ATÉ QUANDO O MAL SERÁ BANALIZADO?

Imagem Movimento Hiroshima 3

“Pensem nas crianças
Mudas telepáticas…
Pensem nas meninas
Cegas inexatas…
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas…,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.”

In: Rosa de Hiroshima – de Vinícius de Moraes

 

 

Nos últimos dias, protagonizando uma absurda ação de pirataria moderna, o governo norte-americano desviou uma carga contendo milhões de máscaras que seriam utilizadas pela França para combater a atual pandemia de Coronavírus.

Não contente com isto, fez o mesmo com centenas de respiradores que deveriam ser entregues ao Brasil.

Diferente do que é insistentemente cultivado por filmes e séries que produzem, os americanos estão muito longe dos salvadores ou heróis do mundo que pretendem parecer.

Donos de uma economia combalida, tornaram-se, há tempos, uma mera sombra do poder que ainda tentam aparentar.

Desta forma, é triste conceber que nunca, no mundo e, especialmente, no Brasil, se viu tanta perversidade tomando forma e sendo livremente exercida e – o que é pior – amplamente tolerada.

Seres desumanizados destruindo seres humanos como se fosse isto algo banal.

O homem perverso parece ter encontrado seu ‘lugar’.

E como entender o que isto significa se não reconhecermos que estamos a um passo de vivermos absolutamente sob o domínio deste mal?

Para tanto, gostaria de apresentar-lhes uma passagem histórica exemplar.

Em abril de 1945, a Alemanha era uma nação em colapso por conta da guerra que promovia desde 1939. Os soviéticos estavam cada vez mais perto de Berlim e, à medida que se aproximavam, a raiva em relação aos alemães aumentava. A resistência militar alemã contra a ofensiva soviética estava desorganizada e comprimida.

Diante dos enormes combates, a população civil alemã, em pânico, tentava fugir utilizando os trens da cidade. As centenas de milhares que não conseguiram, abrigaram-se nesta área subterrânea.

Vários soldados nazistas, em fuga, decidiram também descer pelas linhas de trem, para o meio dos civis desesperados. No dia 16 de abril, os combates chegam a região do metrô de Berlim, onde estavam tanto os soldados quanto os civis refugiados.

Ao saber que o combates chegariam aos subterrâneos, Adolf Hitler, dentro da segurança de seu abrigo subterrâneo inviolável (Bunker), ordenou ao seu departamento de engenharia que abrisse as comportas do Rio Spree para que as galerias do metropolitano fossem inundadas. Um de seus subordinados, alarmou-se: “– Mas, fuhrer, isso vai afogar a população que lá está se protegendo da luta.

A resposta da besta foi digna e ajustada à sua história de vida cruel e maldita:

O povo alemão perdeu; não merece sobreviver ao seu fuhrer.”

As comportas foram abertas e milhares de berlinenses morreram afogados. Ante a terrível catástrofe, os soldados soviéticos e alemães, imediatamente, cessaram a luta e passaram a socorrer lado a lado o povo desesperado, o que diminuiu significativamente o alcance da tragédia.

Em sua agenda, um oficial da divisão SS Müncheberg descreveu a inundação:

Novo posto de comando: estação de metrô de Anhalter. Plataformas e salas de controle parecem um acampamento. Mulheres e crianças acotovelam-se pelos cantos. Outros sentam-se em espreguiçadeiras. Todos ouvem os sons da batalha. De repente, a água começa a verter para a estação. Pessoas lutando em torno das escadas para subir até a rua. Crianças e feridos são abandonados e pisoteados até à morte. A água subiu três metros ou mais e depois começou a descer devagar. O pânico durou horas. Muitos se afogaram. Motivo: Sob as ordens de alguém, engenheiros impediram a vazão do canal entre as pontes de Schoeneburg e Mockern para inundar o túnel do metrô e impedir o avanço russo. Entretanto violentos combates aconteceram no nível da rua e não no subsolo. Mudar de posição para o metrô de Potsdamer Platz ao final da tarde. Posto de comando no primeiro andar, como túneis ainda debaixo de água. Muitos feridos entre os civis. Uma visão horrível: homens, soldados, mulheres e crianças estavam literalmente colados à parede.

Muda o cenário, mudam os personagens, mas permanece o princípio da psicopatia. Abrindo as comportas, a besta que hoje domina o planeta proclama: “a humanidade perdeu; não merece sobreviver ao seu dono“.

Diante deste cenário, a humanidade precisa se unir, como fizeram os soldados alemães e soviéticos naquele momento. Porque o narcisista perverso é completamente desprovido de empatia e, portanto, precisa ser aniquilado e retirado do lugar – que para si usurpou – para que os seres humanos possam sobreviver em busca de alguma paz.

São como os nazistas. Pensem no que eles fizeram para obter o que desejavam e quantas pessoas os defenderam. Apesar do inominável Holocausto.

Pensem nos nazistas. Mas também pensem nos jovens de Hiroshima e em quem foi capaz de sobre eles atirar uma Bomba Atômica. Pensem em quem fabrica o Napalm que cola na pele para incendiar pessoas como fizeram no Vietnã. E fazem hoje na Síria. Pensem nas crianças palestinas da Faixa de Gaza queimadas pelo Fósforo Branco lançado pelo Exército de Israel. E pensem em quem ganha dinheiro vendendo armas que precisam de guerras para serem ‘úteis’. Pensem muito nisto antes que seja tarde demais para todos nós.

Porque o carrasco não tem personalidade. Ele forja máscaras com as alterações necessárias, muitas vezes dotadas de inteligência maquiavélica, permitindo-lhes desenvolver armadilhas muito sutis.

Importante que se tome cuidado de sua aparência atraente. O narcisista perverso é um vampiro que suga a substância vital das vítimas para destruí-las.

Mas, afinal, como reconhecer um perverso?

A palavra perverso vem do Latim PERVERTERE, levar ao caminho errado, corromper. De PER, totalmente e de VERTERE, virar. Perversão é outra palavra derivada da mesma raiz.

O psiquiatra e psicanalista francês Paul-Claude Racamier esclarece:

Perversão narcisista é uma espécie de luta interna que se organiza a fim de retirar, das próprias costas, contradições pessoais projetando-as nos outros – que se transformarão em vítimas. Ela não só é acompanhada pela ausência de remorso, mas também por um profundo prazer.

Geralmente envolve indivíduos em posições de poder que crescem (por conta de circunstâncias sócio-financeiras) dentro desta condição de privilégios e que se acostumaram a menosprezar os outros e, desta forma, aprenderam a evitar qualquer conflito interno, concentrando nos demais a responsabilidade sobre o que praticam.

Pessoas forjadas não na realidade da vida, mas na fantasia de vantagens incomuns à maioria.

O manipulador é um enganador que faz de você um dependente que ele, no fundo, despreza, estabelecendo relacionamentos baseados no ‘poder’ e na força bruta, desconfiança, dominação e terror.

Eles projetam toda a sua violência interna sobre quem os poderia desmascarar ou fazê-los parecer fracos. O narcisista sente um perverso prazer em demolir qualquer rastro possível de segurança na identidade da vítima.

A sede de PODER (o poder absoluto dentro da sua fantasia) é a força motriz de todos os pervertidos narcisistas que não hesitam em usar o outro. Eles também estão dispostos a mentir sem escrúpulos para salvar sua imagem, para disfarçar os fatos, para esconder suas falhas e fraquezas.

Você deve saber que o narcisista perverso é alguém que usa a relação profissional, familiar, acadêmica ou amorosa para subjugar o outro. Podem ser encontrados entre chefes de Estado, políticos, militares, juízes, médicos, professores, religiosos, gestores, ou seja, dentro de numa lista enorme de atividades humanas que envolvem algum tipo de ‘poder’. Porque para esmagar alguém é preciso criar algum tipo de vínculo desvinculado de qualquer afeto, já que ele não se afeta de verdade.

Ou você já viu um governador morando na mesma vila que seus eleitores? Um prefeito entrando na mesma sala de consulta do orador da sua cidade? Filhos de deputados que estudam nas escolas que eles ajudam a tornar precárias?

Afinal, o outro é ‘menos’, é ‘inferior’, é ‘nada’ diante deste tipo de personalidade.
A perversão é o mais claro certificado do que entendemos como ódio. E apenas numa sociedade fraterna ela não teria como despontar.

O mecanismo inconsciente de perversão narcisista serve, portanto, para reproduzir a imagem do outro integrada as minhas necessidades. Como se registrasse:

O outro existe para me servir, para ser por mim e para mim, porque sou superior e único diante dele. Vou usar o outro para conseguir o que quero e o que tenho direito porque sou maior e melhor e vou fazer com que minha vítima se sinta culpada, inferior, submissa, sem forças ou esperanças e, acima de tudo, sem condições de obter sua independência.”

Depois disto, pensem com quantos Adolph Hitler convivemos sem ao menos reconhecê-los e como isto pode ser perigoso para todos nós.

E, se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

4 pensamentos sobre “ATÉ QUANDO O MAL SERÁ BANALIZADO?

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