A DIFÍCIL ARTE DE PERDOAR

Imagem Movimento Aves Voando

Com perdão fiquei mais leve,
Voei alto e fui ao chão.
Sei o peso da mentira
Já não minto ao coração
.”

In: Mais Leve Zeca Baleiro

Você já pensou no quanto uma mágoa instalada dentro de você pode ser responsável pelos medos, tristezas e doenças ‘inexplicáveis’ que enfrenta?

Qualquer pessoa que tenha sofrido um grande desgosto sabe que quando nosso mundo interior parece estar destruído, é difícil nos concentrarmos em outra coisa que não seja a dor. Porém, quanto mais nos apegamos à ela, mais emocionalmente fracos e vulneráveis nos tornamos.

E você sabia que, neste caso, o perdão é um forte e invencível remédio?

Contudo, muita gente mantém concepções erradas sobre o que o perdão realmente significa e, por isto, escolhem evitá-lo.

Este exercício, certamente, não é fácil, e só pode ser realizado com as ferramentas certas e algumas doses de disposição e de esforço.

Perdoar as pessoas que nos atingiram – voluntariamente ou não – produz fortes benefícios psicológicos. 

Isto, sem contar o poder de diminuir a depressão, a ansiedade, a raiva (comprovadamente prejudicial à saúde) e os sintomas do tipo Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

Ao mesmo tempo, pode proporcionar uma espécie de cura psicológica, por tratar-se de um afeto que você estende à outra pessoa quando reconhece que é a resposta mais humana a ser alcançada.

É fundamental descobrir o(a) que machucou e como para perceber a dimensão da mágoa. Porque existem muitos tipos de padecimento emocional e os mais comuns envolvem ansiedade, depressão, raiva doentia, falta de confiança, baixa autoestima, uma visão negativa de mundo e falta de confiança na capacidade de mudar. E é bem possível que muitos delrs já fizessem parte de você antes.

Você pode fazer esse levantamento solitariamente ou pode escolher a ajuda de uma boa terapia. Independente de como você abordar sua dor, certifique-se de fazê-lo em um ambiente confiável e seguro.

E, lembre-se:

Perdoar não significa esquecer

É bastante improvável que você seja capaz de esquecer um erro grave cometido contra você. Embora não possamos controlar quais memórias teimarão em permanecer conosco, podemos controlar nossa atenção e nossas emoções diante delas.

Perdão e raiva não combinam

É normal sentir raiva de alguém que não foi legal com a gente. Entretanto, a animosidade descontrolada nos leva a quantidades exageradas de elaboração mental. Quanto menos você alimentar a repulsa sobre o que aconteceu com você, menos frequentemente se lembrará deste fato.

Quando você perceber que está sentindo raiva, faça uma breve pausa e a reconheça, confirmando que você tem todo o direito de senti-la.

Depois, pergunte a si mesmo(a): Continuar digerindo o que aconteceu, alimentando minha fúria, me fará algum bem a longo prazo?

Só porque sua raiva é justificada, não significa que seja útil. Valide sua raiva, mas não a alimente.

O perdão não significa aprovação

Muitas pessoas que lutam contra o perdão são aconselhadas a ‘aceitar’ o que aconteceu e seguir em frente, entendendo este aceitar como um endosso ao que sofreram.

Muitas vítimas de injustiça são manipuladas para acreditarem que, de alguma forma, foram responsáveis pelo mal que lhes foi causado e isto está errado.

Aceitar significa apenas reconhecer que você não tem poder ou controle sobre o passado. Abandonar a ilusão de controlar o passado é a chave para assumir o controle sobre o futuro.

O perdão não requer reconciliação

Não importa o quanto você queira que a pessoa que lhe ‘ofendeu’ assuma seus erros, ofereça desculpas, algum tipo de ‘restituição’ ou que conserte a falha. Entenda: você não vai poder controlar isso. 

Tenho visto pessoas que sobrevivem tão focadas – quase obcecadas – em alcançar a reconciliação com seu ofensor, que perdem a energia mental e emocional para trabalhar nos aspectos do perdão sobre os quais têm controle e deixam de seguir com suas vidas em paz.

O perdão não é apenas uma decisão

O perdão começa com uma decisão, mas não termina nela. Trata-se de um processo. Uma jornada.

Você continuará a ver aquele parente com quem brigou em reuniões familiares. Ou o colega de trabalho que lhe trapaceou. Ou, ainda, o pai que lhe abandonou, a namorada que lhe traiu, o homem que lhe magoou.

Memórias de seu trauma irão surgir em sua mente de tempos em tempos e é bem possível que seus esforços de reconciliação não sejam correspondidos. Ou seja: as pessoas não passarão a agir do jeito que você entende como justo.

Desta forma, compreenda que a mera decisão de perdoar não será suficiente. Esteja preparado(a) para permanecer perdoando, dia após dia. E embora possa ficar mais fácil com o tempo, o perdão é para sempre.

O perdão não é um sentimento

Pessoas que, desesperadamente, lutam para perdoar, no fundo desejam se sentirem melhor. Almejam paz de espírito, menos rancor e ódio, mais serenidade e, talvez, até queiram sentir compaixão ou amor pela pessoa que veem como responsável por sua amargura.

Não existe nenhuma lei do universo que garanta que todos se sentirão em equilíbrio a partir deste momento. Na verdade, uma das coisas que torna o autêntico perdão tão difícil é, justamente, aceitar que as emoções a respeito de uma falta cometida contra você não estão sob seu domínio.

O perdão é um compromisso, não um sentimento.

Seu caminho para o perdão é exclusivamente seu

Depois de nos sentirmos injustiçados, nosso psiquismo pode ser dominado pela frustração. O importante é aprender a olhar além das sensações mais óbvias a fim de perceber as menores e mais silenciosas. Essas são tão válidas quanto o seu ressentimento, e podem ser muito mais proveitosas.

Se você se permitir sentir a tristeza, o arrependimento e a pena pelo que aconteceu, poderá enxergar seu antagonista sob um novo olhar.

Por sua vez, isso poderá ajudá-lo(a) a pensar e agir de forma diferente, mais leve e produtiva. Quem sabe?

Importante entender

Muitas vezes pensamos sobre o perdão em vagos termos éticos, religiosos ou filosóficos. No entanto, o caminho para o perdão é psicológico, não moral. Passa por reflexões do tipo:

Quais são os hábitos mentais que efetivamente me libertam das lembranças dolorosas do meu passado?

Quais são as decisões que posso tomar e as ações com as quais consigo me comprometer que irão me levar à almejada harmonia interna?

Que modo de olhar para o passado tem mais probabilidade de me ajudar a seguir em frente?

Para encontrar o perdão genuíno e avançar com nossas vidas, devemos compreender a psicologia do perdão e nos comprometermos com nosso caminho em direção à paz e liberdade verdadeiras.

Como ouvi, certa vez, de uma pessoa:

“Passei minha vida inteira obcecada com o que tinha acontecido comigo no passado e em como poderia consertar aquilo. Até que, finalmente, aos 45 anos, entendi que havia perdido tempo demais e que podia ser egoísta o suficiente para não ligar para mais nada, me afastando das pessoas que incentivavam minha cólera. Resolvi que podia ser feliz abandonando tantas indignações inúteis que só me fizeram sofrer. Foi quando perdoei meus pais.

Pense nisto com carinho. Seu humor e seu equilíbrio mental agradecerão.

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E, se desejar, envie seus comentários para: psicologaheloisalima@gmail.com

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