PAIS ABUSIVOS: VOCÊ CONHECE MUITOS.

Imagem Movimento Simpson 3

“Crianças, iguais são seus deveres e direitos.
Crianças, viver sem preconceito é bem melhor.
Crianças, a infância não demora, logo, logo vai passar,
Vamos todos juntos brincar.

In: Direitos e Deveres – de Toquinho

 

Durante esta última semana, algumas pessoas me enviaram imagens de um canal brasileiro, que ficou no centro de uma polêmica envolvendo abuso infantil.

Trata-se de uma garotinha que, aparentemente, começou a fazer sucesso no Youtube aos seis anos de idade e que, neste momento, prestes a completar 14 anos, vê desvelado o papel da mãe como uma possível manipuladora emocional, tanto dela quanto da irmã mais nova.

Confesso que cheguei a ver partes de alguns destes vídeos, mas não consegui prosseguir. 

Penso não ter mais estômago para este tipo de coisa. Talvez porque me façam recordar de vários outros indefesos personagens mirins que, impunemente, seguem sendo publicamente expostos de maneira abusiva – e pelos próprios pais. Aqui e no restante do mundo os exemplos destes youtubers se multiplicam extraordinariamente. 

Como é possível que crianças, ingênuas e desprotegidas, sofram esta forma tão terrível de exposição?

Parece que, para alguns casais, basta ter um filho para que se sintam donos de uma vida e, assim, de uma imagem, que não a sua. E, então, que se dane a infância perdida!

É bastante provável que estes mesmos ‘responsáveis’ desejem, no fundo, garantir seu futuro financeiro. Para se constatar isto, basta procurar no Youtube ou no Instagram. Ali, crianças são filmadas e fotografadas das mais diversas formas, em inacreditáveis situações de intimidade, sem os necessários filtros do cuidado que qualquer responsável deveria ser obrigado a ter.

Os tais oportunistas vão de modelos, atrizes, atores, apresentadoras, chef’s (todos estes desempregados ou não), até gente em qualquer situação menos visível, doidos para arranjar um jeito de ganhar a vida fácil, através da projeção enfadonha de um dia a dia que não deveria interessar a mais ninguém – além deles mesmos.

Concursos de belezas onde mães, indiscutivelmente frustradas e ensandecidas, colocam meninas para desfilarem feito miniaturas bizarras de mulheres adultas, ou pais que investem numa pretensa carreira da filha como ‘funkeira’ aos 4 anos de idade!

Parece que vale tudo pelo ‘sucesso’ e, principalmente, pela ‘poupança’, não?

Quem não se lembra do casal de psicopatas, Heather e Michael Martin, donos do infame canal DaddyOFive, que foi condenado em setembro de 2017 por abusar emocional e fisicamente de seus 5 filhos? Estas criaturas os filmavam em situações humilhantes, estimulando a violência entre os irmãos e sem a menor vergonha de exibir o quanto se divertiam diante do desespero das crianças.

O canal tinha MILHÕES de seguidores!

Ou de JonBenét Ramsey, uma garotinha que, aos seis anos de idade, foi estuprada e assassinada, depois de sua mão exibi-la em diversos concursos e campanhas?

Ou da trágica história da saudável Gypsy Rose, cuja mãe – Dee Dee Blanchard – a fazia parecer, desde os seus 3 anos de idade, extremamente doente e vulnerável. O objetivo era angariar simpatia, solidariedade e, principalmente, muito dinheiro das centenas de pessoas que se compadeciam com o sofrimento da menina.

O sofrimento imposto pela genitora (envolvendo uso sistemático de medicações pesadas contra doenças fictícias, extração de dentes saudáveis, imposição do uso desnecessário de cadeira de rodas por anos, dentre outras torturas) foi tamanho que Gypsy, ao completar 18 anos, compreendendo a dimensão da maldade da mãe, resolveu matá-la e hoje cumpre uma pena de prisão perpétua.

Ou do caso de Kaylene Bowen, de 34 anos, que foi presa por causar danos graves ao filho, Christopher, de 8 anos, após ter inventado uma doença genética e fazê-lo passar por 13 cirurgias desnecessárias.

Conhecida como Síndrome de Munchausen por Procuração, este tipo de comportamento invasivo e danoso apresenta-se quando uma pessoa busca atenção e outros benefícios por meio de doença ou lesão que causa a alguém sob seus cuidados.

Dados dos Serviços de Proteção à Criança refletem um padrão que se repete em todo o mundo. A grande maioria dos autores destes crimes, envolvendo vítimas infantis de maus tratos, são os pais biológicos, e não os pais adotivos como alguém talvez preferisse conceber.

O abuso emocional é basicamente uma violência psicológica. Embora o termo ‘abuso’ muitas vezes faça pensar em abuso físico, o abuso emocional se refere a uma forma mais sutil, ainda que seja, da mesma forma, profundamente traumática.

Envolve pais que fazem com que seus filhos sintam-se inferiores, fracos ou inúteis. Este tipo de comportamento além de lesivo é, especialmente, doloroso, uma vez que, culturalmente, filhos necessitam confiar em seus responsáveis, assim como acreditar que serão por eles incondicionalmente amados. Só que não é assim que acontece, nestes casos – que são muito mais comuns do que se imagina.

Se você teve ou tem pais emocionalmente abusivos, é quase certo que tanto sua vida, quanto seus relacionamentos interpessoais e amorosos, serão profundamente afetados por esta experiência.

Alguns sinais podem servir como indicadores deste tipo de pais que, geralmente, apresentam a maior partes das atitudes descritas logo abaixo.

Vale a pena pensar acerca deles a fim de entender se você foi ou é ainda vítima desta situação ou se conhece alguém que passe por isto, sem perceber.

Pais abusadores quase sempre:

1. Demonstram mau humor exagerado (como olhares duros e voz ríspida);

2. São críticos e negativos em relação a você (adoram repetir: “você faz tudo errado!”);

3. Invalidam suas emoções (usando expressões como: “você é sensível demais!”);

4. São do tipo passivo-agressivos (parecem bárbaros por fora, mas por dentro…);

5. São excessivamente ansiosos (porque, no fundo, dependem da dependência dos filhos);

6. Culpam você por tudo (pela bagunça da casa, pela falta de dinheiro, pela irritação deles, etc.);

7. São claramente exploradores (acham normal sacrificar os filhos para satisfazer suas frustrações);

8. Dispensam um tratamento silencioso (são, muitas vezes, bem infantis; quando não faz o que desejam, eles ignoram você);

9. Na maior parte das vezes estão fisicamente presentes, mas emocionalmente ausentes (denotam hostilidade e não se importam com os filhos verdadeiramente);

10. Se envolvem exageradamente com a vida dos filhos (vasculham tudo e não permitem nenhum tipo de privacidade).

Os resultados?

Estes filhos invariavelmente se culparão pelo mau comportamento das pessoas com as quais irão se relacionar na vida adulta; como tiveram de aturar maus tratos na infância, acreditam que sejam merecedores deles. Muitos deles exibirão comportamentos autodestrutivos, como dependência química, automutilação, promiscuidade sexual, etc.

Até que compreendam os danos que sofreram, permanecerão temendo a reação dos pais diante da maioria de suas decisões. Estes filhos também aceitarão, sem qualquer limite, atitudes destrutivas dos que os rodeiam e vivenciarão relacionamentos tóxicos onde sofrerão, de novo, manipulações e abusos.

Um dia estes filhos descobrirão que podem sentir raiva destes pais. E que têm o direito de não amá-los e de não se importarem com eles.

Vão entender que relações abusivas ocorrem em convivências que – no âmbito reservado, público ou familiar – se sustentam através do exercício de controle, manipulação, desrespeito e até violência.

E vamos deixar de compactuar com estes canais e redes que exploram menores, simplesmente deixando de segui-los. Nossas crianças agradecem.

Acompanhe os novos textos através do: http://www.facebook.com/aheloisalima

E, se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

2 pensamentos sobre “PAIS ABUSIVOS: VOCÊ CONHECE MUITOS.

  1. Bastou eu ver 2 minutos do vídeo, e fiquei enojado com a atitude que essa mãe dava a Bel. Importante denunciar essa maluca ao Conselho Tutelar!

Deixe uma resposta para Arnaldo Danciuc Cancelar resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s