PSICOPATAS FINGEM TUDO

Imagem Movimento Psicopata 4

“Lembrar do seu amor incondicional.
A saudade aperta cada vez mais.
Queria tanto poder beijar você de novo!
A dura verdade aparece, cada dia um pouco mais,
Mas é muito difícil aceitar perder você de forma tão brutal.”

Por Leniel Borel, pai de Henry Borel, assassinado em 8 de março de 2021.

Uma mãe que protege o assassino do próprio filho de 4 anos de idade. Um carrasco que tortura diuturnamente crianças indefesas.

Ninguém teria dúvidas de que são PSICOPATAS, certo?

Porém, ainda que possamos confirmar que uma parte dos psicopatas esteja nas prisões cumprindo penas, a maioria deles não está lá. Está por aqui, com sua ausência de empatia e de consciência.

Na infância, além de demonstrarem falta de afeto e de culpa, apresentam emoções bastante superficiais. A gravidade destes aspectos, depende do meio e da família onde crescerem.

Quando adolescentes, demonstram traços de insensibilidade e ausência de autocrítica, ao mesmo tempo em que se tornam mais propensos à crueldade do que à gentileza. São identificados como predadores natos e líderes nas práticas do bullying contra aqueles que considerarem mais ‘fracos’.

Também têm grande dificuldade para criar amizades verdadeiras de longo prazo.

As personalidades da chamada tríade sombria – narcisismo, maquiavelismo e psicopatia – podem intercalar suas manifestações nestas criaturas que, basicamente, necessitam da manipulação constante sobre as outras pessoas para sentirem-se no “poder”. Prosperam criando um autêntico caos ao seu redor.

A tese atualmente mais aceita é a de que nem todos os narcisistas patológicos são psicopatas, mas todos os psicopatas são narcisistas. 

Narcisistas são notáveis ​​por sua tendência a se supervalorizarem em detrimento do valor alheio. Eles se consideram especiais, privilegiados, com direitos e sem falhas – ou seja, eles se dão bastante importância, enquanto dão aos outros pouca ou nenhuma. 

Em sua mente estão sempre certos e as regras, de fato, aqui não se aplicam. São incapazes de admitir erros e assumir responsabilidades. Se as coisas funcionam, eles acreditam que é graças a eles. Se falham, é culpa dos outros.

O neurocientista americano James Fallon descobriu, em 2005, no decorrer de uma pesquisa sobre psicopatia, que um dos cérebros psicopáticos retratados em uma varredura era o dele próprio.

E foi assim que o aprofundamento do estudo o levou a descobrir que existem três ingredientes que, quando se juntam, podem produzir os temíveis psicopatas homicidas.

O primeiro, é uma redução das conexões das funções entre o córtex pré-frontal ventromedial (parte responsável por sentimentos como empatia e culpa) e a amígdala (parte que faz a mediação do medo e da ansiedade). Sofrer de ansiedade é algo que eles jamais experimentarão. As partes do cérebro envolvidas nos julgamentos morais, por exemplo, estão inabilitadas. Daí, sua incompetência em perceber a diferença entre o certo e o errado.

O segundo, é herdar genes como o gene MAOA, que predispõe uma pessoa à agressão e à violência.

E o terceiro, oriundo também da sua própria experiência, é ter uma infância desprovida de amor, afeto e cuidados, o que os desprotegeria deste latente comportamento deletério.

No caso de Fallon, isto não ocorreu. Portanto, ele não desenvolveu estes aspectos mais sinistros.

Mas a conclusão é essa: trata-se de uma condição para a qual não existe “cura”.

Sobre as mulheres, pesquisas indicam que é provável que a maioria dos psicopatas seja formada por homens.

No entanto, um fator agravante que leva à subestimação da verdadeira taxa de ocorrência de psicopatia em mulheres pode ser as diferenças de comportamento que fazem com que elas escapem do radar da sociedade. É importante reconhecer isso, pois as psicopatas do sexo feminino podem ser tão nefastas quanto os do sexo masculino.

Logo, mulheres também podem ser psicopatas de maneiras mais sutis, mas igualmente perigosas

Isto posto, é importantíssimo entender que nenhuma pílula irá estimular empatia, nenhuma injeção vai fazer nascer consciência humana em quem não tem, nenhuma vacina vai impedir alguém de cometer um crime hediondo, assim como vinte anos de psicoterapia não transformarão uma mente que funciona assim.

Para todos os efeitos, os psicopatas não fazem parte do mundo que entendemos como normal. E ponto.

E perceba: não são sempre ruins o suficiente para irem para a cadeia, mas serão nocivos o bastante para converterem outras vidas num inferno, porque são manipuladores maquiavélicos que fazem todo o tipo de coisas terríveis sem deixar pegadas. Frios, calculistas e completamente tóxicos. 

Mas você nunca conhecerá pessoa mais encantadora do que um psicopata. A maioria é formada por indivíduos charmosos, envolventes e extraordinariamente sedutores. São narcisistas e impulsivos na maior parte das vezes, e isto pode parecer atraente aos olhos desavisados.

Em outras palavras: vão lhe machucar e você só perceberá isto quando estiver sangrando.

E jamais permitem que qualidades humanas como ética, princípios, consciência ou fraternidade atrapalhem seus objetivos. Mesmo porque, eles não possuem NENHUMA delas.

Como enxergam todos os demais como objetos a serem utilizados a seu favor, vão praticar tudo o que estiver ao seu alcance, seja muito ou pouco imoral, para atingirem aquilo que desejam.

Então, como ótimos atores, fingirão com muita perfeição sentimentos como compaixão, vergonha, ternura, solidariedade e até amor – que é uma emoção que eles não têm condição alguma de sentir. A não ser por si próprios e por suas próprias coisas.

A maior parte deles consegue se formar numa faculdade, manter uma família, um bom emprego e parecer “normal”. Os detalhes escabrosos, nestes casos, residem justamente nos meandros da sua trajetória aparentemente comum.

Muitos psicopatas jamais irão responder pelos seus atos e outros nunca serão descobertos. E podem se sair razoavelmente bem como juízes, promotores, médicos, pesquisadores, cientistas, religiosos, policiais, militares, artistas, empresários, e por aí vai, sempre cuidando para não transgredir normas de maneira visível. Ainda que ultrapassem diversos limites éticos e morais sem serem assaltados por qualquer tipo de remorso.

São sujeitos tão egoístas, desumanos, enganadores e cruéis quanto o psicopata mais radical que vai preso por matar uma série de seres humanos. Por conta de sua criação, perspicácia e manejo social, conseguem construir um disfarce de normalidade muito convincente.

Aprendem como detectar os pontos vulneráveis dos outros, observando nestes aquilo que chamam de ‘fraqueza’ e, através de uma simpatia simulada e um charme exagerado, tiram o que querem.

E não tente dar uma de psicanalista. Não arranje motivos, nem invente razões. Eles não são interpretáveis simplesmente porque quase nada em relação a eles é real.

O melhor é confiar nos seus instintos.

Alguns pesquisadores revelaram que o incômodo que esta presença nos causa é uma importante resposta do nosso inconsciente diante do perigo que o psicopata representa enquanto predador intraespecífico (aquele que tem o poder de nos destruir enquanto espécie).

No fim, eles causam muitos estragos na vida dos outros e, se puderem, sentam-se e assistem inocentemente como se fossem meros espectadores.

Muito cuidado e boa sorte.

Sigam o papai de Henry Borel em https://www.instagram.com/lenielborel/

Acompanhe os novos textos através do: http://www.facebook.com/aheloisalima

E, se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

Deixe seu comentário...

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s