FAZ BEM AMAR ALGUÉM

“Amar alguém só pode fazer bem,
Não há como fazer mal a ninguém
Mesmo quando existe um outro alguém,
Mesmo quando isso não convém.

Amar alguém e outro alguém também
É coisa que acontece sem razão,
Embora soma cause divisão,
Amar alguém só pode fazer bem.”

In: Amar Alguém – de Marisa Monte

Em tempos de tamanha e assustadora intolerância, é sempre bom lembrar…. que um copo vazio está cheio de ar!

E que se os desumanos, os intolerantes, os cruéis e perversos tivessem experimentado o amor em suas vidas, não seriam tão atrozes como são e não teimariam em destruir as expressões de amor – de quem ainda consegue amar – como hoje fazem com tanta  ‘liberdade’.

Que espaço o amor ocupa em sua vida? Você conseguiria responder esta questão sem pensar muito? Sem se entristecer? Nem se angustiar?

Sabemos que o amor é um sentimento complexo que pode nos empurrar para o melhor ou para o pior e que, para florescer, precisa ser criado a partir de laços de afetos plenos de sentimentos.

Seja o amor dos pais, seja o do amigo, seja o amor por si mesmo, ele sempre será uma parte essencial de nossas vidas.

Amar é, definitivamente, a fonte da vitalidade e do prazer mais importante que temos, além de uma atividade saudável que exige muita energia e envolvimento.

Porque o ato de dar e de receber carinho envolve uma necessidade humana básica, muito forte e primordial. Uma vida sem amor implica num vácuo – mais ou menos profundo, dependendo da pessoa – dentro de nossa existência.

Durante a nossa vida estabelecemos uma infinidade de relações interpessoais, cada uma das quais dando espaço para mais ou menos carinho, dependendo do nível de afinidade que experimentamos. A influência também reside na intensidade e na frequência do relacionamento, bem como na troca afetiva que nele criamos.

De uma forma mais ou menos consciente, somos afetuosos e esperamos que isso cause uma reação na outra pessoa. Desejamos que ela compartilhe seu carinho, assumindo reconhecimento ou reciprocidade no vínculo produzido, seja de amizade ou não.

Uma existência sem amor e carinho pressupõe um lacuna dolorosa em nossas vidas. O carinho é uma necessidade inadiável de todo e qualquer ser humano. Com exceção apenas dos psicopatas, dado que estes não possuem afeto.

O carinho é um sentimento único entre os seres humanos. Trata-se de uma expressão que invoca um intenso apego à outra pessoa, animal ou objeto, e que nos leva a viver com cuidado, delicadeza e amor. A afetividade é fundamental para o desenvolvimento de todos nós. Se uma criança cresce sem estar envolvida em expressões de amor e carinho, ela pode desenvolver desequilíbrios e distúrbios de personalidade, tanto na adolescência quanto na vida adulta.

A primeira história de amor: mamãe e papai

O primeiro amor que todo ser humano experimenta é aquela que ele vive com seus pais ou cuidadores. O apego destas figuras ao filho e, na mesma medida, o apego da criança a eles, é o que permitirá que todos cresçam e construam seus alicerces na vida adulta. Essas bases podem ser mais ou menos sólidas de acordo com a qualidade das primeiras relações.

O que podemos afirmar é que ao longo da vida buscaremos reencontrar, nas relações de amor e também nos encontros amigáveis, esses primeiros sentimentos amorosos. Essas primitivas promessas de integridade e incondicionalidade que só o amor nos oferece.

É como uma missão inconsciente para a qual nos dedicaremos pelo resto de nossas vidas.

A famosa oxitocina

Quando abraçamos alguém para demonstrar nosso carinho, reduzimos o estresse e a ansiedade, diminuímos a pressão arterial e melhoramos nossa memória. Da mesma forma, liberamos um hormônio chamado oxitocina no corpo. A oxitocina, como bom neurotransmissor que é, está envolvida em muitos aspectos relacionados à confiança, altruísmo, generosidade, formação de limites, comportamento afetuoso, empatia, compaixão e assim por diante.

Mas há mais. Ela desempenha um papel crucial no comportamento materno e sexual, bem como em comportamentos mais agressivos. Sua presença nos faz reagir ao medo, evitando estados de paralisia.

Como você pode ver, a delicadeza tem um papel decisivo na vida de cada pessoa e na sua saúde mental. Precisamente para isso, fenômenos como a necessidade exagerada de carinho ou o desprezo que alguns sentem em relação aos sentimentos expressos contra eles, podem dar origem a uma desordem psicológica.

E por que amamos?

Ao longo da vida buscamos amor e amizade (quem não os obtém de maneira natural tratará de obtê-los de outras formas) e tentamos redescobrir os primeiros sentimentos de amor da primeira infância.

Mas é fundamental entender que se alguém, eventualmente, os tivesse encontrado, não haveria ‘razão’ para continuar persistindo na procura. No entanto, é essa busca sem fim que nos levará a seguir adiante. Dia após dia. Até o final deles.

Algumas teorias afirmam que tal demanda tenta preencher a falta criada pelo sentimento inicial experimentado logo na infância. Amar é tentar recuperar essa falta. Mas amar também pode ser uma maneira de combater o medo da solidão, da falta de autoconfiança ou simplesmente um modo de conhecer o sentido de autossatisfação.

Amar o outro ou a si mesmo?

Se continuarmos nossa jornada para o ‘país dos acolhimentos’, parece que, para alguns, amar alguém pode ser muito mais egoísta do que parece. Na verdade há quem prefira amar-se e, em contrapartida, usar o outro para satisfazer as próprias necessidades de felicidade.

Para outros, porém, essa particularidade pode assumir proporções importantes e transformar-se em um amor exclusivo por si mesmo. Em linguagem comum, narcisismo.

Narcisismo

Narcisismo é um amor excessivamente dedicado à própria existência.

Em uma linguagem mais especializada, o narcisismo é um elemento essencial da organização psíquica. Ou seja, cada um de nós é narcisista e isso é normal e até mesmo necessário. É o que nos permite passar do amor por si, quando ainda se é uma criança, para o amor pelo outro durante a vida adulta. No entanto, em alguns casos, o narcisismo pode ser tão forte que leva a distúrbios mais profundos.

O papel do carinho na depressão

Durante a depressão, o homem geralmente vivencia um empobrecimento afetivo. A pessoa pode sentir-se incapaz de dar carinho àqueles que sempre amaram. O mais penoso é que não pode justificar essa súbita indiferença e, por isto, sofre profundamente.

Algumas pessoas com depressão grave podem também perder a capacidade de se deixarem ser acarinhadas.

Dando e recebendo 

Pessoas deprimidas também não conseguem se sentir amadas por mais que, de fato, sejam. Elas podem perder toda a capacidade de dar e receber amor embora, na maioria dos casos, seja uma sensação mais subjetiva do que objetiva.

Quando são mencionadas, geralmente são identificadas como pessoas emocionalmente frias e incapazes de expressar suas emoções.

Não há dúvida de que dar e receber carinho é fundamental para nossa sobrevivência. Através deste afeto, fortalecemos nossa personalidade, aumentamos nossa autoestima, nossa compaixão, confiança e humanidade.

E você? Já experimentou os benefícios de dar e receber carinho? E amor? Tem dificuldades de encontrar parcerias mais plenas? Companheiros ou amigos tornaram-se um fardo na sua vida? E que tal me escrever um pouco sobre isto?

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