VAMOS SEPARAR HUMANOS DE PSICOPATAS?

Imagem Movimento Bomba 2

“Pensem nas crianças
Mudas, telepáticas;
Pensem nas meninas
Cegas, inexatas;
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas;
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa.
Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária.”

In: Rosa de Hiroshima – de Vinícius de Moraes

 

Humano ou Psicopata? Quem é você? E quem são estes com os quais se relaciona? Você conseguiria fazer esta distinção com absoluta segurança? Tem certeza?

E, sim, parece uma pergunta estranha. Separar a humanidade entre os que são humanos e os que não são?

Então, vamos lá.

Você já parou para pensar em como as pessoas portadoras de comportamentos insanos, destrutivos e brutais têm encontrado largos e confortáveis espaços – públicos e privados – para atuarem e se expressarem mundo afora? E em nosso país?

Como é que indivíduos que se comportam desta forma continuam vivendo entre a gente sem o menor problema?

Já tentou compreender o que levaria alguém a arrancar os órgãos de um ser ainda vivo, durante uma cirurgia, para vendê-los num mercado paralelo e criminoso envolvendo tráfico de órgãos humanos?

Como poderia um pai atirar a própria filha de cinco anos pela janela simplesmente porque ela estava chorando demais?

Assassinar uma colega de trabalho para provar à esposa que não tinha um caso com ela?

Veteranos afogarem um calouro como parte de uma iniciação cruel que chamaram de ‘trote universitário’?

Um médico violentar uma paciente sedada, numa cama de hospital?

Um autodenominado ‘enviado de Deus’ estuprar mulheres indefesas quando estas lhe confiam suas dores?

Um rabino estuprar a própria filha desde os nove anos de idade?

Um pastor evangélico promover orgias e abusos sexuais dizendo estar salvando as pessoas de espíritos do mal?

Um padre estuprar garotinhos de seis anos de idade?

Um empresário colocar fogo no corpo da mulher ainda viva?

Uma empresária que, junto com o filho, encomenda a morte do marido/pai?

Que diferença existe, por exemplo, entre o que mata com as próprias mãos e o que desvia dinheiro de hospitais fazendo tanta gente morrer por falta de atendimento médico, leito ou medicamentos?

Que mão é essa que aciona o gatilho, afinal?

Os americanos que ordenaram o lançamento da maldita bomba atômica que assassinou mais de 300 mil seres humanos inocentes, em Hiroshima e Nagazaki, eram psicopatas ou não?

E os monstros que mandaram soltar o Agente Laranja/ Napalm sobre Vietnã, Camboja, Laos, etc, fabricado pelas Monsanto e Dow Chemical, queimando milhões de seres e afetando dezenas de gerações?

Pense nisso com cuidado e descobrirá que, sem dúvida, todos os envolvidos nestes extermínios eram (e permanecem sendo) tudo, menos humanos. Assim como os que torturaram e mataram milhões de pessoas durantes as guerras mundiais e as que se seguiram – e ainda seguem – dizimando cidades e populações inteiras.

E quem são os seres humanos?

Quais são os princípios que nos confirmam enquanto seres humanos?

O primeiro e mais importante deles, refere-se à relação que mantemos com o que nos rodeia e que nos permite preservar a vida de tudo e de todos aqueles que importam para a sobrevivência coletiva. Essa é a essência da natureza humana. Tudo que a nega se coloca em oposição à humanidade.

Mas, para que obtenhamos este senso de preservação, será necessário que, ainda na infância, nossa primeira experiência de vínculo tenha sido bastante satisfatória.

De modo genérico, podemos afirmar que uma mãe presente e acolhedora contribuirá para que o bebê internalize relações consistentes e saudáveis com o mundo que lhe cerca.

Por outro lado, uma criança abandonada, de maneira concreta ou de forma emocional, projetará seu ódio diante deste desamparo para o mundo fora de si.

Sabemos que a maternagem busca compensar tudo aquilo que o bebê ainda não apreendeu do seu entorno. Assim, ele cresce. E amadurece. Este princípio da compensação será a base para a realização para uma existência plena.

Assim, ele internaliza outro fundamento básico, onde os que sabem ensinam aos que ainda não aprenderam. Cada pessoa agrega ao seu grupo aquilo que tem e recebe o que não tem, numa verdadeira dança tão equilibrada quanto humanizada.

Em suma, numa sociedade harmoniosa e fraterna, cada um dará o melhor de si e receberá o melhor dos demais. Um complementará o outro e todos ganharão como grupo, sociedade e nação.

Porém, há muito tempo, os estudiosos descobriram que muitos desses personagens considerados ‘humanos’ não se comportam como tal.

A palavra humano tem origem no latim humānus que significa: próprio do homem, bondoso, erudito, instruído nas humanidades. Também se relaciona à homo e húmus, terra – no sentido de coisas terrestres, em oposição aos ‘seres divinos’.

Já a palavra psicopata vem do grego psykhé (alma) e pathós (doença).

O humano tem a ver com humanidade. O psicopata, com desumanidade.

Resumindo:

O ser humano é aquele que desejamos encontrar todos os dias, nos relacionando e confiando. O psicopata é o (anti) ser com o qual ninguém desejaria cruzar caso pudesse reconhecê-lo.

A partir de meados de 1800, o trabalho junto aos pacientes com aparentes problemas mentais revelou que uma série deles, ainda que parecessem ‘normais’, apresentava algo que decidiram chamar de ‘depravação’ ou ‘insanidade’ moral. Estas pessoas não pareciam ter qualquer integridade ou senso ético em relação aos demais. Não respeitavam nada e nunca demonstravam empatia por ninguém.

Depois de catalogados, estes pacientes passaram a ser chamados de psicopatas. Na década de 1930, por conta da constatação do enorme nível de danos sociais que estas criaturas causavam ou podiam, potencialmente, causar, o termo foi mudado para sociopatas.

Hoje em dia, os pesquisadores retomaram o termo “psicopata” para, na maior parte das vezes, designar pessoas capazes de provocar situações terrivelmente perigosas e/ou irremediáveis. E conseguiram mapear atividades no cérebro capazes de identificá-las.

Importantíssimo saber que, com o descobrimento das sinapses e do campo neural, está cada vez mais claro que existem diferenças cerebrais entre eles e a gente.

Não se trata de uma doença mental como a psicose, por exemplo. A psicopatia é uma maneira de existir e de ser. Destrutiva, perigosa e aterradora, na maior parte das vezes. E, por não ser uma patologia, não tem como ser medicada ou curada. 

O psicopata não é educável. Não pode ser ‘melhorado’. E uma eventual detenção só lhe oferecerá mais meios de aprimorar sua forma de enganar os outros e não ser descoberto.

Na psicopatia não existe troca. O psicopata não dá nada. Ele quer tirar tudo o que não tem. Na verdade, rouba para si aquilo que não sabe e não pode produzir.

A partir de Freud, o conceito de psicopatia foi mais aprofundado, descrevendo a condição como sendo predominantemente conduzida pelo egoísmo ilimitado e caracterizada por um forte desejo destrutivo.

Então, o narcisismo patológico e a crueldade doentia são dois dos padrões totalmente correlacionados e inseridos dentro dele.

Logo, este tipo de gente não estabelece qualquer conexão emocional com ninguém, o que explica oferecem perigo iminente a todos os outros seres, justamente porque estes são vistos como objetos a serem usados, manipulados e/ou destruídos.

E não se esqueça de que psicopatas são particularmente hábeis em detectar vulnerabilidades. Exatamente como um estuprador ou um serial killer.

Vários pesquisadores, então, definiram dois grupos dentro deste espectro: os psicopatas primários, aqueles com predominâncias genéticas neste sentido (nascem assim) e os psicopatas secundários, aqueles cuja relação com o mundo os tornou assim. O fato inquestionável é que os danos causados por ambos são quase sempre irreparáveis.

O grande e atual problema dos verdadeiramente humanos é pensar os psicopatas como loucos ou assassinos descontrolados, foras da lei descarados e alienígenas que gritam enquanto babam.

No entanto, os cientistas que os estudaram e ainda estudam, há dezenas de anos, confirmam que definitivamente eles podem ser um amigo seu, um colega de trabalho, um parente próximo, um vizinho simpático e atencioso – ou seu cônjuge.

Inicialmente, o dado importante que precisamos compreender é que todos nós imaginamos ter ideias parecidas – em relação ao nosso agrupamento humano – em relação a uma série de coisas.

A maioria de nós sabe que não se deve abrir a carteira de um colega e retirar seu dinheiro escondido porque estamos duros. Seria inaceitável imaginar atacar um sujeito com murros e pontapés porque ele nos respondeu algo que não gostamos de ouvir. Nem dar uma facada na pessoa que olhou para o homem ou a mulher que amamos. Muito menos matar alguém.

Acontece que existem muitas pessoas que, apesar de esconderem tais ‘impulsos’, não teriam o menor problema em praticar um deles. Ou todos.

Essas pessoas não sentem remorso, nem vergonha, do que fazem e percebem as emoções apenas superficialmente – isso quando percebem. Em muitos casos, eles podem nem sequer se importar se você vive ou morre.

Outra coisa:

Todo psicopata é intolerante. Ainda que esconda muito tal característica. E a tolerância com as diferenças é um dos mais preciosos fundamentos humanos.

A questão é que, com a sofisticação dos meios de comunicação, com o advento das redes sociais e suas imagens falsas acerca de tudo, somados à profunda crise que alcançou as relações humanas diante da corrida pela sobrevivência, estes tipos passaram a aperfeiçoar suas atitudes aparentes a fim de se assemelharem, cada vez mais, com o restante da humanidade.

Ou seja: o psicopata, aquele não-ser que a gente precisa aprender a identificar o mais rápido possível, ficou muito parecido com a gente, se disfarçando de criatura sensível, generosa, piedosa, simpática e empática. Exatamente o contrário do que ele realmente é.

Os psicopatas acreditam piamente que são mais racionais do que os outros mortais, e que ‘pensam’ mais com a cabeça do que o coração.

Tanto que seria muito difícil, neste momento, identificar nos meios políticos, econômicos ou acadêmicos de alto nível, os prósperos psicopatas que ocupam altos cargos e dizer: ‘você pertence à outra ordem de existência; você não é humano.’ Mas eles estão lá.

Por mais paradoxal que possa parecer, a psicopatia, de algum jeito, oferece um modo de vida bastante confortável. Os psicopatas não sentem culpa nem remorso justamente por não possuírem a capacidade empática. Podem fazer o que bem entendem sem se preocuparem com inúmeros cálculos, cuidados, estudos, nada.

Se um deles, para alcançar um objetivo, se defrontar com alguns obstáculos, não terá o menor problema em aniquilá-los, uma a um, mesmo que isto signifique destruir vidas.

Psicopatas costumam agir rapidamente e se, por vezes, aparentarem possuir um QI maior do que realmente é, a razão se sustenta no fato deles nunca serem alcançados por preocupações morais.

Além disso, eles dispõem de glamour e charme bastante superficiais, um exagerado senso de autoestima, uma capacidade patológica para mentir e manipular, além da falta de remorso, deficiências interpessoais e afetivas, insensibilidade e ausência de identificação e de disposição para aceitar a responsabilidade por suas próprias ações.

Psicopatas também podem adotar um estilo de vida parasitário, inexistência de metas realistas de médio ou longo prazo, impulsividade e irresponsabilidade, falta de controle comportamental desde o início de suas vidas, podendo chegar à delinquência juvenil, tendências criminais que, aparentemente, visam liberdade irrestrita para fazer o que bem entenderem. Costumam viver casamentos complicados e adotar comportamento sexual promíscuo.

Muitos deles, por conta da desenvoltura e da disposição para atropelar as pessoas em seu caminho, tornam-se bem-sucedidos CEOs, atletas profissionais, soldados, médicos, acadêmicos, diretores, políticos, presidentes, etc. Essas pessoas são comumente reverenciadas por sua ‘coragem’, sua ‘perspicácia’, sua ‘inteligência’ e sua vontade de esmagar obstáculos que se interponham. 

O que ninguém percebe é que elas enxergam todos os demais como objetos disponíveis para satisfazer seus desejos. E só precisam dos seres humanos para sobreviver porque não gostam de produzir nem de trabalhar.

Este não-ser possivelmente experimentou relações objetais pouco internalizadas no desenvolvimento inicial, e isso o levou a mais fracassos na internalização de objetos na idade adulta, anormalidades na construção do ego e do superego e das identificações narcísicas, que lançam luz sobre o distanciamento emocional do psicopata em relação a todos os outros.

Posteriormente, seus atos antissociais, seus crimes cometidos sem necessariamente obter ganhos substanciais, sua falta de apego e inquietação emocional geral, servirão para definir o caráter imutável deste ser não humano, muito diferente de todos nós.

Como procuram nos imitar, geralmente de maneira bastante fiel, é preciso prestar muita atenção aos detalhes que, fatalmente, os denunciarão.

Cientistas afirmam que entre 1% e 4% da população do mundo seja formada por psicopatas. Considerando a média de 2%, e como estamos perto de 8 bilhões de habitantes, é possível considerar que temos de 160 milhões de psicopatas vivendo no planeta. Quatro milhões só no Brasil, 880 mil dentro do estado de São Paulo e 240 mil só na cidade de São Paulo!

O certo é que, enquanto não fizermos esta distinção de forma clara, educando nosso olhar para identificá-los, denunciando-os e combatendo-os, a fim de nos preservarmos enquanto espécie, estaremos todos em perigo.

Lembre-se: não existe nada que possa ser meramente fraco no universo psicopático. Para o psicopata, quem é fraco também é otário; é alguém que exige ser explorado.

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