A CHAVE DA PAZ

Imagem Movimento Coração sendo passados

“Onde hoje é tarja preta,
Lia-se frase otimista
E nela se acreditava
Do cético ao humanista.
A ela todos se davam,
Amor de primeira vista.
Onde ontem era frase
Hoje é uma tarja na vista.”

In: Tarja Cravada – de Sérgio Ricardo

Quantas pessoas não sonham com um “final feliz” em suas vidas pessoais, do tipo: duas pessoas se conhecendo, namorando, se casando e vivendo felizes para sempre?

E quantas, ainda, não aguardam encontrar a decantada “alma gêmea”?

E o que dizer sobre as famílias totalmente tóxicas e desequilibradas que inventam uma pseudo realidade feliz que esconde todas suas mazelas, aflições e desgostos?

E você, se sente pressionada(o) a continuar na ilusão de felicidade conjugal?

A narrativa comum das histórias de amor nos contos de fadas é que, mesmo diante de conflitos intransponíveis, um casal pode viver feliz para sempre. E que, quaisquer que sejam as tensões, decepções, traições, mal-entendidos ou ilusões que encontrarem, tudo se resolverá a fim de alcançarem a tal felicidade e harmonia perenes e, cá entre nós, inalcançáveis.

Ou quem sabe, talvez nossos relacionamentos sejam tão fictícios quanto essas histórias.

Algo bastante parecido com aqueles seriados e filmes norte-americanos onde as comunidades e seus habitantes são extremamente simpáticos, amistosos e solidários. Todas as pessoas das famílias são felizes e, no máximo, sofrem de algum infortúnio amoroso.

Tem coisa mais falsa que essa?  

O fato é que o sofrimento produzido por esse tipo de mentira, amplamente divulgada pelas redes sociais, é simplesmente impressionante.

Neste sentido, as “celebridades” brasileiras também dão seu péssimo exemplo.

E por que alguém que pretende escrever sobre as questões que envolvem o “casamento”, seja ele uma união oficial, oficiosa, estável, turbulenta, religiosa ou civil, envolvendo quaisquer parceiros, independente do gênero, número ou grau, começa mencionando meros contos de fadas?

Elementar, meu caro leitor e minha cara leitora.

Assim como os conflitos que envolvem interesses por um lado e, por outro, produzem dor e revolta, o casamento, guardadas as evidentes e devidas proporções, também é capaz de gerar algum tipo de grande e significativa desordem no nível pessoal.

Desta forma, os contos de fadas seriam uma maneira de evitarmos o contato com uma realidade, tantas vezes, dolorosa.

Gosto de falar do amor como uma necessidade básica – física e mental – de todo e qualquer ser vivente. Precisamos, todos nós, de parcerias saudáveis que, além de testemunharem nosso percurso, nos apoiem durante as previsíveis intempéries e também dividam conosco os almejados louros das conquistas.

Em um primeiro momento, os amantes se unem na esperança de encontrarem um ser que vá confundir-se com sua própria existência, de tão semelhante e ‘conectado’ que é. Passado algum tempo – ou, na maioria das vezes, muito tempo – os anseios iniciais dão lugar a uma visão menos romântica a respeito da gente e do outro que está do nosso lado. Quando deixamos de olhar pro espelho – sim, porque, nesta primeira fase, todos os espelhos são mágicos uma vez que só mostram aquilo que queremos ver – e passamos a mirar nossas próprias questões e necessidades, percebemos que somos seres únicos e singulares. E, assim, um tanto quanto ‘desconectados’ da simbiose inicial.

Daí começa aquilo que classifico como a magnífica segunda parte de uma experiência amorosa. Ela pode acontecer dentro de um mesmo casamento ou, como tem sido muito comum, em uma nova relação – quando já temos maturidade e experiência suficientes para nos desembaraçarmos do outro sem, necessariamente, sucumbirmos.

É quando podemos, e até desejamos, conviver com as diferenças e, principalmente, aprender com elas. O outro, afinal, pode ser uma interessante e inesgotável fonte de aprendizado – desde que se preste muita atenção a este “detalhe”, se esteja profunda e verdadeiramente interessado(a) nesta relação onde dar e receber, ceder e refazer, podem se tornar o canteiro central desta incrível via de mão dupla.

Para se construir uma ponte que atravesse este muro (ou abismo, tanto faz) é preciso, por um lado, força e coragem para levantar as pedras e, por outro, disponibilidade e paciência para esperar até que se configure o caminho passível de ser trafegado.

Como numa emblemática experiência, há que se suportar as dificuldades e os obstáculos que fatalmente se apresentarão e que nos provocarão o franco desejo de voltarmos atrás. Ou, em outras palavras, de retornarmos ao aparente conforto que a falsa ausência de conflitos nos passava. Enfim….

QUANTO MAIS TENHO CONDIÇÕES DE CONCEBER O OUTRO, MAIS CONFUSO TUDO PARECE FICAR!

Porque, do fundo do nosso poço escuro, seguimos esperando que tudo se reflita feito num espelho e à nossa semelhança. E é preciso lembrar que no diálogo com o outro quem permanece de costas somos nós mesmos – que não nos enxergamos de fato. Ou seja: o outro sempre nos percebe de algum jeito. E a gente, quase sempre, de jeito nenhum.

Daí – e desde que nada de mais sério e inegociável exista no caminho até agora trilhado – se você honestamente ama este ser para o qual olha tantas vezes com paixão e carinho, raiva e rancor, vai desistir de tudo sem procurar, em algum cantinho desta relação, a saída que tiver a sorte de antever?

Por que não tentar buscar, nos dentro e fora da gente, esta possível e formidável Chave da Paz?

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