SOBRE AMOR E SOLIDARIEDADE

Imagem Movimento Coração sendo passados

“Quem me dera te dar, quem me dera,
Bons ventos e brisas.
Quem me dera te dar, quem me dera,
Se tanto precisas.

Te dar jeito, te encher de motivos,
Te dar mais valia,
Te dar corda, te encher de amigos,
Te dar alegria.”

In: Quem Me Dera – de Ivan Lins

 

Você já reparou como pessoas odiosas, desprovidas de empatia, de amor e de afeto, andam adorando se exibir publicamente, sem a menor vergonha na cara?

Percebeu como essa gente horrível se diverte dando entrevistas, fazendo lives, gravando vídeos, além de escrever nas redes sociais, com total e perverso orgulho, a fim de destilar sua falta de noção e arrogância?

Falam da morte e da economia como se fossem meros sinônimos. Descrevem os terrores da atual pandemia como capítulos de uma novela tragicômica. Não ligam a mínima para nada além dos seus próprios interesses. Não se importam com ninguém.

São cínicos e desumanos. São psicopatas.

Não devem ser considerados e, sim, afastados do nosso convívio o quanto antes, porque estão absolutamente cientes do fato de que jamais amarão, de que nunca terão qualquer compaixão verdadeira por nenhum ser – a não ser que precisem fingir estes sentimentos. E sabem ser bons atores nestes papéis.

Por isto é que não nos interessam do ponto de vista humano, porque nem humanos podem ser considerados, afinal.

Enfim, a verdade é que este texto NÃO É DESTINADO A ESSE TIPO DE CRIATURA. Não mesmo.

Ele foi produzido para que a gente pense mais sobre nossa capacidade de amar, sobre o solo de solidariedade que somos capazes de produzir, sobre esperança de uma vida melhor para todos – e não apenas para alguns.

Porque, decididamente, estamos diante da possibilidade de criar um mundo totalmente diferente dessa existência caótica e brutal que agora chamamos de vida.

Para tanto, precisamos deixar o amor acontecer.

E é por isto que gosto de escrever sobre como vejo o amor desabrochando. Alguns dão com os ombros duvidando, com alguma razão, das minhas teses e saem-se logo com um ‘Ih… psicólogo inventa cada coisa!’ Outros, menos desconfiados, prestam atenção e até procuram encontrar algum sentido no que digo. Mas, de modo geral, o tema provoca interesse e, via de regra, muitos e mal disfarçados suspiros.

De alguma forma, minhas teses são forjadas a partir das histórias que escuto, acompanho e vivencio. Pedacinhos roubados de narrativas alheias e das minhas próprias vivências, que me ajudam a compor esta maravilhosa colcha de retalhos em que se constitui a magnífica e singular experiência humana.

Teço-a, portanto, com todo o carinho de que disponho e com extremo desvelo. Reconheço cada parte como fragmento expressivo das histórias, únicas e extraordinárias, que me são confiadas e das quais tiro o que de melhor posso captar no sentido de absorver e, lentamente, tentar compreender.

E, então, o amor acontece.

A cada instante e em todos os lugares. E se revela no olhar interessado que dirigimos ao interlocutor, na mão que estendemos para auxiliar quem precisa atravessar um obstáculo real ou imaginário, no abraço apertado, no beijo e no contato amável.

Mas o amor – aquele indomável e magnífico sentimento raro, que nos faz acordar no meio da noite com vontade de conversar sobre coisas tolas só para sentir confirmada a existência daquele que, decididamente, tornou-se indispensável para a nossa antes tão solitária trajetória – só acontece quando encontramos disponíveis para amar.

Ou quando resolvemos abrir a pesada porta do quarto escuro por trás da qual se esconde o nosso medo de arriscar.

E aqui reside minha teoria central: a gente decide quando e como amar. Não é o amor que determina quando vai nos capturar.

O que percebo, a todo o momento e em cada lugar para onde me disponho a dirigir um olhar livre de julgamentos, é a sincera vontade de partilhar a vida, de seguir adiante junto de alguém significativo o bastante para merecer se aproximar daquilo que trazemos de mais valioso: nossa história mais íntima e legítima.

E não existem fórmulas seguras ou perfeitas para identificar quem, de maneira promissora, possua a chance de vir a ser um bom companheiro de viagem. Mas existe uma pista que, invariavelmente, nunca falha: ache uma pessoa com a qual você goste de conversar muito e a toda hora. Com quem o exercício de dividir experiências se torne a melhor parte do dia. Se, junto a ela, qualquer assunto vale a pena ser debatido, mesmo que partilhado a partir de pontos de vistas muito diferentes, você tirou a sorte grande.

Está diante de um grande parceiro de jornada.

Quando o ouvir e o falar forem experiências tão gratificantes como segurar mãos quentinhas no exato momento em que sente muito frio, então, você deve estar bem perto de alguém de fato muito especial.

E se, depois de algum tempo de relacionamento (vivendo juntos ou em espaços separados), os problemas de seu parceiro já se incorporaram aos seus, tornando aquele monte de meu e seu em um simples e superlativo nosso, então este admirável cúmplice, definitivamente, já faz parte da sua vida. E você parte da dele.

Porque amar implica estar acessível para uma produção conjunta e criativa, capaz da alquimia de transformar coisas velhas, recrudescidas e, aparentemente, imutáveis em algo potencialmente novo, original e surpreendente. O bom-amor transforma o amado e o amante e converte as pequenas experiências banais e cotidianas em grandes e inesquecíveis eventos.

Cada um entra com o que tem de melhor. Se eu toco violão e você canta, podemos compor uma bela canção. Se eu desenho e você escreve, posso ilustrar seu livro e você comentar o meu. Um olha para o outro com genuíno interesse, imaginando o que pode fazer para torná-lo mais feliz. Se antecipa, considera, ampara e cura as feridas. As diferenças, os inescapáveis conflitos, precisam ser tratados com carinho e, sobretudo, honestidade.

Não vale fingir que tolera, que compreende ou aceita. Não cabem deslealdades como não bancar brigas produtivas – sim, elas existem! – que só podem ser travadas entre pessoas que mantêm laços de confiança e apreço. Parece difícil, mas quando existe o desejo sincero, essas coisas simplesmente fluem da intenção para o gesto. Daí, você sai do lugar-comum, onde todos somos números e meras presenças, para um lugar de destaque no centro da festa.

Deixamos de ser unos para nos tornarmos plurais. De monocromáticos passamos a reproduzir cores que antes não sabíamos possuir. E, com alegria, vemos nossa caixinha de lápis se encher de cor e abandonamos, finalmente, o preto e cinza que encobriam nossa solidão. De simples nos tornamos complexos e tudo ganha um gosto infinitamente melhor.

Uma vida, então, não vale a pena ser vivida se não experimentarmos a doçura e a maciez do contato amoroso. Único e perfeito posto que humano.

Então… que tal permitir um grande amor na sua vida? Mesmo que dure só enquanto permaneça a chama do encanto? Ou que resista por séculos como nos contam as lendas?

Experimentar este bálsamo através de um ou de vários amores, pouco importa. O estado amoroso nos torna melhores e mais generosos. E não só é um indiscutível e poderoso estímulo para nosso sistema imunológico como, acima de tudo, torna a vida muito mais colorida e saborosa.

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E, se desejar, envie seus comentários para: psicologaheloisalima@gmail.com

 

 

2 pensamentos sobre “SOBRE AMOR E SOLIDARIEDADE

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