TIREM SUAS MÃOS DE NÓS!

IMAGEM MOVIMENTO LÁGRIMAS MULHER

“Tire suas mãos de mim.
Quando eu te conheci você não era assim.
Não te devo explicações de nada,
Não tenho medo da sua ameaça.

 Se um dia eu mudar para te agradar,
Eu juro que eu troco meu nome.
Quer me ensinar a ser mulher,
Primeiro aprende a ser homem.”

In: Tire Suas Mãos de Mim: de Marília Mendonça

A agressão contínua contra mulheres é uma verdadeira epidemia mundial e a razão desta tragédia passa não só pela desumanização, mas, sobretudo, pela coisificação da figura da mulher em nossa sociedade.

A brutalidade que, desgraçadamente, costuma ser entendida como parte de uma espécie de ‘normalidade’ envolvendo cidadãs brasileiras, revela uma descarada defesa de um perfil masculino prevalente.

Homens que cometem violência contra mulheres se encontram em todas as classes sociais.

E esse odioso comportamento, ainda que pareça apenas um traço dos borderlines antissociais, revela uma personalidade hostil, que esconde diversas facetas, como dificuldades para resolver a maioria dos problemas e desafios da vida, baixa autoestima e reduzida tolerância à frustração.

Costumam não aceitar críticas, têm um humor muito variável, são impulsivos e não procuram controlar a raiva. Disfarçam a falta de habilidade sociais, além das dificuldades para comunicar seus sentimentos.

Quando entram no ciclo que acumula tensão, frustração, mudança de humor e irritabilidade, vem a explosão da violência que vai recair sobre aqueles que consideram os mais fracos:  as frágeis mulheres e crianças. 

São fracassados e desumanos. Grande parte pode esconder verdadeiros psicopatas.

E, o que mais impressiona, é a capacidade que estas desprezíveis criaturas têm de se parecerem com pessoas comuns.

Isto talvez justifique o impacto sentido pelos fãs e amigos de Iverson de Souza Araujo, o DJ Ivis, diante das inquestionáveis imagens onde aparece massacrando a companheira.

As sessões de tortura teriam começado durante a gravidez desta e continuado na presença da bebê de nove meses de idade.

Murros, chutes, socos, pontapés, bofetadas, toda a violência desferida contra o frágil corpo da parceira e ainda que diante de testemunhas.

Parecia que não tinha mesmo o menor medo de ser descoberto ou julgado. Um verdadeiro monstro, enfim.

Identificar os homens que podem ser mais propensos a cometer agressões é, definitivamente, uma tarefa essencial, que requer uma forte base em evidências empíricas. 

A palavra desumanização está conceitualmente relacionada à objetivação.

A negação de que uma pessoa possua atributos humanos como emoções, sentimentos ou afetos – traços associados à singularidade humana ou da natureza humana – define o processo essencial da desumanização. É assim que o espancador vê os seres que subjuga.

A violência doméstica é um horror que afeta e traz impactos devastadores a todos.

NO BRASIL, UMA MULHER É ASSASSINADA A CADA SEIS HORAS, A CADA DOIS MINUTOS UMA É ESPANCADA E UMA DENTRE TRÊS MULHERES JÁ SOFREU OU SOFRERÁ ALGUM TIPO DE AGRESSÃO.

E saiba que estes dados não estão atualizados e podem representar apenas a ponta de um sangrento iceberg. Muitos feminicídios ainda conseguem ser mascarados ou acobertados pelos envolvidos e familiares.

Apesar de perdurarem diversos mitos em torno das situações envolvendo este tipo de violência, podemos tentar, aqui, desconstruir alguns.

A violência doméstica é apenas abuso físico

A violência física é apenas parte de um padrão mais amplo de abuso, que também pode incluir abuso emocional, sexual e econômico. Às vezes não há abuso físico, mas o agressor usa outras formas para exercer poder e controle sobre um parceiro íntimo.

Drogas e álcool transformam homens em agressores

Apesar de servirem, há tempos, como uma velha e esfarrapada desculpa, o abuso destas substâncias não possui o poder de causar violência doméstica. O agressor é o único responsável pela violência que decidiu cometer.

Se o relacionamento fosse violento, a mulher já deveria ter saído dele

É óbvio que as mulheres continuam dentro deste tipo de relacionamento por uma série de razões que fogem totalmente do seu controle. Começando pela ausência de apoio da própria família e da sociedade. É possível que não tenham onde morar ou se esconder do seu carrasco. Podem não ter condições financeiras para se manter. Podem ter medo de serem assassinadas. Mulheres em relacionamentos abusivos, precisam de apoio e compreensão – e não de julgamento.

Ainda que seja um espancador, ele é um bom pai e a agressão não afeta os filhos

Cerca de 90% das crianças cujas mães são abusadas testemunham o abuso. Os efeitos são traumáticos e duradouros. O fato de testemunhar uma agressão torna a criança uma vítima também. Logo, um agressor JAMAIS será um bom pai.

A agressão foi provocada pela mulher

Trata-se de um mito enraizado e que defende a tese – insustentável – de que o homem é o proprietário da família e que é seu direito punir quem não age de acordo com suas determinações. É uma falsa e perigosa premissa porque nomeia a reação da vítima como “provocação”, legitimando o crime. Em outras palavras, o espancador é único responsável pelo seu gesto agressor.  

As mulheres costumam mentir sobre abuso a fim de obterem atenção

Falsas alegações sobre violência doméstica são extremamente raras. Esta ideia é extremamente prejudicial porque produz o medo de ser chamada de mentirosa, o que impede as mulheres de relatarem os abusos que sofreram.

Se o agressor estiver realmente arrependido o abuso vai parar

O remorso e o pedido de perdão são métodos manipulativos usados ​​pelo agressor como meio de controle. Os abusadores geralmente mentem e raramente param de agredir.

Se os episódios violentos não acontecem com frequência, a situação não é tão grave

Mesmo que isso aconteça apenas de vez em quando, a ameaça permanece. Cada episódio é um lembrete dos episódios anteriores.

Mulheres são atraídas por homens abusivos

Existe uma predominância de violência doméstica na sociedade, de maneira geral, e não é incomum que uma mulher experimente o abuso também em outros relacionamentos. Um agressor sabe muito bem mostrar-se uma pessoa delicada e confiável num primeiro momento. Pode parecer estar acima de qualquer suspeita.

O abuso doméstico é uma questão pessoal e não social

Para este absurdo, prefiro repetir o que deve se tornar um mantra entre nós:

EM BRIGA DE MARIDO E MULHER, A GENTE SALVA A MULHER

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher 
Ligue 190: P.M. Em caso de emergência e violência no ato
Projeto Carta de Mulheres: http://www.tjsp.jus.br/cartademulheres
Ministério Público: pjcasadamulherbrasileira@mpsp.mp.br
Casa da Mulher Brasileira: (11) 3275.8000 na Rua Vieira Ravasco, 26 – Cambuci/SP
Defensoria Pública de SP: (11) 94220.9995 ou 0800.7734340
Mapa Acolhimento Brasilhttps://www.mapadoacolhimento.org/
Delegacia Eletrônica: policiacivil.sp.gov.br

Acompanhe os novos textos através do: http://www.facebook.com/aheloisalima

E, se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

Um pensamento sobre “TIREM SUAS MÃOS DE NÓS!

Deixe seu comentário...

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s