém em ser mais ‘importante’, mais ‘poderoso’, mais intimidador, mais rico, explorador e, finalmente, mais pérfido que os demais. Ainda que finja ser bom.

Experimentamos hoje, em nosso país, um verdadeiro desterro com direito a versões multifacetadas, que apenas confirmam que os psicopatas estão, há muito tempo, comandando coisas das quais jamais poderiam sequer terem se aproximado.

E, para completar, parlamentares, que se dizem pró-vida, estão novamente mobilizados para tentar aprovar, ainda em 2022, o projeto de lei 478/07, que trata do inacreditável Estatuto do Nascituro. A proposta está em análise desde junho de 2017 na Comissão de Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados e aguarda a votação do novo parecer apresentado no último dia 6 de maio.

O tema voltou à baila por conta do recente drama vivido por uma garotinha de 11 anos de idade que quase foi obrigada a ter o bebe, fruto de um estupro, por conta de uma juíza desprovida de lucidez e empatia. Apenas depois da repercussão do caso, o Ministério Público Federal resolveu intervir e recomendar que o hospital realizasse o aborto.

Estatuto do Nascituro, um projeto absolutamente insano, prevê direitos ao embrião acima dos direitos da mulher e cria incentivos com o objetivo de proibir abortos inclusive nos casos em que hoje são autorizados – como o estupro.  Além disso, propõe tornar crime a venda e/ou a utilização da pílula do dia seguinte.

Fala-se, inclusive, numa ‘bolsa-estupro’. Existe coisa mais bizarra e desumana?

Então vou propor um exercício.

Pense que, em poucos minutos, uma mulher será atacada por um homem, há poucos metros de sua casa. Depois de saciado, o criminoso irá largá-la desacordada no chão de uma viela onde só será encontrada por vizinhos horas mais tarde.

A moça voltará a si, depois de algum tempo, mas sua vida nunca mais voltará aos eixos. Conviverá, por dias, com a terrível possibilidade de haver engravidado. Desenvolverá uma série de fobias sociais e não conseguirá manter-se nem no emprego nem na casa onde mora. Se afastará dos amigos. Sentirá vergonha, ainda que não exista nenhum motivo para tal sentimento.

Viverá de favor na casa de algum parente próximo e pensará em se matar muitas vezes dali em diante. Não contará com ajuda de mais ninguém além da mãe, esta, também, bastante traumatizada.

Durante muito tempo tomará o coquetel anti HIV oferecido pelo Hospital Pérola Byington. Sentirá náuseas, tonturas e necessitará tratar as alergias que fatalmente desenvolverá. Isso sem contar as sequelas que carregará pela vida afora.

Esta é uma história verdadeira que ocorreu há poucos dias atrás.

Suponhamos que, no lugar desta pobre moça, a pessoa atacada nesta noite tivesse sido você. Ou sua filha, sua irmã, sua mãe. Sua melhor amiga, quem sabe?

Ruim imaginar isso, não é mesmo? Mas continue tentando.

Um criminoso, ou um grupo deles, resolveu atacar você. Não havia como prever e, muito menos, evitar esta brutalidade. Desta forma, subjugaram seu corpo pelo simples fato de você ser mulher. Curraram você ou sua filha, sua mãe, sua melhor amiga…. Quem sabe?

Qualquer mulher terá a obrigação de provar a violência numa delegacia de polícia, muitas vezes, repleta de homens.

E se, horror dos horrores, tiver engravidado?

Sabe o que vai acontecer se o famigerado, ignóbil e desumano Estatuto do Nascituro for aprovado?

Art. 12. É vedado ao Estado ou a particulares causar dano ao nascituro em razão de ato cometido por qualquer de seus genitores. “

Você ou sua filha, sua irmã, sua mãe, tia, vizinha, sobrinha, prima ou sua melhor amiga, quem sabe, serão obrigadas a levar a gravidez até o final, não importando sua vontade. Caso não o faça, poderá ir para a prisão!

Lembrado que, em caso de estupro, o aborto hoje é permitido em nosso país. Com este projeto, ele deixa de ser.

Em outras palavras: o embrião terá mais direitos do que a mulher violentada – seja ela criança, jovem ou adulta, não importa.

Imagine, portanto, se você for esta mulher. Ou sua filha, sua mãe, sua irmã, tantas mulheres próximas e queridas, passando pelo horror da violência sexual e sendo obrigadas a manter uma gravidez que vai gerar o resultado desta selvageria.

Agora, vamos mudar de posição.

Você é a criatura que nasceu desta violência. Vai precisar tomar conhecimento da história que lhe precede, é claro. Certamente não conhecerá seu ‘progenitor’ – ainda que este “estatuto” obrigue o nome do estuprador constar como “pai” na sua certidão de nascimento.

Art. 13. § 1º Identificado o genitor do nascituro ou da criança já nascida, será este responsável por pensão alimentícia nos termos da lei.”

Você, então, saberá que foi fruto da violência de um homem contra uma mulher.

Terá consciência de que não houve afeto na sua concepção, na sua gestação e, consequentemente, em todo o restante do seu desenvolvimento.

Você gostaria ser o fruto gerado por esta violência?

Você almejaria de estar no lugar da mulher estuprada?

Você desejaria que uma criança, sua filha, sua irmã, neta ou vizinha, vítima de um pedófilo, fosse obrigada, por força da lei, a suportar uma gestação de alto risco?

Se respondeu não a qualquer uma desta questões, vai permitir que este projeto de lei se configure em uma inconcebível realidade?

Então, diga não à essa gente que defende o cruel e inumano projeto! 

Porque a próxima vítima poderá ser você ou alguém que você tanto ama.

Art. 14. Esta lei entra em vigor na data da sua publicação.”

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E, se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.

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