CUIDE BEM DO AMOR

Imagem Movimento Empatia 1

“Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender.
Quem sente agora está ausente,
Quem chora agora está por fora,
Quem ama agora está na cama doente.
Só corre nunca chega na frente,
Se chega é pra dizer vou embora,
Sorriso não me deixa contente.”

In: Meu Coração – de Arnaldo Antunes

Você sabe qual é a aparência do amor? Conseguiria explicar como simples expressões faciais podem expressar uma das emoções humanas mais complexas ou qual é o segredo desse olhar significativo?

O olhar que dirigimos ao outro, a atenção que lhe dispensamos, sem qualquer vestígio de dúvida, é a primeira manifestação humana do amor e, arriscaria dizer, a mais importante.

A empatia envolve a capacidade de entender emocionalmente o que outra pessoa está experimentando. Essencialmente, é colocá-lo na posição de outra pessoa e sentir o que deve estar sentindo.

Quer saber os indícios que evidenciam que alguém lhe faz bem? Preste muita atenção na alegria do olhar logo acima do sorriso largo estampado no rosto – tanto no seu quanto no de seu interlocutor.

Sabe aquela alegria que resplandece? O olhar que ilumina e cuja ausência deixa tudo ao redor mais vazio e sem graça?

Se você foi capaz de identificar este sinal, tenha certeza de que está diante de uma pessoa que pode representar o oásis dentro da sua existência. E você, o mesmo dentro da dela.

Se os dois olhares se “percebem” profundamente, e com delicadeza, todas as células de nosso corpo participam desta vibração. E, neste momento, se construirá um espaço onde a mais significativa troca de afeto se consolidará de maneira vigorosa e plena. Indispensável para quem deseja plenamente VIVER.

É o que TODOS (com exceção, é claro, dos psicopatas) procuramos: alguém que efetivamente se importe com a gente e por quem seja leve e prazeroso se importar.

Porque, do contrário, o que resta é a ausência de felicidade.

Afinal, ninguém, no fundo, deseja servir de salva-vidas para quem não sabe nadar. Buscamos invariavelmente a alteridade – que implica que um seja capaz de se colocar no lugar do outro (sentindo nisto um sincero e genuíno prazer) para, apenas desta forma, vivenciar uma relação baseada no diálogo e no respeito às eventuais diferenças.

E acredite: não existe interesse unilateral. O verdadeiro e promissor vínculo só se instala quando ele é mútuo e espontâneo.

Por isso, sofrem muito – e perdem seu precioso tempo – aqueles que acreditam que gastando rios de dinheiro com roupas caras, tratamentos estéticos mirabolantes, cirurgias plásticas, academias e métodos de embelezamento que buscam desesperadamente aumentar a distância da morte, vão conquistar amores profundos e serenos.

Como poderiam se, dentro de si, carregam tamanha tormenta?

Ou você não percebe a diferença abissal que existe entre praticar atividades para ficar bem com o próprio corpo e fazer exercícios extenuantes e sobre-humanos para que todos notem a tal da diferença nos músculos, na barriga-tanquinho, na bunda dura ou no peitoral avantajado?

E é desta forma que muitos seguirão a vida como atores (péssimos,  diga-se de passagem) que interpretam aquilo que imaginam que se espera deles e, assim, passam muito longe de perceber o que, de fato, seria o autêntico sentido de suas trajetórias.

Mas pense: repetir papéis é muito fácil, não acha? O difícil, o incrível e espetacular mesmo, é você criar-se a partir do seu próprio e indivisível modelo. Fora disso, são meros truques, encenações sociais que nos tornam – a todos – seres muito solitários.

O olhar que nos acolhe não nos cobra. Nos aceita e nos admira do jeito que somos, com os pequenos detalhes que nos tornam singulares, únicos e maravilhosos. Mesmo se estivermos totalmente fora dos padrões enlouquecedores da estúpida e ambiciosa indústria que produz modelos malucos e alienantes, ainda assim, seremos especialmente raros.

E, lembre-se: o olhar do amor precisa estar harmonizado, equilibrado. Algo assim como:

“Observe que eu presto muita atenção em você. Percebo suas necessidades, preocupo-me com suas questões tentando auxiliá-lo(a) da melhor forma que posso.”

Mas, cuide bem disto. A manutenção deste olhar interessado dependerá exclusivamente da reciprocidade com a qual você tratá-lo. Se você não prestar atenção em que lhe dispensa ternura e apreço, então, nada feito, certo?

Porque este olhar certamente seguirá em busca de outros que lhe retribuam o amor dispensado. E o tão indispensável cuidado.

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