POR QUE TEMOS MEDO DE MUDAR?

Imagem Movimento Flores Girando

“Hoje eu vou mudar,
Vasculhar minhas gavetas,
Jogar fora sentimentos
E ressentimentos tolos.
Fazer limpeza no armário,
Retirar traças e teias
E angústias da minha mente.
Parar de sofrer
Por coisas tão pequeninas.”

In: Mudanças – de Vanusa

Porque temos medo de enxergar algumas verdades sobre nós mesmos.

Há muitos anos um querido amigo resolveu participar de um grupo no qual passou a cegamente confiar.

No entanto, tempos depois, muitas suspeitas começaram a surgir acerca tanto da honestidade quanto da seriedade de diversos integrantes, o que fez com que muita gente se afastasse dali.

Meu amigo, apesar de todos os claros indícios, se negou e permanece se recusando a enxergar o que, para tantos, se mostrou tão óbvio.

E parece que não há nada que o faça entender que seu julgamento foi e continua sendo equivocado. Ainda que sua posição lhe cause hoje muitos problemas.

Seria este um indício de vaidade exacerbada? Ou uma prova da terrível arrogância que acomete criaturas infantis ou limitadas?

Uma coisa é certa: os vieses cognitivos são formas de pensamento que nos desviam da lógica do pensamento racional.

São espécies de saídas que nos fazem assumir decisões mais fáceis do que aquelas que o raciocínio analítico nos ajudaria alcançar – desde que considerássemos todas as informações relevantes, e ainda que algumas se mostrem opostas aos nossos argumentos iniciais.

Esses entendimentos rápidos geralmente parecem úteis porque nos dão menos trabalho. No entanto, eles também são a base de avaliações e de resoluções erradas.

Veja: é muito importante compreender que ao fazer apreciações e decidir algo sobre o mundo que o cerca, você sempre vai preferir acreditar que é objetivo, lógico e capaz de absorver e avaliar todas as informações disponíveis. Infelizmente, todos temos profundas dificuldades neste campo que, no fundo, escondem o medo de nos reavaliarmos ou – o que é pior – de nos autocriticarmos.

Muitos de nós, como o meu amigo lá do exemplo acima, acreditam que enxergar hoje aquilo que não enxergávamos ontem, pode significar passar ‘recibo’ de burro, de ingênuo ou de otário. E isto parece ter o poder de despedaçar nossa autoestima. Só que não.

Porque está bem longe da verdade, uma vez que é exatamente a capacidade de nos enxergarmos como somos, refletindo sobre o que fazemos, que pode tornar nossa existência muito mais produtiva e relevante.

O conceito viés cognitivo foi introduzido no início dos anos 70, por dois psicólogos, a fim de explicar certas tendências para decisões irracionais no campo da economia. Depois disto, foi estendido para vários campos da psicologia cognitiva e social.

Vieses cognitivos podem levar a pensamentos distorcidos. E todo mundo pode ser ‘vítima’ deles – conscientemente ou não.

O curioso é que parece ser bem natural identificá-los nos outros, mas é importante você entender que eles também afetam o seu pensamento. Agora, por exemplo, enquanto lê este texto. Pense.

Alguns sinais de que você está sendo influenciado por algum tipo de viés cognitivo incluem:

Prestar atenção apenas às notícias que confirmem suas opiniões;

Responsabilizar ‘fatores externos’ quando as coisas não acontecem do jeito que você deseja;

Atribuir o fator sorte para explicar o sucesso de outras pessoas, ao mesmo tempo em que aceita receber crédito pessoal por suas próprias realizações;

Imaginar que todos os outros  deveriam compartilhar de suas opiniões ou crenças.

Alguns trabalhos sugerem que é possível evitar estas negações do real, procurando ficar consciente dos próprios preconceitos e inseguranças. Como, por exemplo, entendendo que aquela pessoa que você tanto admirava pode não ser nada daquilo que lhe fizeram crer.

Ou considerando os fatores que influenciam suas decisões, conferindo se você está sendo vítima de um excesso de confiança que tenta encobrir seu medo de descobrir algo diferente. Pensar nas influências sobre suas decisões pode ajudar a fazer melhores escolhas.

Desta forma, proponho que você reavalie suas ‘certezas’ tentando perceber se elas estão tingidas pela cor sombria do receio de mudar de opinião.

Viés de Confirmação

Trata-se de uma das tendências mais comuns que visa não considerar informações que contrariem princípios preestabelecidos;

Viés de Crença

Ocorre quando os erros de uma construção aparentemente ‘lógica’ são ignorados uma vez que a conclusão correspondeu às certezas;

Viés de Confiança

É a predisposição para superestimar suas capacidades. Esse viés foi destacado por experimentos em psicologia que mostraram, em vários campos, que mais da metade das pessoas considera ter melhores capacidades do que a média;

Viés da Negatividade

É a inclinação de dar mais peso às experiências negativas do que às positivas;

A Ilusão da Correlação

A ilusão de correlação consiste em perceber uma relação entre dois eventos não relacionados ou, novamente, em exagerar uma relação que é fraca na realidade. Por exemplo, associar uma característica específica em uma pessoa a pertencer a um grupo específico quando a característica não tem nada a ver com pertencer a esse grupo;

Viés de Ancoragem

É a propensão de usar indevidamente determinadas informações como referência. Ainda que algo as invalide, você segue preferindo acreditar nelas;

Viés da Representatividade

É a inclinação de basear seu julgamento ou decisão a partir de um número limitado de elementos que, no fundo, são pouco representativos de uma população muito maior;

Viés do Status Quo

Refere-se a um comportamento que teima em resistir à mudança e uma atitude mental em que qualquer coisa nova é vista como um risco;

Viés de Omissão

O viés da omissão busca considerar que os danos causados pela ação são piores do que os causados pela falta de ação. Um exemplo interessante seriam pais que se recusam a vacinar seus filhos pequenos;

Viés de Consenso

É o juízo falso de que os outros concordam com você mais do que realmente o fazem. Costuma ocorrer em grupos fechados, onde os participantes raramente encontram pessoas com ideias ou referências diferentes;

Existência do Mundo Justo

É a disposição em acreditar que o mundo é justo e que as pessoas merecem o que recebem. Diferentes processos cognitivos ocorrem para preservar estes conceitos, apesar dos fatos mostrarem justamente o contrário;

Ilusão do Saber

Consiste em confiar em crenças errôneas para assimilar uma realidade sem examinar outras informações;

Viés do Conformismo

É a tendência de pensar e agir como os outros a fim de ser sentir aceito e, ao mesmo tempo, quase invisível.

Ilusão de Controle

É a convicção de que temos mais controle sobre uma situação do que a realidade mostra.

Se avistou em alguns destes, não é mesmo?

Então, minha proposta é que a gente procure, com toda a honestidade possível, ficar mais atento às nossas próprias convicções, ou seja, ao fato de que nossos julgamentos e tomada de decisões se baseiam naquilo que escolhemos acreditar e que muitas vezes, por algum motivo, nem lógico é.

Prestar muita atenção aos nossos próprios pensamentos pode impedir ou, no mínimo, reduzir o impacto de preconceitos cognitivos, fazendo perguntas do tipo: Por que penso o que penso? Quais são minhas fontes? Serão mesmo confiáveis? Alguém teria coragem de dizer que pensa diferente de mim?

Pensar e repensar sem jamais temer perder o fio da sua meada.

Então…. pense! E, de preferência, fora da caixa apertada onde teimamos em nos manter.

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