FELIZ ANO NOVO?

Imagem Movimento Felicidade

“Ligue a vitrola, vamos dançar.
São tantas horas, não importa agora.
Toque uma valsa, um tango,
Ou mesmo um rock’n’roll,
Não tenha pressa, poucas palavras,
Um agrado pra nós dois.
Eu vou sonhar…

In: Feliz Ano Novo de Pato Fu

 

Felicidade é um estado emocional fugaz e capaz de ser transformado e não um aspecto permanente da vida. É a capacidade de sentir prazer ou contentamento em algum momento, dentro de alguma vivência.

A felicidade parece estar justamente na intermediação que fazemos entre as expectativas internalizadas e as condições externas de bem-estar. É uma espécie de confusão de sentimentos intensamente positivos que, provavelmente, seria melhor descrita como uma sensação de “paz” ou de “alegria”.  Ainda que dure alguns breves e inesquecíveis instantes.

Independentemente de como é definida, a felicidade é em parte emocional e, portanto, atrelada ao fato de que os sentimentos de cada indivíduo têm um ponto de ajuste natural, como um termostato, estabelecido através de inúmeras variáveis (genéticas, individuais, vivenciais e sociais).

Desta forma, podemos dizer que os eventos positivos nos dão um impulso que, em pouco tempo, voltam para o ponto de ajuste natural, ou seja, de uma certa homeostase existencial.

A verdadeira felicidade dura um pouco mais do que uma explosão de dopamina. Por isso também é importante pensar nela como algo mais do que apenas emoção. Parte deste “estado” feliz é produto de uma certa aritmética mental e, portanto, pode ser intencional e estratégica

Então, vamos pensar no ano que começa?

Como de costume, no dia 31 de Dezembro, mais uma vez traçamos metas inalcançáveis e fizemos promessas que jamais poderão ser cumpridas. Em ano algum. Dentre elas:

Emagrecer 12 quilos. Voltar a fazer exercícios físicos diariamente. Deixar de beber. Parar de fumar. Trocar de emprego. Visitar o parente idoso com mais frequência. Ter mais tolerância com a sogra. Prestar mais atenção no(a) parceiro(a). Viajar mais. Ir ao cinema uma vez por semana. Ler um livro por mês. Aliás, escrever um livro. Plantar uma árvore e ter um filho pra completar a tradição.

A gente faz estas promessas no silêncio da noite do final de ano ou em meio a algazarra, entre brindes e beijos, sabendo de antemão que não serão honradas nem a curto, nem a médio e muito menos a longo prazo.

Afinal, quem é que pode emagrecer 12 quilos sem nem sequer entender porque é que está 12 quilos acima do peso?  E, por falar nisso, que medida é essa que determina que você deve estar 12 quilos mais magro(a)? De onde veio esta insensata balança?

Daquela modelo longilínea e esquálida, com seus olhos de morcego circundados por enormes cílios negros que lhe cobrem a possibilidade de um olhar mais mundano? Ou a atriz que desesperadamente tenta esconder a idade real, ora usando roupas exageradamente juvenis, ora namorando garotos de corpos chapados? Ou o ‘famoso’ que gasta mundos e fundos em tratamentos e cirurgias plásticas mirabolantes que lhe fazem parecer um grotesco arremedo de si próprio?

Trocar de emprego em 2020? Justo no ano em que, aparentemente, todos os empregos sumirão do mapa, assim como o resquício de segurança que tínhamos?

E vamos combinar que viajar mais, ir ao cinema ou ao teatro semanalmente, jantar fora, entre outras coisas legais, não dependem exclusivamente da nossa vontade ou desejo, mas, acima de tudo, das nossas condições financeiras e materiais, certo?

Ler livros parece uma prática cada vez mais intangível. E escrever um, então? Para grande parte desta estranha geração formada pelos polegares mais ágeis da história da humanidade, largar o celular, o whatsapp, as redes sociais ou a tela do computador para prestar atenção a qualquer outro lugar onde não haja incidência desta faixa de luz que nos hipnotiza, parece tarefa para os deuses – e esses não parecem lá muito animados para tamanho e inútil esforço.

A eventual capacidade de manter promessas poderia até ser considerada a medida do valor de uma pessoa – posto que nós costumamos nos consider “tão bons quanto nossa palavra”.

No entanto, mesmo tendo lutado para manter algumas delas, por vezes nos sentimos fracassados quando não conseguimos fazê-lo.

E por que é tão difícil manter uma promessa?

Promessas são confissões de intenções para grandes e pequenos eventos, que implicam numa ampla gama de variáveis. As promessas exigem que declaremos um objetivo consciente: “amaremos nosso parceiro pelo resto da vida”, por exemplo. Ou: “nunca mais faremos a coisa que a outra pessoa não quer que façamos”. Ou: “sempre faremos o que esperam de nós”.

Mas, normalmente, não temos a mínima consciência da ambivalência que o compromisso declarado representa frente aos nossos desejos mais íntimos – e verdadeiros.

Há um número de razões um tanto óbvias para que as promessas sejam quebradas, incluindo nossos sentimentos e capacidades ou as circunstâncias que evidentemente mudam com o tempo.

O desvanecimento do amor romântico pelo parceiro é emblemático o que antes era, hoje pode não ser mais. A morte de um ente querido, a perda de um emprego, o nascimento de um filho, uma paixão, o adoecimento inesperado, para listar apenas alguns, são eventos que podem mudar nossos sentimentos e comportamentos muitas vezes de maneira radical. Podemos deixar de ter a capacidade ou a vontade de cumprir uma promessa específica ou mesmo não mais termos condições de beneficiarmos os interessados ao fazê-lo.

Então, que tal começarmos pelo mais simples?

O que é que você não tem feito ultimamente e que poderia fazer de pronto, por exemplo, já e agora?

Dar uma caminhada diária, independente do seu peso ou do seu projeto de dieta, não lhe parece algo viável? Visitar aquela tia querida, que lhe dava tanta atenção e carinho na infância, nas últimas sextas-feiras de cada mês, não é fácil?

Desligar o celular durante toda a noite e parte do dia, parece complicado demais? E nos finais de semana, quem sabe? Enviando por mensagem este seu novo intento? Já pensou que bárbaro?

E afastar-se das pessoas sanguessugas? E quem é que não tem algumas orbitando ao seu redor? Aquelas que adoram receber sem nada oferecer – ainda que o finjam fazer?  

Conversar com pessoas inspiradoras, ouvir opiniões diferentes, iniciar um projeto bacana, não seria incrível?

E se propostas servirem, considere ficar alguns dias sem acessar sua rede social virtual. Aquela mesma onde você vasculha e é vasculhado fingindo que não está lá e nem aí com nada. Aposto muitas fichas em como sua vida vai parecer muito mais produtiva e apreciável quando você simplesmente viver em vez de inútil e pretensiosamente se exibir.

Porque não existe nada mais patético do que alguém que precisa mostrar cada pedaço de seus dias para provar que vive…. sua vida! Grande buraco existencial parece ali revelar-se, não? E quem é que não percebe isto?

Ou você acredita mesmo que alguém ainda não notou sua flagrante necessidade de se expor aberta e descaradamente para convencer os demais de que se sente realizado(a) e feliz?

Você terá tempo para descobrir quem é você e qual é o poema que melhor define sua existência agora. E, então, preencher os espaços em branco com afetos reais, com sorrisos largos, abraços demorados e apertados. Realizando coisas belas. Por mais invisíveis que aparentem ser. E mesmo que só você tome ciência delas, pouco importa. Engrandecendo sua existência de dentro para fora – trazendo à tona sua melhor versão. 

E o que temos de mais grandioso reside dentro da gente.

Portanto, prometa que em 2020 largará esta mania de parecer e passará a ser. Verdadeiramente.

E, de verdade também, desejo-lhe um feliz 2020!

Se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

 

Um pensamento sobre “FELIZ ANO NOVO?

  1. Concordo plenamente naquele ponto , de quem diz que é bonito ou feio, ser magro ou gordo, seja lá qual for a teoria apresentada. Sejamos felizes sempre, a nossa maneira!!😁🥂

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