COMO IDENTIFICAR UM PSICOPATA

Imagem Movimento Psicopata 4

“Mente psicopata louco pra esquartejar.
Máquina que fabrica ódio pronto pra matar,
Sem piedade saciar minha vontade
De ver escorrer seu sangue com minha maldade.
Mente psicopata louco pra esquartejar.
Máquina que fabrica ódio pronto pra matar.
Um assassino com distúrbio, com ódio do mundo.
É sem futuro, só a morte pra fazer parar.”

In: Mente Psicopata – de Apologia Sonora

 

Muita gente acredita que jamais conheceu um psicopata e que se isso ocorrer, não passará despercebido.

Por essas e outras é que tudo aquilo que você imagina saber sobre psicopatia está errado. Acredite em mim. Ainda que possamos confirmar que uma parte dos psicopatas esteja nas prisões cumprindo penas, a maioria deles não está lá. Está por aí, com sua falta de consciência e de empatia, tornando muitas vidas miseráveis.

A verdade é que você muito provavelmente nunca enxergará um deles se não exercitar seu olhar no sentido de identificá-los. Por isto é que, com toda certeza, você deve ter passado por muitos. E pode até estar convivendo com alguns neste exato momento.

Para evitar as clássicas confusões entre psicopatia e as patologias mentais mais comuns, vou fazer um resumo básico para que você possa tentar diferenciá-las.

Dentro do quadro das doenças mentais mais conhecidas, começamos explicando a Psicose, que é uma síndrome ou um grupo de sintomas. Trata-se de um termo bastante abrangente que envolve experiências sensoriais de coisas que não existem e/ou crenças sem nenhuma base, sinalizando uma clara ruptura com a realidade.

Durante um surto psicótico o indivíduo pode experimentar alucinações e/ou delírios, pode ver e/ou ouvir coisas que não existem – e isto será comumente associado aos transtornos do espectro da Esquizofrenia, que é uma doença cujos sintomas podem ser controlados através de medicamentos antipsicóticos sendo, para tanto, fundamental a adesão do paciente ao tratamento. Esta solução nem sempre será fácil, uma vez que muitos esquizofrênicos ‘leves’ não aceitam sua condição e tornam-se resistentes a qualquer tipo de terapia.

Já o Transtorno do Humor é um distúrbio cerebral que causa alterações incomuns no humor, nos padrões de atividade motora e na capacidade de realizar tarefas cotidianas. O indivíduo oscila entre a mania (euforia) e a depressão profunda, sem a menor condição de controlar esta verdadeira gangorra emocional. Uma hora pode estar tão esfuziante que é capaz de pintar uma casa inteira ou pagar bebidas para desconhecidos num bar. No instante seguinte, pode ficar largado numa cama, sem condições de se orientar, se expressar, se alimentar ou sequer tomar um simples banho.

Da mesma forma que a esquizofrenia, esta doença pode ser controlada e seus portadores costumam levar uma vida normal, desde que permaneçam adequadamente medicados.

Temos ainda o Transtorno da Personalidade Borderline que se caracteriza pela desordem emocional, instabilidade geral no humor e que afeta, principalmente, os relacionamentos interpessoais, a autoimagem e o comportamento social do seu portador. É tão comum, que afeta 2% da população mundial.

A ciência já comprovou que todas elas podem ter uma origem genética ou se constituirem após alterações na estrutura cerebral ou em certas substâncias químicas cerebrais. Exames revelaram que há redução da massa cinzenta no cérebro de alguns deles, o que pode explicar a forma bizarra de processar pensamentos.

Poderíamos também elencar alguns distúrbios/ transtornos como ansiedade – incluindo pânico – transtorno obsessivo-compulsivo (TOC),  estresse pós-traumático e fobias, além da depressão, dos distúrbios alimentares e de personalidade.

No entanto, estes últimos não são considerados ‘doenças mentais’ e, em tese, são altamente tratáveis – quando a ajuda necessária é procurada.

Mas estamos aqui para falar dos psicopatas, certo?

Pois bem. Estudos demonstram que eles têm conexões reduzidas entre o córtex pré-frontal ventromedial (parte responsável por sentimentos como empatia e culpa) e a amígdala (parte que faz a mediação do medo e da ansiedade). Sofrer de ansiedade é algo que eles jamais experimentarão. As partes do cérebro envolvidas nos julgamentos morais, por exemplo, estão inabilitadas. Daí, sua incompetência em perceber a diferença entre o certo e o errado.

Assim, ficaram comprovadas as diferenças estruturais e funcionais no cérebro do psicopata, como também está confirmada a inexistência de ‘cura’ para este estado.

Nenhuma pílula irá estimular empatia, nenhuma injeção vai fazer nascer consciência humana em quem não tem, nenhuma vacina vai impedir alguém de cometer um crime hediondo, assim como vinte anos de psicoterapia não transformarão uma mente que funciona assim.

Para todos os efeitos, os psicopatas não fazem parte do mundo normal. E ponto.

Vamos compreender que, não sendo um doente, ele apresenta uma forma muito diferente e anormal de pensar e de se relacionar com o mundo. E entenda: não é sempre ruim o suficiente para ir para a cadeia, mas é nocivo o bastante para converter outras vidas num inferno.

São, geralmente, manipuladores maquiavélicos que fazem todo o tipo de coisas terríveis sem deixar pegadas. Frios, calculistas e completamente tóxicos. 

Mas você nunca conhecerá pessoa mais encantadora do que um psicopata. São charmosos, envolventes e extraordinariamente sedutores. São narcisistas e impulsivos na maior parte das vezes, e isto pode ser atraente aos olhos desavisados.

Em outras palavras: vão lhe machucar e você só perceberá quando estiver sangrando.

Pesquisas americanas indicam que muitos presidentes dos EUA tiveram/têm traços psicopáticos.

E sabe qual profissão apontou maior presença deles? CEOs – Chief Executive Officer, ou Diretor Executivo, ou Diretor-geral, exatamente aqueles que ocupam cargos que estão no topo da hierarquia operacional dentro de uma empresa. 

Políticos também estão na lista. Os corruptos, então, dispensam explicações.

E por que chegam lá? Porque não ligam a mínima para quem tiverem de atropelar ou trapacear a fim de alcançarem seus propósitos.

Porque jamais permitem que qualidades humanas como ética, princípios, consciência ou empatia atrapalhem seus objetivos. Mesmo porque, eles não possuem NENHUMA delas.

E não se deixe enganar: os psicopatas (ou sociopatas, dá no mesmo) vêem o mundo e as relações interpessoais com MUITA clareza.

Dentro de uma empresa percebem logo quem manda e quem é mandado, quem é manipulável ou não, quem tem um ‘preço’ e qual o valor.

Como enxergam todos os demais como objetos a serem utilizados a seu favor, vão praticar tudo o que estiver ao seu alcance, seja muito ou pouco imoral, para atingirem aquilo que desejam.

O fato de não terem a capacidade de sentir empatia por ninguém, no entanto, não significa que não tenham consciência de que precisam fingir tê-la. Eles não são nem um pouco burros, afinal.

Então, como um ótimo ator, fingirão com muita perfeição sentimentos como compaixão, vergonha, ternura, solidariedade e até amor – que é uma emoção que eles não têm condição alguma de sentir. A não ser por si próprios e por suas próprias coisas.

Um exemplo clássico – e bem recente – é o daquele médico-cirurgião que participou do assassinato do próprio filho no intuito ficar com a herança da mãe deste, que também morreu em circunstâncias estranhas. Durante todo o julgamento ele “pareceu” arrasado. Chegou até a afirmar, em sua defesa, que apenas um ‘louco’ praticaria tamanha ‘insanidade’ com um filho e que ele NÃO era louco!

Oras, o acusado não possui mesmo qualquer patologia. Não está doente. É um psicopata frio e calculista que chora não porque o filho morreu, mas por ter sido pego em seu crime hediondo. E só.

Uma das melhores maneira de reconhecer um psicopata é examinando atentamente suas atitudes e distinguindo se elas combinam com suas palavras porque isto, invariavelmente, não ocorrerá.

E, olha, mesmo que perceba algo estranho, você encontrará muitas dificuldades na identificação. Isto porque existem níveis de psicopatia.

A maior parte deles consegue se formar numa faculdade, manter uma família, um bom emprego e parecer “normal”. Os detalhes escabrosos, nestes casos, residem justamente nos meandros da sua trajetóra aparentemente comum.

Aquele diretor científico da faculdade pode ter chegado ali plagiando o trabalho de alguém. Ainda que a vítima tenha formalizado uma denúncia acerca do ato, nosso protagonista certamente já estava resguardado quanto a isto: ou denegrindo previamente a pessoa-alvo, ou fazendo com que todos acreditassem na sua capacidade acadêmica, ou outras possibilidades mais ou menos grotescas.

Aquela atriz que ganhou o papel tão almejado por outras mais talentosas, pode tê-lo conseguido por conta do caso que manteve com o diretor da emissora e, ainda, por ter ameaçado expor os podres descobertos entre os lençóis.

Em tempo: os dois exemplos acima são reais.

Muitos psicopatas jamais irão responder pelos seus atos e outros nunca serão descobertos. E podem se sair razoavelmente bem como juízes, promotores, médicos, pesquisadores, cientistas, religiosos, policiais, militares, artistas, empresários, e por aí vai, sempre cuidando para não transgredir normas de maneira visível. Ainda que ultrapassem diversos limites éticos e morais sem serem assaltados por qualquer tipo de remorso.

São sujeitos tão egoístas, desumanos, enganadores e cruéis quanto o psicopata mais radical que vai preso por matar uma série de pessoas. Por conta de sua criação, perspicácia e manejo social adquirido, talvez, num ambiente familiar mais propício, eles alcançaram construir um disfarce de normalidade muito convincente.

Aprendem como detectar os pontos vulneráveis dos outros, observando  nestes aquilo que chamam de ‘fraqueza’ e, através de uma simpatia simulada e um charme exagerado, tiram o que querem.

Esta psicopatia encoberta é tão destrutiva quanto a que se escancara, porque você nunca vai saber de antemão quem é seu inimigo. Pode até se casar com ele e viver infeliz pelo resto da vida.

E por que você se juntou a ele/ela? Porque ele/ela é trilhões de vezes mais esperto que você. Prestou muita atenção em tudo o que você falou sobre si mesmo(a) e fingiu admirar tudo. Depois, lhe convenceu que ambos partilhavam as mesmas qualidades e idênticos pontos de vista.

O nome disto é falsa empatia. E você não percebe porque é extremamente sutil.

E não tente dar uma de psicanalista. Não arranje motivos, nem invente razões. Eles não são interpretáveis simplesmente porque quase nada em relação a eles é real.

O melhor é confiar nos seus instintos. Alguns pesquisadores revelaram que o incômodo que esta presença nos causa é uma importante resposta do nosso inconsciente diante do perigo que o psicopata representa enquanto predador intraespecífico (aquele que tem o poder de nos destruir enquanto espécie).

Algumas dicas finais

Durante a infância costumam ser violentos com os irmãos menores ou as crianças mais novas. Escolhem brincadeiras perigosas e podem apreciar torturar animais.

Na adolescência são predadores natos e líderes nas práticas do bullying contra aqueles que consideram mais ‘fracos’ ou ‘ridicularizáveis’.

Além de mentirosos contumazes, são sempre muito legais com os ‘superiores’ e (disfarçadamente) desprezíveis com os ‘inferiores’.

Quase nunca expressam medo ou preocupação em relação a magoar ou prejudicar alguém. São imunes a isto.

Quase sempre carregam um olhar destituído de vida. Se você prestar muita atenção, não enxergará ali qualquer tipo de emoção humana.

Não demonstram, sob quaisquer circunstâncias, a verdadeira empatia. Não choram e não se emocionam com nada (a não ser quando fingem, como ótimos atores/atrizes que são).

São arrogantes e se acham sempre com mais direitos que os outros mortais.

Apresentam respostas emocionais superficiais e não reagem normalmente a mortes, dores físicas ou outros eventos que, dentro da experiência humana, causariam uma resposta negativa profunda.

Nunca admitem – de maneira sincera – ter errado (daí a importância de prestar atenção nas suas respostas) e jamais confessam erros passados. Só fingirão fazê-lo se forem pressionados e para se manterem no ‘comando’.

Adoram controlar e manipular e só fingem não fazê-lo enquanto invadem as coisas ou vidas que lhes interessam.

No fim, eles causam muitos estragos na vida dos outros e, se puderem, sentam-se e assistem inocentemente como se fossem meros espectadores.

Boa sorte.

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Um pensamento sobre “COMO IDENTIFICAR UM PSICOPATA

  1. Psicopatia/Empatia, o que mais vemos hoje, é um desfile dessas anomalias comportamentais. E cada vez é mais difícil de se lidar com tais situações. Excelente tema para o momento atual em que vivemos.

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