VOCÊ JÁ BEM VIVEU O AMOR?

Imagem Movimento Coraçõezinhos

“Para quem bem viveu o amor,
Duas vidas que abrem não acabam com a luz.
São pequenas estrelas que correm no céu,
Trajetórias opostas, sem jamais deixar de se olhar.
É um carinho guardado no cofre de um coração que voou,
É um afeto deixado nas veias de um coração que ficou,
É a certeza da eterna presença da vida que foi, na vida que vai,
É saudade da boa, feliz, cantar.”

In: Feliz  de Gonzaguinha

Vivenciar uma doce e agradável experiência amorosa é um dos mais básicos e vitais projetos humanos. Mesmo que muitos passem a vida tentando se enganar acerca desta vigorosa e real necessidade afirmando (tolamente) que viver uma paixão é coisa para os “fracos”, no fundo sabem que é para isso que todos vivemos. E que a urgência de amar e ser amado/a é a base e o motivo da totalidade das nossas escolhas e atitudes.

Amar é perceber o outro com o olhar do afeto mais puro.

Mas a condição para expressar este sentimento depende de como cada um experimenta a própria liberdade pessoal.

Amar é permitir que os sentimentos fluam livremente a partir do autêntico desejo em direção ao afeto que se almeja experimentar. A dificuldade aparece justamente quando passamos a submeter esta possibilidade a toda sorte de manias e neuroses que chamamos de anseios pessoais.

Se condicionarmos o amor às nossas aspirações neuróticas estaremos decretando a sua mais absoluta ruína.

O problema é que muitas pessoas passam a vida inteira tentando fazer com que os outros se responsabilizem pela tarefa de satisfazer suas ambições ao mesmo tempo em que, comodamente, se abandonam de maneira irresponsável e, assim, criam um buraco existencial que teimam em esperar que alguém venha preencher.

Por conta disso, muitos romances têm sido vivenciados e relatados – nas conversas entre amigos, nos sofás dos psicólogos, nos roteiros de filmes e novelas – como uma experiência que começa de maneira retumbante para, em pouco tempo, transmutar-se em algo profundamente doloroso – o que é bastante surpreendente. Porque amor deveria ser um exercício gratificante, libertador e de genuíno êxtase. No entanto, canso de ouvir manifestações repletas de arrependimentos, rancores e tristezas combinadas com péssimas lembranças do tipo:

‘Aquele desgraçado’; ‘aquela desqualificada’; ‘ele não me ama do mesmo jeito’; ‘ela não cuida de mim’; ‘ele não me admira’; ‘ela não olha para mim’; ‘parece que nem existo’; ‘sinto-me um miserável’; ‘sou explorado’; ‘sou humilhada’; ’faço tudo’; ‘não consigo fazer nada’.

Tantas queixas e lamentos, não é mesmo?

A notícia ruim: ninguém, absolutamente ninguém, terá condições de preencher este espaço vazio que você criou. Abandone esta pretensão. A notícia boa é que se você assumir suas ações sem medos, assim como suas escolhas e os resultados delas, você viverá de maneira muito mais serena e completa. E, desta forma, se tornará mais leve e fácil de conviver.

Se as pessoas admitissem que o amor é capaz de acabar, como tudo um dia termina, e se permitissem novas buscas e novos encantamentos, entenderiam que a vida nos oferece possibilidades inesgotáveis de transformações e crescimento. Todos os dias.

Podemos definir o amor como uma sensação que estimula o cérebro a secretar hormônios do prazer, como a dopamina, trazendo uma sensação de felicidade e serenidade.

E não importa como uma pessoa entenda o amor, importa apenas como ela o sente, uma vez que sua importância dentro dos relacionamentos românticos, ou em qualquer outra esfera da vida, nos afeta de tal maneira que pode se tornar o sentido de toda uma vida.

Para Freud, no entanto, sua transitoriedade implicaria não na possibilidade da perda, mas, sim, no aumento do valor do objeto em questão (amor, amizade, bagagens pessoais, bens materiais, poder, etc.), pois a limitação da condição de usufruir algo elevaria seu valor.

Assim, Freud conclui que “o valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo”. É plausível dizer que, para Freud, a escassez introduzida pelo tempo cria valor, ou seja, a limitação do tempo concede um valor aos objetos.

Então, bastaria entender que TODOS OS RELACIONAMENTOS dão certo – dentro daquele tempo que devem durar e que, portanto, “dar certo” não é sinônimo de durabilidade, mas, com certeza, de qualidade de relação – que dura enquanto formos capazes de olhar fundo nos olhos do ser amado e sentir aquilo que se passa dentro dele sem precisar ouvir falar; do quanto bate nosso coração de saudade quando ele fica longe da gente; do quanto é gostoso sentir o aconchego da sua presença pertinho de nós.

Amar, logo, pode finalmente converter-se num verbo não apenas transitório e intransitivo, mas também em um aprendizado absolutamente poderoso e imensamente transformador.

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