O RESSENTIMENTO É UM VENENO

Imagem Movimento Solidão 6

“Deixe em paz meu coração,
Que ele é um pote até aqui de mágoa.
E qualquer desatenção, faça não,
Pode ser a gota d’água.

In: Gota D’água– de Chico Buarque

Tempos muito difíceis esses que temos vivido. Andamos todos meio que aos trancos e barrancos, entre paus e pedras, e é preciso muito tato, além dos cuidados que antes não nos mobilizavam, para evitarmos sentir ou incitar ódios e mal entendidos.

Não tá fácil não, minha gente.

Afinal, a porteira do desentendimento foi oficialmente aberta há tempos. E quem é que vai dar conta de fechá-la?

O post de hoje fala do enraivecimento e de seus desdobramentos. Desses que nos alcançam sem que a gente, muitas vezes, nem saiba de onde surgiu o petardo.

Aliás, ultimamente, tenho tido muitos contatos com esta (péssima) modalidade de humor. E isto não é nada bom. Acredite.

Não é sequer necessário experimentar um sofrimento extraordinário ou, ainda, ser injustiçado de forma excepcionalmente dolorosa para sentir o impulso forte e aparentemente irreprimível em direção a amolação pura e simples.

Umas vezes, basta apenas uma desatenção involuntária. Outras, uma série de eventos que culminem com desavenças que jamais serão solucionados. Basta isto e mais nada.

Em pouco tempo, uma pessoa pode escolher uma boa e sólida razão para se ressentir com alguém. E a ‘vítima’ pode ser muito próxima. Um membro da família, o cônjuge, o pai ou a mãe, um amigo de longa data. Um personagem com quem parecia ser impossível desenvolver um conflito.

E o que teria causado tamanha amargura? Como estes corações se tornaram tão inutilmente amortecidos?

O ressentimento alimenta a resistência. E a resistência é uma das principais inimigas das relações de afeto. E, mais importante, é um dos principais motivos para que os relacionamentos sejam arruinados.

Trata-se de uma condição que geralmente se desenvolve ao longo do tempo. É imperceptível a princípio, mas com o passar dos dias desenvolve camadas e mais camadas que se avolumam sobre cada decepção.

Indivíduos que são os doadores e raramente os receptores nos relacionamentos são susceptíveis a formar mágoas ao longo do tempo. 

Por que? Provavelmente porque suas necessidades básicas dentro do relacionamento estão sendo ignoradas. Relacionamentos saudáveis ​​são baseados em reciprocidade, em dar e receber. Se você está dando, mas não está tomando nada para si, você está em um relacionamento unilateral. Isso precisa ser resolvido ou a decepção vai arruinar você.

Agora, pense no quanto as raivas e suas raivices podem envenenar nossas existências.

Que raio de veneno é este?

Sim. O ressentimento é como o rancor. E os dois se fundem ao redor de uma raiva muitas vezes negada. Outras vezes, mal disfarçada. Muito embora nem sempre se encontre registrada em nossa consciência, ela está bem ali, vívida, enquanto sensação farta em animosidade e exasperação. Pronta para ser. Preparada para ferir.

O evento que a criou pode ser recente ou passado. Não foi devidamente resolvido nem na prática nem no âmbito da consciência. E ficou como uma nódoa que nunca mais se desfez. Desta maneira, todas as vezes que vestirmos a blusa manchada veremos que ali se encontra a persistente mancha cuja natureza já nos escapa.

Com o ressentimento funcionamos exatamente igual. Torna-se uma marca “viva” que nos impede de aceitar aquilo que nos parece “inaceitável”. Destruir este sentimento seria o mesmo de conceber que o responsável por ele saia “ileso”. Por isso a busca quase incessante pela “vingança”.

Ele é, em muitos casos, uma escolha consciente. Trata-se de uma opção fácil para aquele que escolhe não entender que sua ira poderia ser tratada de uma outra forma muito mais produtiva e sensata. É quase sempre uma experiência emocional que, de algum jeito, desejamos manter intacta. Trancafiada dentro de um baú repleto de mágoas.

Porém, esta emoção continua a nos envenenar e aos nossos “desafetos”. Mesmo que não seja o centro de nossa vida, ocupa um lugar muito importante e é o que nos faz cultivar uma doentia ligação com algo de um passado que poderia (e deveria) ser superado.

Em suma, é possível dizer que o ressentimento serve única e exclusivamente para manter a força de nossa raiva e, acima de tudo, nossa conexão com a experiência que a causou. Mas esta “fidelidade” nos mantém em uma posição vulnerável e potencialmente muito dolorosa. E o mais importante: causa doenças como depressão e câncer – dentre muitas outras mais.

É fundamental saber que apenas o genuíno e sincero contato, temperado com uma colherada extra de boa vontade e indulgência, será capaz de restaurar nossa paz e nos deixar prosseguir a vida com mais alegria e serenidade.

Mais benevolência e amor. Por favor.

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