AS APARÊNCIAS SEMPRE ENGANAM

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“As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam;
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na geleira das paixões.
Os corações viram gelo e depois
Não há nada que os degele.
Se a neve cobrindo a pele
Vai esfriando por dentro o ser;
Não há mais forma de se aquecer,
Não há mais tempo de se esquentar,
Não há mais nada pra se fazer,
Se não chorar sob o cobertor.”

In: As Aparências Enganam – de Tunai e Sérgio Natureza

 

 

O sujeito tinha pinta de galã, cara de ‘bom amigo’, sorriso afável no rosto e jeitão de ‘gente do bem’. 

No entanto, por atrás daquele jeito de ‘bom moço’, escondia-se uma criatura horrível, capaz das piores e das mais terríveis atitudes. Um psicopata travestido de pastor evangélico, que atendia pela alcunha de Edy de Jesus.

A instituição, administrada por ele, era chamada de Casa de Recuperação Feminina Jovens Resgate – exclusivamente para mulheres e meninas – e funcionava em uma chácara localizada em Recife. Tratava-se de uma bela edificação que abrigava um verdadeiro inferno, onde mulheres e crianças sofriam todo o tipo de abuso, tortura e agressões.

Lamentavelmente, nenhuma delas teve coragem de denunciá-lo, durante mais de quatro anos, porque temiam os possíveis desdobramentos deste ato além de não perceberem a menor garantia de que poderiam contar com algum tipo de apoio da comunidade ou de quem quer que fosse, pois já não possuíam qualquer suporte familiar.

Desta forma, as jovens preferiram encobrir seu algoz – que seria considerado cidadão de biografia “aparentemente” ilibada – no lugar de perderem o mínimo da identidade que acreditam ter encontrado: um espaço para morar, um lugar para se alimentar e uma cama para dormir. O mais espantoso – ainda – é que a esposa dele é a presidente da tal entidade! Como pode esta criatura nada perceber? Honestamente, duvido muito disto.

As vítimas mudaram apenas o endereço do inferno que são obrigadas a cotidianamente experimentar.

Diante de tamanho impacto, me peguei pensando como seria possível que simplesmente ninguém tivesse até agora percebido a natureza das ações destes indivíduos? Como permaneciam ainda livres e impunes? Como ainda continuam parecendo exatamente o oposto do que, de fato, são?

Quem os acoberta? Como? Porque o faz? E em nome do que e de quem?

Quem deliberadamente tornou-se cúmplice destes crimes simplesmente para não ter o ‘trabalho’ de se opor ou de se comprometer com o que ‘não lhe diz respeito’ pois, afinal, que se dane o outro e ‘antes ele do que eu’ ?

Efetivamente nós não temos muita consciência das verdadeiras causas dos nossos comportamentos. Como também não temos praticamente nenhum acesso aos processos inconscientes que nos inspiram a ‘como entender’, ‘sentir’, ‘agir’ e ‘falar’ em determinados momentos, nos enganamos, muitas vezes, na ilusão de compreender tanto o que nos compele a tomar certas atitudes quanto as razões de alguns pensamentos. Mas basta prestar atenção – na gente e no que nossas atitudes provocam. Deixando-nos afetar pelo outro – e esta, acredite, é a única maneira de desenvolvermos o tão necessário AFETO.

Você já parou para pensar, de verdade, se as coisas sempre são o que parecem? Já refletiu sobre o número de injustiças que são cometidas em nome das aparências que muitos insistem em manter? Já percebeu que quase nunca nos preocupamos em avaliar se a aparência traduz rigorosamente a essência? E que, quando isto não acontece, existe uma enorme probabilidade de tratar-se de desonestidade de quem quer parecer o que não é?

Importa-se com isso ou simplesmente não dá a mínima para os engôdos aos quais estamos todos à mercê?

Portanto, cabe perguntar: até quando continuaremos atrelados a esta silenciosa, dura e impiedosa cadeia? Mesmo sabendo que, estando envolvidos por ela, nada ultrapassará nossa cegueira e, assim, continuaremos fingindo não ver o que está claramente visível assim como tolerar o que sabemos ser inaceitável?

Não tenho qualquer dúvida de que tudo o que nos resta de melhor se chocará contra esta inexorável parede – os sentimentos mais sinceros, as alegrias mais autênticas, as emoções mais genuínas, as dores necessárias, os amores, as grandes paixões.

E muito embora muitos continuem a mostrar apenas o que reflete o vil espelho encobridor, tentando nos convencer de que aquela é a sua real face, sabemos que não é verdade – pois esta se acha justamente do lado oposto ao da imagem refletida, exatamente no lugar onde a voz grita e a pele sangra. Onde se encontra sua mais sombria e inesperada faceta humana.

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