DEPENDÊNCIA EMOCIONAL: VOCÊ TEM?

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“Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração, que é tão vagabundo.
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos;
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos
.”

In: Disritmia – de Martinho da Vila

Ainda que viver livre e amorosamente implique no belo exercício de amarmos e sermos amados, muitas gente já parece cansada de passar de um relacionamento para outro, pulando de história em história e procurando, sem sucesso, a tal pessoa certa.

Todos já ouvimos falar da famigerada dependência emocional ainda que o tema permaneça muito pouco esclarecido entre nós.

De qualquer forma, você já experimentou pensar que ela pode ser a causa dos repetidos fracassos amorosos, ou seja, daqueles que passam por nossa vida feito um tsunami, sem deixar nada de bom a não ser as marcas da destruição?

Quem já não ouviu aquele bom e velho conselho que nos diz para não nos apegarmos a nada e a ninguém porque, no final das contas, coisa alguma nesta vida é permanente?

Por outro lado, é importante entender que o desapego não significa que você não deva aproveitar profundamente cada experiência; aliás, pelo contrário, você pode e deve mergulhar nela. Porém, somente com um certo e cuidadoso distanciamento é que seremos capazes de deixar que algo ou alguém passe por nossas vidas sem trazer ou levar dor. Sem deixar ou carregar pedaços dolorosos.

Como disse uma amiga:

“Tudo bem. Eu sei o que é perder alguém. Experimentei algumas vezes essa emoção. Reconheço o gosto amargo deste sentimento. Agora, tudo o que eu preciso é separar-me dele até entender que, como dizia Buda: ‘a gente só perde aquilo a que se apega’. E repetir isto como um mantra até que consiga deixá-lo sair das minhas entranhas.” 

Este é o incrível paradoxo da existência humana que nos mostra que tudo o que decidirmos segurar, perderemos; o que decidirmos dar, teremos. E enquanto morremos, vivemos.

Se você se apegar a sua vida, vai perdê-la; mas se você deixá-la fluir sem ansiedade, vai salvá-la.

E para ajudar a repensar alguns de nossos velhos e repetitivos comportamentos, elenquei alguns sinais que podem oferecer pistas sobre o que pode fazer uma relação promissora naufragar.

1 – Da incapacidade de ser feliz sozinho

O primeiro sinal pode ser detectado mesmo antes conhecermos alguém. Se você é incapaz de ser feliz e de sentir-se bem quando está sozinho tem grande chance de vivenciar uma dependência emocional. E o grau desta dependência depende da dimensão do mal-estar quando se está sozinha(o). Uma pessoa que não é afetivamente dependente não sente urgência na necessidade de buscar um parceiro. Isso não quer dizer que ela não queria encontrar alguém e compartilhar sua vida. Significa simplesmente que não há desespero nesta escolha, já que entende que o importante é viver a vida em harmonia consigo mesma(o), antes de qualquer coisa.

2 – Da necessidade de agradar

Desde o início e durante todo o relacionamento, a pessoa emocionalmente dependente é a que tem absoluta precisão de agradar e ser o centro das atenções do parceiro que deseja.  Ela deixa de ser para si e passa a existir totalmente para o outro. E o importante para ela é ser a eleita com absoluta exclusividade ainda que pareça despojada quanto a isto.

3 – Da identidade frágil

Para satisfazer esta necessidade de agradar, de ser escolhido e ser exclusivo para o outro, o dependente emocional, muitas vezes inconscientemente, vai perdendo sua autenticidade. Vai adaptar comportamentos a fim de supostamente agradar, de acordo com a sua percepção do que é esperado de si. Ainda que pese o fato de negar a sua própria identidade, continuará a desempenhar esse papel pelo maior tempo possível. Às vezes, para sempre.

4 – Da obsessão com o pensamento do outro

O outro ser é o objeto permanente e constante de todos os pensamentos. De manhã à noite, ela(e) pensa nele e não há espaço em sua mente já que tornou-se o centro de sua vida – no lugar das suas verdadeiras prioridades. Essa obsessão cria uma agitação mental muito intensa que gera stress, insegurança e desconforto físico e mental. Ela(e) teria que aprender a alimentar sua mente com interesses pessoais que iriam substituindo gradualmente esta obsessão. Mas a maioria das pessoas nem sequer percebe que vive uma fixação patológica.

5 – Da crença de que seu valor depende da presença e do olhar do outro

Isso ocorre porque o dependente tem uma baixa autoestima e é incapaz de reconhecer seu próprio valor – ainda que finja fazê-lo. Está tão convencido de que sem o outro é inútil que prefere viver uma existência sem qualquer direção individual.

6 – Da falta de autoconfiança

A pessoa dependente é incapaz de confiar no outro porque não tem confiança em si mesma. Essa falta de confiança gera estresse em sua vida amorosa. No fundo, se sente indigna de merecer amor e, por isso, parece (ou finge) estar satisfeita com as migalhas que recebe em vez de exigir ou se dar o direito de uma vida mais prazerosa e feliz.

7 – Da tendência de atrair parceiros indisponíveis ou com medo de compromisso

Novamente, esta é uma atração que diz algo sobre o estado emocional da pessoa dependente que carrega, com muita dor, uma ligação imensa com ferimentos sofridos na infância, onde ela também tentou atrair um pai ou uma mãe que sentia distante e indisponível. É um modelo que se repete em suas relações. Este padrão recorrente visa evitar a verdadeira intimidade, já que o medo do engajamento simboliza um medo básico, que é o de fracassar. Então, a pessoa dependente atrai um parceiro cuja situação vai usar como desculpa para não se sentir verdadeiramente envolvida em um relacionamento – já que o afastamento é culpa do “outro” e não dela.

8 – Da crença de que a vida não tem sentido sem um relacionamento a dois

Esse é o ‘sentido da vida’ que a sociedade gosta de imprimir como o único possível. ‘Pobre’ daquele que diz ser feliz sozinho. Os demais olham para ele como se fosse um extraterrestre ou um grande mentiroso.

O quê? Você finge ser feliz sozinho?” Ou “Na sua idade você tem que conhecer urgentemente alguém!” Ou ainda “Coitada de você que não achou um homem!” E tem mais esta “Oh, tadinho, ele vai acabar na maior solidão!

A pessoa dependente é uma boa presa para todos esse pacote de crenças moldados no barro das ilusões e das inseguranças humanas. Mas se já decretou que a vida não faz sentido sem um relacionamento a dois, convido você a tentar se livrar de tantas certezas equivocadas. Note que eu não estou dizendo que a convivência não faz sentido. Digo apenas que não é necessário ser casal para a vida ter sentido. É muito mais verdadeiro e gratificante buscarmos alguma plenitude dentro de nós, antes de qualquer coisa.

9 – Do medo de abandono e solidão

Este é o maior medo da pessoa dependente emocional. É um temor que muito provavelmente foi alimentado desde a infância quando uma experiência de abandono ocorreu – independente se real ou imaginada. Esta pessoa certamente desconhece o valor da serenidade, do silêncio e do isolamento para a sanidade mental.

10 – Da tendência de se afundar em depressão depois de um rompimento

A pessoa dependente corre o sério risco de passar por uma depressão que poderá torná-la incapaz de virar a página. Isto às vezes demora tanto para passar que, só tarde demais, é que se vai descobrir a perda de um bom pedaço de vida que nunca mais poderá ser resgatado.

Em certa medida, é claro, um intenso senso de pertencimento é importante porque protege o amor em si e também a confiança na relação. Mas também é importante reconhecer em que ponto se transforma em dependência. 

Há uma maneira mais saudável de se relacionar que envolve estar com e não depender de. E a melhor notícia é que você pode fazer isso, com o tipo certo de ajuda e a vontade de se libertar. Você também pode se tornar uma pessoa autossuficiente e confiante. Encontre apoio e comece a dar os primeiros passos nesta direção.

E, se desejar, envie seus comentários para: psicologaheloisalima@gmail.com

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