PARA ACALMAR SEU MEDO DA MORTE

Imagem Movimento Aves Voando

Estamos na mesma rua, da rua onde você mora.
Eles mutilaram seu corpo e mataram seu cérebro,
O que mais eles poderiam fazer? Eles empilharam a dor,
Mas sua alma não está lá onde deveria estar.
Nos últimos cinquenta anos, eles procuraram por isso.

Liberdade, oh liberdade. Livre de necessidade.
Eu odeio te dizer, senhor, mas apenas homens mortos são livres.
Envie-me um pouco de amor; não me diga mentiras.
Jogue a arma na sarjeta e siga em frente.
Acorde, pequena Suzie; Vamos passear de carro,
Atravesse o rio Trinity; vamos manter a esperança viva.

In: Murder Most Foul – de Bob Dylan

Olha, não tema. Vamos resistir. Tenha calma. Converse muito com seus pares. Seus familiares. Seus vizinhos. Não caia nas armadilhas fáceis e inúteis. Estamos juntos nessa. Eu, você e todo mundo. Vamos lutar contra essa onda assassina envolvendo desinformação e medo. Somos mais e melhores. Confie em mim que eu me mantenho contigo.

Hoje escolhi um texto que apreciei bastante porque foi escrito por um profissional muito sensível. Fala sobre experimentar não temer a morte a fim de não permitir que este pavor que nos incutem agora nos paralise ou cegue de forma irreversível. Espero que você goste.
“Você já pode ter suportado coisas tão fisicamente difíceis quanto – ou piores do que – morrer.
Um famoso diretor de cinema até brincou: ‘Não tenho medo da morte; só não quero estar lá quando acontecer‘.
Há muitas coisas reais que podem nos preocupar quando contemplamos a possibilidade da nossa própria morte. Talvez a principal delas seja a preocupação sobre como nossos entes queridos, e sobreviventes, irão ficar emocional e materialmente sem nossa presença. Mas muitos de nossos piores temores sobre a morte são bem menos realistas e muito mais baseados em como imaginamos que a morte seja. Este artigo é sobre esses medos infundados.
Na sociedade ocidental moderna, a maioria das pessoas têm pouca experiência direta com a morte e, decididamente, não gostamos de falar sobre o assunto. Nossa sociedade está organizada de tal maneira que os mortos são rapidamente removidos de perto da gente, e as tradições que incentivam a visualização dos mortos o fazem somente após cuidadosa preparação cosmética por agentes funerários especializados, resultando, frequentemente, em mortos que parecem mais uma réplica de modelo de cera da pessoa viva.
A participação de crianças em funerais e cemitérios geralmente não é incentivada, aumentando o sentimento de temido desconhecimento da morte com a qual muitos de nós crescemos.

MEDO DA DOR

Não há razão para esperar que o processo real de morrer seja pior fisicamente do que você ou outras pessoas ainda vivas já experimentaram.
Para a maioria das pessoas, o terror do processo real de morrer provavelmente envolve o medo de dores físicas. Possivelmente também envolva uma incompreensão terrível do processo aparentemente misterioso pelo qual a consciência – que é o nosso ‘eu’ – é extinta ou desaparece.
Vamos lidar primeiro com o medo de uma morte dolorosa. Todos temos medo da dor. Todos nós já tivemos experiências de dor física, alguns mais que outros, e é bem provável que tenhamos testemunhado mais dor e agonia extrema nos outros do que nós mesmos.
Tudo isso nos faz temer a dor.
A dor física surge a partir de danos ao nosso tecido vivo. Como a morte é a destruição final desses tecidos, naturalmente assumimos que a morte deve ser uma experiência dolorosa. Como ninguém que realmente morreu pôde nos dizer como foi ‘fisicamente’, logicamente tentamos imaginar uma resposta.
Mas, de fato, racionalmente e do ponto de vista médico, não há razão específica para supor que a intensidade desta dor (ou de outras formas de desconforto) seja maior que a intensidade da dor de várias doenças e lesões que nós mesmos já podemos ter experimentado, ou da dor que outros sofreram e sobreviveram para nos contar.
Além disso, morrer por si só não envolve necessariamente processos dolorosos – algumas formas de morte são dolorosas e outras não. E muitas lesões agudas são, de fato, mais dolorosas depois (em pessoas que sobrevivem a elas) do que no momento em que foram ocasionadas.
No entanto, para não fugir do tema, certamente muitas das pessoas que sobreviveram a formas mais extremas de lesões ou doenças agonizantes não gostariam de experimentá-las novamente, e algumas ficam psicologicamente traumatizadas pela experiência por muito tempo depois (estamos falando apenas dos piores cenários).
Há muitos motivos para acreditar que a dor e o sofrimento sejam tão ruins, se não piores, para aqueles que sobreviveram a estas situações dolorosas do que para aqueles que morreram. No entanto, mesmo os sobreviventes mais traumatizados, em muitos casos, passaram a viver vidas satisfatórias e são capazes de falar sobre sua experiência.
Portanto, embora desejemos nunca experimentar uma coisa dessas, mesmo nos piores cenários de morte, a dor real em si mesma é algo que certamente pode ser suportado e sobrevivido, como demonstrado por nossos companheiros seres humanos.
A extensão da capacidade humana de suportar o sofrimento é, muitas vezes, muito surpreendente mesmo.
E o que acabamos de falar são os casos mais extremos de dor e sofrimento, não os casos mais comuns.

QUANDO CESSA A CONSCIÊNCIA

E o processo pelo qual nossa consciência e a totalidade de nossa experiência subjetiva terminam abruptamente? A morte, de um ponto de vista biológico, implica na extinção total e absoluta da consciência. Assim, mortos não sentem nada – não mais do que você sentiu, digamos, um ano antes de nascer. Simplesmente não haverá você para criar sentimentos.
E pode ser mesmo difícil para nós imaginarmos que o mundo permanecerá existindo, independentemente de nós mesmos estarmos ali para experimentá-lo.
Como o psicólogo evolucionista Jesse Bering nos lembra: ‘Considere o fato bastante surpreendente de que você nunca saberá que morreu. Você pode sentir-se escapulindo, mas não é como se houvesse um você por perto capaz de verificar se isso realmente aconteceu.’
Há cerca de 2.300 anos, o filósofo grego Epicurus escreveu:
Por que temer a morte quando nunca podemos percebê-la?
O filósofo romano epicurista Lucrécio apontou mais tarde que nosso estado de inexistência pela eternidade após a nossa morte é o mesmo estado da eternidade antes do nascimento.
Além da experiência noturna de adormecer (especialmente sono profundo e sem sonhos), o processo real de perda de consciência devido a lesão ou doença, bem como induzido pela anestesia, repentina ou gradual, é uma experiência que muitos de nós já tivemos.
Não há nenhuma razão para pensar que a experiência de perder temporariamente a consciência é diferente da experiência de perder permanentemente a consciência, em termos de como o processo real será percebido.
As pessoas podem sentir-se perdendo a consciência apenas se for gradual, mas ninguém realmente experimenta a própria inconsciência. De fato, pessoas que foram ressuscitadas depois de tecnicamente mortas por alguns minutos, não descrevem a experiência subjetiva de sua perda de consciência de maneira diferente em comparação com aquelas que perderam a consciência de outras causas transitórias. E por que deveriam?
Portanto, nossa percepção de que o processo de morrer é algo completamente estranho à experiência de qualquer ser humano é realmente equivocada. Temos um bom senso de como é a morte, seja de nossa própria experiência em primeira mão ou de relatos de outras pessoas (relatos de pessoas vivas, sem necessidade de uma sessão espírita!).
Nenhuma crença mágica é necessária neste exercício de verificação da realidade. E uma vez que alguém realmente morreu, estar morto não parece nada, obviamente. Simplesmente porque não há um você para sentir coisa alguma.

AGARRANDO A VIDA NAS MÃOS

A conscientização de nossa mortalidade pode ser um belo e profundo desafio para a nossa autoimagem, que acredita ser uma espécie de ‘entidade’ independente, importante e indispensável para o ‘universo’.
Ou pode nos encher com um senso de preciosidade e fragilidade diante do valor de uma vida. Pode nos inspirar e motivar a viver a vida ao máximo, com a sensação de que não devemos perder nossos dias – experimentar, aprender, crescer, conectar-se e contribuir com aqueles que nos rodeiam e aqueles que seguirão adiante.
Ou, como disse o psiquiatra Irvin D. Yalom, em De Frente Para o Sol: Como Superar o Terror da Morte:
A maneira de valorizar a vida, a maneira de sentir compaixão pelos outros, a maneira de amar qualquer coisa com maior profundidade é estar ciente de que essas experiências estão destinadas a serem perdidas.’
Nossa mortalidade e finitude nos lembram a urgência de viver aqui e agora, com total envolvimento na vida e com dedicação às pessoas ao nosso redor.

Quando a morte vier para nós, que nos encontre entre os vivos.”

Autor: Ralph Lewis, psiquiatra no Sunnybrook Health Sciences Center em Toronto, Canadá; professor no Departamento de Psiquiatria da Universidade de Toronto; consultor de psico-oncologia no Odette Cancer Centre, em Toronto, Canadá.
Letra completa de Bob Dylan:
https://www.upletras.com.br/traducao/bob-dylan-murder-most-foul/

Algumas dicas preciosas para os momentos de medo e angústia:

1. Concentre-se na sua respiração, fazendo exercícios envolvendo inspiração e expiração calma e pausadamente.
2. Feche os olhos e faça silêncio.
3. Evite se aproximar dos ‘gatilhos’ que aumentam sua tensão (internet, televisão, pessoas apavoradas, etc).
4. Faça exercícios físicos.
5. Palavras cruzadas e jogos ajudam também.
6. Tente enfrentar seu pânico compartilhando sentimentos e conversando sobre seus medos com pessoas próximas.
7. Não tenha medo de ter medo. Da mesma forma que ele vem, ele vai embora, acredite.

Se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

2 pensamentos sobre “PARA ACALMAR SEU MEDO DA MORTE

  1. As dicas para os momentos de medo e angústia realmente são importantes para que o ser humano suporte tudo o que a vida nos infringe. Guardemos elas, com sabedoria!

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