CRIATURAS CONTROLADORAS

Imagem Movimento Misoginia

Como nasce do fundo do poço escuro
A água cristalina pra matar nossa sede,
Há de vir do oceano ou do leito de um rio
A nossa esperança envolvida na rede
.”

In: Ruínas de Sol – de Oswaldo Montenegro

“O fato de fazer parte da empresa há mais tempo do que os demais funcionários, criou naquela mulher a sensação de que podia fazer ou dizer absolutamente tudo o que lhe desse na ‘telha’. Parecia sentir-se acima de todos nós. E ninguém arriscava se contrapor a ela. Não apenas porque havia uma muda hierarquia – criada e encabeçada por ela, evidentemente – mas porque, além de tudo, ela procurava manter uma boa relação com os diretores da instituição. Aliás, nenhum deles fazia a menor ideia das coisas bizarras que ela fazia para manter seu ‘status’. Foi o maior inferno que atravessei na minha vida. E precisei de anos de terapia para começar a curar as feridas no meu ego. Essa mulher, hoje aposentada, continua fazendo horrores, agora na associação dos ex-funcionários. Muitos até acreditam que ela seja bacana, porque sua máscara parece intangível. Acho que gente assim seria capaz de fazer coisas ruins até dentro de um mosteiro.”

O relato acima, enviado por uma leitora, representa uma das relações mais corrosivas e traumáticas que muitos de nós já experimentamos em alguns (ou em muitos) momentos de nossas vidas.

O controle que determinadas pessoas desejam manter sobre outras, seja no âmbito profissional, familiar e até nos relacionamentos amorosos ou interpessoais, provavelmente esconde sua absoluta falta de domínio sobre as próprias vidas.

Quando alguém cresce, não só impedido de tomar decisões como, também, temendo não ter condições de cuidar da sua existência, o desenvolvimento de sua personalidade pode se ancorar na ilusão de que sua única saída será manipular aqueles nos quais irá, fatalmente, projetar suas fraquezas.

A necessidade de controle pode ser o fator que esses dois processos (controlar escolhas ou manipular as escolhas dos demais), aparentemente independentes, têm em comum. 

O poder é o controle sobre o que as outras pessoas fazem; a escolha é o controle sobre os resultados das próprias escolhas.

Em um recente experimento, os participantes ouviram a descrição dos poderes de uma determinada função de chefia e lhes foi solicitado imaginar serem donos daquela posição. Algumas pessoas se sentiram poderosas e outras totalmente impotentes diante deste papel. Na segunda parte, eles foram convidados a comprar coisas em uma loja com três opções ou em outra loja com quinze opções. O resultado foi que a maioria preferiu percorrer grandes distâncias para acessar a loja com mais opções.

Ou seja, a falta de poder tornou-as sedentas de escolha.

Outra experiência envolveu uma situação onde os integrantes foram privados de fazer escolhas e, como consequência, a maioria demonstrou um enorme desejo de ocupar uma posição de grande poder. 

Experimentos adicionais revelaram que as pessoas podem se contentar tanto com o poder quanto com a escolha – ou com ambos –, mas não ter nenhuma das duas condições as torna profundamente insatisfeitas e frustradas.

O problema central aqui é entender o que certas pessoas são capazes de fazer a fim de alcançarem alguma forma de poder, quando vivenciam situações que as privam de autonomia ou liberdade. E, sem qualquer sombra de dúvidas, a manipulação é um dos mecanismo mais perverso adotado nesses casos.

A manipulação também pode ter consequências mais insidiosas, porém, e costuma estar associada ao abuso emocional, principalmente em relacionamentos mais íntimos. 

Embora as pessoas que manipulam os outros frequentemente o façam porque sentem a necessidade de controlar o ambiente e as situações em volta, o fato é que tratar-se de uma necessidade que, muitas vezes, se origina do medo ou da ansiedade nelas enraizados. Ao envolver-se na manipulação, o manipulador não consegue se conectar com seu eu autêntico e, por outro lado, ser manipulado pode fazer com que um indivíduo experimente uma ampla gama de efeitos nocivos.

O comportamento manipulativo envolve três situações bastante claras: medo, obrigação e culpa. Quando você está sendo manipulado por alguém, você está sendo psicologicamente coagido a fazer algo que provavelmente não gostaria de fazer. Você pode sentir medo de fazê-lo, ser obrigado a fazê-lo ou sentir-se culpado por não o fazer.

Ainda que a criatura sedenta por poder pareça alguém confiável, um(a) líder acima de qualquer suspeita e até um adorável ser humano, não se engane. Pessoas assim podem enganar qualquer um de nós.

OS TIPOS 

Existem dois tipos de manipuladores: o tipo agressor e o tipo vítima. O primeiro faz você ficar com medo e pode usar (sempre de maneira quase imperceptível) de agressividade, ameaças e intimidação para manter o controle. O tipo ‘vítima’ gera um sentimento de culpa em seu alvo. Geralmente age como se estivesse magoado, enquanto você tenta ‘salvá-lo’. Mas, embora os manipuladores muitas vezes atuem como ‘vítimas’, a realidade é que são eles que causam todos os problemas e os traumas.

Na verdade, exigir a pretensa norma da reciprocidade é uma das formas mais comuns de manipulação.

Pessoas em relacionamentos tóxicos precisam ouvir observações críticas sobre estes, justamente porque foram condicionados a pensar que as interações que experimentam são normais. Alguém precisa ajudá-los a sair desta suposição equivocada.

É bastante comum que quem sofre esta forma de abuso acabe por levantar dúvidas acerca dos seus sentimentos mais autênticos, dos fatos e da própria memória. Parece que desconfiar do(a) manipulador(a) torna-se um fardo. E a este peso se acrescenta o fato dele(a) distorcer o que todos dizem para criar um clima propício para si mesmo(a), fazendo você sentir que fez algo errado quando, no fundo, o(a) algoz é ele(a).

Então, coragem! Enfrente os(as) manipuladores(as) já que, definitivamente, eles(as) jamais assumirão a responsabilidade pelos estragos que causam. Afinal, não somos responsáveis ​​pelos sentimentos de ninguém.

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