TODO ASSÉDIO É UMA TORTURA

Imagem Movimento Bullying 3

Quando está escuro
E ninguém te ouve,
Quando chega a noite
E você pode chorar,
Há uma luz no túnel
Dos desesperados,
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar.”

In: Lanterna dos Afogados – de Os Paralamas do Sucesso

 

O assédio no local de trabalho, da mesma forma que o bullying na escola, se baseia em toda forma de sofrimento, humilhação, perseguição e agressão que uma pessoa (ou um grupo de pessoas) impõe à outra(s). 

Os efeitos desta odiosa prática costumam ser profundos e de longo alcance, e conseguem comprometer a saúde, a carreira e a vida pessoal de suas vítimas.  

Importante frisar que, uma vez que um grande número de chefes são intimidadores, muitos funcionários intimidados sofrem em silêncio.

Esta prática geralmente revela manipuladores sociais ‘qualificados’ – e covardes – que avançam intimidando muita gente.

A verdade é que os agressores, quando atuam dentro de um local de trabalho, podem ser tão hábeis em disfarçar seu comportamento que suas vítimas sequer conseguem discernir o inferno a que são submetidos. No lugar disto, costumam assumir o problema como seu e passam a acreditar que carregam algo de errado dentro de si

Embora existam várias e insanas razões pelas quais os agressores escolhem atingir uma determinada pessoa, seu comportamento geralmente é impulsionado pela necessidade de controlar o indivíduo alvo. Algumas vezes, esses agressores têm fortes habilidades sociais e muita influência dentro da empresa. Como resultado, eles usam esses atributos para dominar outras pessoas.

Muitos destes sujeitos atacam seus colegas de trabalho por pura inveja, por sentirem-se ameaçados pelas realizações alheias ou inseguros sobre suas próprias habilidades. 

O agressor no local de trabalho também quer arruinar a reputação da sua vítima, lançando dúvidas sobre ela e indo da sutil intimidação até a agressão pura e simples.

Na maioria das vezes, estas perseguições não ocorrem em um único ato ou palavra. Ao invés disto, a ação é contínua e sistemática. Este tipo de agressor se concentra no alvo e o ataca várias vezes. 

A marca do assédio moral no local de trabalho é ser um tormento é constante.

Este tipo de ação é praticamente uma regra dentro de um feroz, competitivo e perverso mercado de trabalho.

Do mesmo modo, muitas investidas de cunho claramente sexual são subestimadas e, desta forma, lançadas ao universo da “normalidade”.

Existem evidências dando conta de qual qualidade de ambiente de trabalho tem o poder de promover este comportamento de risco: empresas ou empreendimentos com alta intensidade de trabalho ou horários atípicos e desumanos; que carreguem uma carga emocional significativa; que contribuam para uma baixa autonomia no trabalho; que mantenham um baixo apoio social e onde as relações estejam corrompidas pela falta de respeito e pela competição exacerbada; onde haja ausência de motivação, o que, num conjunto cruel, alimenta uma insuportável insegurança pessoal e/ou socioeconômica.

É fundamental registrar que esta forma de agonia está absolutamente relacionada aos fenômenos de estresse, depressão e ansiedade.

Longe de ser um simples e inocente flerte, assédio sexual uma das modalidades do assédio moral é um ato de violência que devasta a autoestima da vítima.

A realidade é que existe uma gama monumental deste tipo de baixeza no meio profissional porque, infelizmente, alguns abusadores têm muita criatividade.

Existem executivos que sentem orgulham ao afirmar que administram seus empregados através do conflito. Isso significa que incentivam a competitividade esperando obter o ‘máximo’ da energia e do esforço pessoal dos seus funcionários.

Uma recente pesquisa denunciou que mais de um quarto dos indivíduos afirma ter sido vítima de assédio moral e/ou sexual no trabalho.

E, como esperado, 80% dos entrevistados da pesquisa não relatou o assédio aos seus empregadores por medo de perder seus empregos, de ser desacreditado ou de ter, de algum modo, sua carreira afetada por isto.

Toda vez que há uma recessão, uma crise econômica ou insegurança social, as queixas de assédio diminuem, porque as vítimas têm muito medo do desemprego.

Outras vezes, persiste uma falsa sensação de que todos enxergam ‘aquilo’ como uma brincadeira e, por isso, a vítima se sente incapaz de falar por medo de ser marcada como ‘sem senso de humor’, ou  ‘criadora de problemas’.

E o assediador sabe disto. E se aproveita bem da situação, como bom algoz que é.

Nem sempre a obsessão é praticada abertamente. Muitas vezes é bem sutil, sem nenhuma testemunha – o que dificulta a obtenção de evidências.

Os autores são muitas vezes muito mais velhos e mais ‘experientes’ do que as vítimas e, em muitos casos, estão mesmo em uma posição de responsabilidade sobre eles, fazendo a denúncia parecer impossível para aqueles que estão sendo assediados.

Logo, trata-se de um crime quase invisível para o qual é necessário dar visibilidade.

Imaginem o que acontece no Brasil onde este tipo de violação é simplesmente endêmico e corre livre e solto dentro e fora das empresas?

Crucial compreendermos que sofrer assédio sexual é deparar-se com um comportamento erótico indesejado, manifestado ocasional ou repetidamente e que tenha consequências negativas sobre a vítima.

Nas empresas aparece através de contato físico indesejável, tais como toques, apertões, ser roçado por alguém de propósito, etc. Também envolve olhares insistentes e, particularmente, dirigidos às partes íntimas; comentários inadequados de natureza sexual; observações sobre o corpo da vítima ou sua aparência; piadas que menosprezam identidade ou orientação sexual; perguntas íntimas; assobios; solicitação de favores sexuais indesejados; exibição de material pornográfico; etc.

O assédio sexual é a imposição de uma pessoa, de forma reiterada, através de observações ou comportamento de conteúdo sexual que SEMPRE prejudicam dignidade alheia por conta de sua degradante ou humilhante essência e que criam circunstâncias hostis ou ofensivas. É uma perseguição atroz e corrosiva.

Sabe aquela “brincadeirinha inocente”? Nunca é.

As leis aqui no Brasil deveriam amparar as mulheres que são as vítimas majoritárias desta conduta punindo, de maneira concreta, todo ato de assédio quer seja ele cometido por um colega, por um professor, um médico, um diretor,  um superior hierárquico ou um desconhecido.

Diversos países como Argentina, Portugal, Bélgica, Índia, Peru e Reino Unido, dentre outros, já preveem e tipificam este crime e possuem penas bem severas, chegando a prisões de até 7 anos.

Já passou da hora de levarmos o assédio no local de trabalho a sério, ouvir com muita atenção as vítimas e, acima de tudo, colocar a culpa firmemente no lugar que lhe pertence: com o perpetrador do abuso. No mínimo, um criminoso.

E, se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

4 pensamentos sobre “TODO ASSÉDIO É UMA TORTURA

  1. Se entendi, o assédio se configura quando uma (uma em bold) pessoa é ou seria alvo de perseguição, confere? Um grupo inteiro pode ser submetido a assédio? Quando a assertividade cruza a fronteira? Há como “combinar” coisas do tipo “eu falo palavrão” ou cito a biblia como tentativa de equalizar as coisas?

Deixe uma resposta para mariel Cancelar resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s