PORQUE DETESTO WOODY ALLEN

Imagem Movimento Criança Chorando 1

“Ele disse eu tenho um presente,
Vem comigo que eu vou te mostrar.
Ele disse: Isso é só entre a gente
E não é pra ninguém escutar.
Eu não vou fazer nada de errado, eu te juro.

Vem aqui, vamos nos conhecer.
Vem aqui, fica aqui do meu lado, no escuro,
Eu prometo cuidar de você.

Não sou eu mais em mim,
Não sou eu mais,
Sou…”

 

In: Pedofilia – de Titãs

 

 

Não gosto de Woody Allen pelo mesmo motivo que me fez nunca mais querer assistir a nenhum de seus filmes.

Porque escolhi acreditar na sua filha adotiva, Dylan Farrow, assim como, há muitos anos, escolho acreditar em todas as vítimas de pedofilia que conheço e ouço, tanto profissionalmente quanto de maneira informal ou, mesmo, pessoal.

O diretor de cinema Woody Allen estava casado com a atriz Mia Farrow, quando conheceu uma de suas filhas adotivas, Soon-Yi Previn, de 10 anos de idade. O relacionamento do casal terminou alguns anos depois, precisamente quando ela encontrou fotos eróticas da menina entre as coisas do companheiro.

Passado algum tempo, foi a vez da filha adotada por ambos, Dylan, relatar que Woody Allen a molestara aos sete anos de idade, se comportando, diante dela, de forma inadequada e tocando-a de maneira abusiva.

Acredito nela porque é totalmente apoiada pelos irmãos Matthew Previn, Sascha Previn, Fletcher Previn, Daisy Previn, Isaiah Farrow, Quincy Farrow e Ronan Farrow (este, o único filho biológico de Allen).

Possuo a profunda convicção de que ninguém mantém uma história fantasiosa envolvendo abuso sexual porque, antes de mais nada, ao divulgar sua tragédia, a vítima se torna duplamente exposta, atingida e ultrajada. E isto é extremamente doloroso, acredite.

E quem são estes predadores?

Todos eles, via de regra, exercitam uma espécie pérfida de poder que os excita. Estes que vamos descrever a seguir, são homens muito ricos, famosos e influentes (justamente por serem muito ricos, é claro). Todo este ‘caldo’, mergulhado num espaço carente de qualidades humanas mais edificantes, os transforma em, digamos assim, tipinhos ‘sedutores’. Ainda que sejam grotescos, bizarros, repulsivos e, muitas vezes, desprovidos de qualquer tipo de encanto.

Para entender a imagem, basta olhar para a estranha e mundialmente conhecida figura do molestador de Dylan.

Tudo indica que tal ‘poder’ nutre neles a sensação de que conseguirão alcançar tudo o que desejarem, por mais baixo e torpe que seja, sem nenhum limite, e de que jamais serão descobertos. Acreditam que se forem pegos, poderão se comportar como o personagem central do filme Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, um clássico de 1970. Assista. Vale a pena.

Sabem que escondem um segredo que precisam manter sob sete chaves.

Eles são pedófilos. Logo, destrutivos por natureza.

Evidentemente, quando acusados, os pedófilos negam veementemente seus crimes. Costumam acusar suas vítimas, insinuando que elas é que desejaram os abusos ou os provocaram.

O pedófilo é sempre um ser abjeto, tanto no infame ato praticado quanto na pretensa defesa que faz de si mesmo.

Woody Allen se defendeu alegando que a ex-mulher teria ‘feito a cabeça’ da filha – mesmo que a jovem hoje, aos 34 anos de idade, mantenha a acusação.

Anos depois desta denúncia, da qual saiu ileso, outra parte do iceberg da pedofilia que alcança pessoas poderosas, no pior sentido, foi desvelada com a prisão do bilionário norte-americano Jeffrey Epstein, dono de uma espécie de ‘pirâmide sexual’ envolvendo este tipo de criaturas.

Jeffrey Epstein era amigo de Woody Allen e fizeram várias aparições juntos ao longo dos anos. 

Babi Christina Engelhardt, ex-assistente pessoal de Epstein, afirmou que ela e Allen tiveram um relacionamento secreto durante oito anos – desde quando ela tinha 16 anos – e que ele o teria descaradamente retratado em seu filme Manhattan, de 1979.

Considerado um estuprador e pedófilo, criminoso bajulado nos meios sociais e acadêmicos restritos da burguesia norte-americana, Epstein foi acusado de ter brutalizado centenas de meninas e jovens mulheres. Algumas com 12 anos de idade!

Foi no centro da lama destas ‘elites’ de Nova York, Hollywood, Palm Beach, Paris e Londres, entre outras,  que Jeffrey Epstein floresceu impunemente. Por décadas, pessoas importantes, influentes e pretensamente ‘sérias’ compareceram aos seus concorridos jantares, usaram seus aviões particulares e foram fotografadas, com orgulho, ao seu lado.

Todos conseguiam algo em troca. Desde uma carona grátis no inominável Lolita Express ou alguma outra forma de generosidade monetária, boca-livre nas extravagantes festas de celebridades que ele patrocinava em suas mansões, ou certos tipos de ‘investimentos’.

Dentre seus famosos e influentes amigos estava Bill Clinton, que o definia como um ‘financiador de grande sucesso e um filantropo comprometido’. E Donald Trump que, em 2002, afirmou conhecê-lo há 15 anos e ser ele um cara muito divertido e com uma vida social notável.

O príncipe Andrew (aquele mesmo, filho da rainha Elizabeth da Inglaterra) era amigo pessoal de longa data de Epstein – que lhe oferecia  agitados banquetes em Manhattan – e foi diretamente acusado de fazer sexo com pelo menos uma menina menor de idade que afirmou ter sido forçada a participar de uma orgia com ele e outras garotas.

Documentos obtidos pelo New York Times, mostraram que o bilionário cofundador da Microsoft, Bill Gates, manteve uma relação muito próxima com ele.

Outro amigo, o conhecido professor de direito de Harvard, defensor, dentre outros, de OJ Simpson, Alan Dershowitz, foi acusado, por duas diferentes jovens, de estupro.

A mulher que fingia ser a namorada de Epsteisn, Ghislaine Maxwell, era, na verdade, quem recrutava as adolescentes que seriam tratadas como escravas sexuais

Todos os ricos envolvidos, claro, seguem negando as acusações.

Outro ‘amigão’  foi o bilionário Leslie Wexner, CEO de 82 anos da L Brands, dono da Victoria’s Secret e da Bath & Body Works, proprietário anterior da luxuosa mansão da 71st Street, onde foram cometidas muitas destas violências e onde a polícia encontrou farta pornografia infantil.

Tom Barrack, conselheiro sênior da campanha de Trump, também participava da ‘trupe’.

Mort Zuckerman, o magnata da mídia, bilionário, também investiu milhões em Epstein. 

Larry Summers, o ex-presidente da tão falada universidade Harvard e secretário do Tesouro do governo Clinton, recebeu de Epstein a doação de US$ 30 milhões pelo Programa Epstein de Biologia Matemática e Dinâmica Evolucionária. Este homem também apareceu nos registros de voos do “Lolita Express”.

Lawrence Krauss, um físico teórico que se aposentou da Arizona State University em 2018, após várias alegações de má conduta sexual. Epstein foi um dos seus principais doadores e, juntos, sediaram uma conferência de ganhadores do Prêmio Nobel nas Ilhas Virgens Americanas, em 2012.  

Steven Pinker, famoso professor de psicologia de Harvard, também pegou carona no “Lolita Express”.

Harvey Weinstein, produtor de filmes acusado de agressão sexual por várias mulheres, e que deve será julgado por cinco acusações de agressão sexual, incluindo estupro, era convidado às festas da casa de Epstein, na França.

Kevin Spacey, outro conhecido ator processado por abuso de menor, também frequentou este Jet Set.

Entendam que esta desprezível lista é tão impressionante quanto extensa.

A jornalista Vicky Ward, que escreveu o perfil de Epstein na Vanity Fair, disse o seguinte:

“Você tem a sensação de que os amigos dele não eram amigos de verdade – eram propriedades dele – já que ele era o tipo de homem que coletava informações sobre as pessoas e depois as usava.”

Talvez por isso tenha sido ‘suicidado’ enquanto aguardava julgamento, em sua cela, dentro de uma prisão em Manhattan, Nova York, em agosto de 2019. Antes que fossem reveladas as violações que praticava e os nomes de seus cúmplices. Antes que todas as fotos e provas fossem mostradas.

Uma morte conveniente, como tantas.

Um recente livro, do jornalista Dylan Howard, afirma que Jeffrey Epstein trabalhava para o Mossad – serviço secreto do Estado de Israel – chantageando políticos. Daí teria ‘nascido’ sua fortuna.

Por tudo isto, acredito em cada uma das mulheres que expuseram seus rostos para denunciar tudo o que sofreram e que, provavelmente, permanecerão suportando vida afora.

Acredito nestas vítimas. E acredito que Dylan Farrow disse e continuará dizendo a verdade até o fim de seus dias.

Jeffrey Epstein: Poder e Perversãohttps://www.netflix.com/br/Title/80224905

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3 pensamentos sobre “PORQUE DETESTO WOODY ALLEN

  1. Pessoas podres, seres desprezíveis são esses ditos magnatas, donos de verdadeiros impérios econômicos. Cadeia neles, de preferência, definitivamente!

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