QUANTOS PSICOPATAS VOCÊ CONHECE?

Imagem Movimento Psicopata 2

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso,
Nosso descaso por educação.
Vamos celebrar o horror
De tudo isso com festa, velório e caixão.
Está tudo morto e enterrado agora.”

In: Perfeição – de Legião Urbana

Você já deve ter passado por algumas/uns psicopatas ainda que sem reconhecê-las/os. Podem ser encontradas/os entre seus familiares, amigas/os, ou em qualquer grupo do qual você faça parte.

O fato é que nem toda/o psicopata se apresentará como um torturador demoníaco. Ou lembrará loucos varridos e sádicos dissimulados. Podem não se revelar um casal Nardoni, uma Suzane Von Richthofen, os assassinos do pequeno Henry Borel (Jairo Júnior e Monique Medeiros) ou um Roger Abdelmassih, médico/estuprador que aparecia como um pop star em programas de televisão e capas de revistas.

Também não irão necessariamente se parecer com um Hitler ou um Pinochet. E acreditar neste mito pode confundir nossa condição de identificar estas pessoas.

Por incrível que pareça, há chance de ser aquela conhecida (na verdade confesso que foi minha colega) que trabalha como assistente social na prefeitura, recolhendo pessoas na rua que, quando conta para seu grupo de amigos aquilo que chama de ‘as façanhas da profissão’, morre de rir da senhora desdentada que, não entendendo a finalidade do seu resgate, pergunta se vão levá-la ao cabeleireiro. Ou gargalhar enquanto fala do homem de mãos sujas, cravadas de cicatrizes, que conta ser alérgico a leite.

Esta criatura superficial e vaidosa, adora desdenhar da miséria dos desprovidos. Revela seu horror aos necessitados, incapaz que é para perceber que a indigência humana reside justamente dentro dela.

Na sua vida real, não se habilita a verdadeiramente ajudar alguém que não seja seu marido ou sua filha. Ainda que nem assim seja provável que os ame de verdade.

Ou aquela outra que, numa divisão de conta, sempre arredonda a sua parte para menos, e que, num restaurante, inventa uma reclamação contra o atendente para não pagar os 10%. Mesmo que você arque com a despesa por pura vergonha alheia.

A/O psicopata pode bradar contra a corrupção enquanto sonega todos os impostos da sua empresa e transfere dinheiro para paraísos fiscais, sem a menor vergonha.

Ao mesmo tempo em que lutando contra o que chama de vantagens exageradas do trabalhador brasileiro, pratica o trabalho escravo dentro da sua cara e linda fazenda.

É o ‘respeitável religioso’ (seja lá a fé que professe) que prega boa moral e bons costumes enquanto viola crianças e adolescentes indefesos.

O problema da psicopatia é a frequência com que seus sinais permanecem diluídos na vida social. Por conta disto, aquela fulana que parece seriamente envolvida em um projeto bacana consegue acobertar suas pérfidas e reais intenções.

Precisamos entender que isto faz parte de um espectro onde se tornar um/a assassino/a frio/a é apenas o ponto final. Antes disto, porém, encontram-se variados graus. E é muito importante considerá-los.

É viável, pois, elencar alguns dos seus traços psicossociais.

Primeiro e principal: o psicopatas não sentem a genuína empatia. São insensíveis natos, embora escondam muito isto. Como os limites sociais são um fato na vida de todos nós, eles acabam entendendo o risco de não ocultar este aspecto, digamos, maligno.

Portanto, ainda que pareçam bons pais, bom amigo ou amiga, filho ou filha, esse povo verdadeiramente não é afetado pelo sofrimento dos outros.

O psicopata é motivado apenas pelo seu próprio interesse/prazer.

Não faz a mínima ideia do que seja estar na pele de alguém. E no caso de parecer se importar com um filho, por exemplo, trata-se apenas de uma forma de dissimulação, pois quanto mais o filho estiver bem, menos lhe sobrarão preocupações ou obrigações. E esta é apenas uma pequena amostra do seu desvio moral.

Outra característica pungente é a falta de remorso ou culpa. Esta dimensão emocional explica porque os homicidas psicopatas podem cometer atos hediondos, como assassinatos, e não se sentirem mal. Ou porque aqueles que detonam seus opositores saem felizes da vida da destruição que deixam para atrás.

Outra peculiaridade interpessoal muito conhecida é a mentira patológica. Psicopatas mentem constantemente para encobrir seus traços e comportamentos antissociais e sentem emoções de maneira extremamente rasa e superficial.  Costumam ser raivosas/os quando confrontadas/os.

E, creia, você pode sim JAMAIS desconfiar disto.

E mais: costumam ser muito simpáticos e engraçados (o exemplo da assistente social acima se refere a uma das pessoas mais divertidas que já conheci).

Também parecem possuir um sentido exageradamente grandioso de autoestima, no mesmo momento em que enganam/manipulam – por julgarem que suas vítimas merecem isto.

Outra faceta, quase inacreditável, é que sentem muita pena de si mesmos e são extremamente melodramáticos. Como se sentem vítimas eternas, muitas vezes ficam deprimidos.

No centro da sua personalidade há o desejo de controle.

Alguns de nós acham os/as psicopatas intrigantes, ainda que não consigam explicar a razão. 

Penso que o maior motivo de tamanha atração esteja na constatação de que, não possuindo o menor senso de bondade e sendo inaptos para compreender emoções como medo e amor, aprendem a imitá-las com perfeição.

Lembre-se de que eles usam doses exageradas de charme com objetivo de disfarçar suas atitudes calculistas que planejam manipular outrem em proveito próprio.

Apesar de manterem uma espécie de ‘ar de superioridade’ sobre os demais, sempre tentam se tornar a pessoa mais interessante do mundo, contando histórias sobre si mesmos a fim de ganhar a confiança de todos. Aliás, esta é outra faceta evidente neles. Falam muito sobre si. Todas as suas falas referem-se a um eu excessivo e onipresente. Elas/es entendem de tudo. Às vezes são engraçadas/os demais, histriônicas/os demais, espertas/os demais. Tudo nelas/es é demais. Exagerado. Cansativo. E irritante. 

Quando acreditam numa coisa (por mais estapafúrdia que seja) este indivíduo jamais apresentará aquele jeito, tipicamente humano, de ouvir uma argumentação contrária, refletir e, quem sabe, repensar e enxergar de um novo modo. 

A/O psicopata NUNCA refletirá sobre nada, porque não possui esta habilidade. Mas saberá fingir reflexões. E como!

Em termos cognitivos, ela/e entende que suas práticas são erradas e que existem leis e sanções sociais contra elas. Mas não se incomoda com isto. Esta é a circunstância mais assustadora, porque é exatamente o que a/o torna impiedosa/o, além de focada/o – mesmo que enfrentando grandes pressões. Logo, só se tornará um criminoso se, apesar de todo o ‘sangue-frio’ que corre em suas veias, agir impulsivamente diante de um fracasso – risco no qual a maior parte não incorre.

A esmagadora maioria deles/as em momento algum será identificada. 

Estão tão imersos em nosso meio que uma pesquisa, coordenada pelo psicólogo Kevin Dutton, concluiu que aqueles que ocupam certos empregos têm maior probabilidade de exibir seus traços. E isto inclui CEOs, advogados, personalidades da TV, vendedores, cirurgiões, jornalistas, policiais, clérigos, chefs e funcionários públicos. Fazendo seus estragos sem ninguém perceber.

E o que essas carreiras têm em comum? Praticamente todas elas requerem comportamentos mais racionais, objetivos, persuasivos e frios dentro da rotina profissional.

Resumindo: pessoas com traços psicopatas tendem a serem insensíveis, narcisistas, impulsivas (sem parecer), detentoras de um charme superficial, mas convincente, com zero senso de sentimento de empatia ou remorso. Tudo junto e camuflado.

Ao contrário dos psicopatas criminosos, os bem-sucedidos conhecem a lei e controlam seu comportamento para evitar problemas reais. Com uma educação e um QI, muitas vezes, acima da média, este tipo é assustadoramente invisível. E perigoso.

Psicopatas ‘bem-sucedidos’ (ou seja: aqueles que se disfarçam de seres normais) são capazes de regular seu comportamento de uma maneira que os criminosos não são.

No entanto, por detrás da fachada de normalidade, com cuidado, você será capaz de juntar pistas que o denunciem. É preciso prestar atenção aos sinais, por vezes, bastante sutis. Eles virão, sem a menor sombra de dúvidas. Todo psicopata se revela aqui e acolá. Não despreze sua intuição.

Essa gente faz parte de um grupo que sequer deveria ser considerado humano. PSICOPATIA NÃO É UMA DOENÇA, mas uma forma de ser. Diante disto, todo cuidado é pouco.

Acompanhe os novos textos através do: http://www.facebook.com/aheloisalima

E, se desejar, envie seus comentários para: psicologaheloisalima@gmail.com

Deixe seu comentário...

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s