A FRUSTRAÇÃO É UMA PRAGA

Imagem Movimento Fofoca 2

“Deus me proteja a mim da maldade de gente boa.
Da bondade da pessoa ruim.
Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim.

In: Deus Me livre – de Chico César

 

 

A VAIDADE DOENTIA

Os vaidosos-doentios são seres intrinsecamente frágeis que, por conta desta vulnerabilidade, nutrem-se daquilo que fingem receber ‘naturalmente’: alguma réstia de apreço ou um mínimo de consideração.

Mesmo que tenham plena consciência de que tais sentimentos não sejam nem legítimos nem verdadeiros – já que precisaram ser arrancados à força – isto muito pouco parece lhes incomodar. No fim das contas, basta-lhes parecer.

São, quase sempre, pessoas com uma autoestima demasiadamente baixa que, no afã de encobrir seu próprio buraco, enveredam para a extremidade oposta da prepotência e da arrogância exacerbadas.

Muitos líderes mundiais, chefes de estado, diretores, gerentes, militares, professores, médicos, empresários, capatazes, guardas de trânsito, coordenadores de grupo, enfim, indivíduos oriundos de todas as categorias e camadas sociais, podem apresentar estes terríveis vieses que os sustentam no medo que carregam e que provocam.

Quantos grupos promissores foram, são e continuarão sendo impedidos de atingirem sua plenitude ou, ainda, serão simplesmente dizimados por causa de criaturas desta espécie?

Muitas ações, agrupamentos e movimentos são frequentemente demolidos quando encabeçados por gente assim.

E você faz alguma ideia de quais mecanismos o fraco se utiliza para manter uma turma sob (seu) controle?

O ISOLAMENTO E A FOFOCA

O isolamento só pode ser garantido se todos os que estiverem do lado de fora forem vistos como uma ameaça eminente ao parco equilíbrio do grupo.

Ele, basicamente, não se suporta ver a independência e a liberdade dos outros porque tais empreitadas destacam sua débil liderança e seu marasmo fazendo de sua ausência de ação algo menor ou condenável. É como se suplicasse: parem de agir, parem de caminhar. Deixem que eu levo tudo…. na direção do abismo.

Faz-se, então, necessário um dispositivo de controle e tudo indica que, desde os primórdios, a fofoca tenha se configurado enquanto o mais eficiente mecanismo de coerção social onde muitos se observam e se vigiam procurando garantir que os demais não façam justamente aquilo que a maioria gostaria de fazer. Dentre estas “coisas”, surpreendentemente, encontram-se: sorrir, brincar, gargalhar, acarinhar e, especialmente, tocar e amar. Em síntese: ser feliz e deixar o outro em paz.

A fofoca vem precedida, exatamente, do desejo de trazer, de volta à (infeliz) manada, todos aqueles que ousaram sair da linha. Ou seja, (re) alinhar todas as ovelhas negras desviadas. É a maior arma do fraco e o pior instrumento de opressão dentro de um grupo, uma vez que une pessoas muito parecidas na frouxidão moral.

A fofoca é uma doença da alma que se difunde, inicialmente, por entre as pessoas mais atrasadas. Portanto, é uma doença social.

O fofoqueiro, mesmo sem desejar, revela justamente aquilo que tanto almeja encobrir com seu mascarado desprezo: a inveja.

Bem dizia J.A. Gaiarsa (autor do livro “Tratado Geral Sobre a Fofoca”): “A fofoca é uma forma de agressão coletiva, só que disfarçada. Ela é outra derivação da agressão: a gente faz de conta que é bonzinho e machuca o quanto pode por baixo, indiretamente. Daí, quando você for alvo de ataques, o fundamental é não entrar em pânico, não se desesperar, nem ao menos se aborrecer. Terá sido uma lisonja pois acabaram de declarar publicamente que tem medo de você e que seu trabalho é bom. Só se atiram pedras nas vidraças íntegras, nunca nas que já estão quebradas”

A INVEJA

A pessoa que pratica a fofoca o faz porque inveja seu alvo e, para disfarçar, procura imprimir na sua conduta uma aura de grandeza e de superioridade. Como se fosse um observador neutro e distante frente ao seu objeto de estudo. E, deste jeito, tenta imputar à vítima suas próprias fraquezas e sentimento de inferioridade os quais, na verdade, são parte do seu conflito pessoal e interno.

Em outras palavras: atribui a outrem justamente aquilo o que de pior percebe em si mesma, como se dissesse: “como você teve coragem de fazer aquilo que eu, no fundo, tanto gostaria de ter feito?” Ou: “Como você pode fazer tudo isso que eu falo mas não faço?”

Quer dizer: as fofocas denunciam perfeitamente aquilo que o sujeito gostaria de fazer e não faz. E quanto mais frustrações identifica, mais raiva sentirá diante de alguém que teve a coragem e a determinação que ele não teve – por temor ou por preguiça.

E, assim, perde muito tempo se preocupando com o que os outros fazem (e que gostaria de ter feito) no lugar de descobrir aquilo que realmente deseja/consegue/pode fazer a partir das suas habilidades e dos seus genuínos talentos.

Por isto, então, é que todos aqueles que assumirem atitudes inovadoras e construtivas (além de produtivas) correrão o risco de terem de lidar com maledicências, mentiras e ciúmes ad infinitum. Este é o preço que cabe a quem tiver coragem para genuinamente ser neste mundo de aparências, engodos e fraquezas.

E insistir é uma boa estratégia?

Bem… é ver para crer!

Mas, com certeza, é possível viver muito melhor praticando alguns “sincericídios” do que convivendo com gente superficial, fraca e insuportavelmente falsa.

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