E QUEM VAI SALVAR NOSSAS CRIANÇAS?

Imagem Movimento Criança Abandonada

“E que as crianças cantem livres sobre os muros
E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor;
E que o passado abra os presentes pro futuro,
Que não dormiu e preparou o amanhecer…

In: Que As Crianças  Cantem Livres– de Taiguara

 

 

Todo ser humano, para que possa se conceber enquanto indivíduo, precisa de um espaço favorável a fim de que todo seu potencial inato caminhe no sentido de seu amadurecimento.

CONFIAR, então, é uma condição imprescindível para se relacionar com o outro, sem ameaças ou inibições. Logo, a confiabilidade é a característica central de um ambiente facilitador.  E é o que lastreia toda a vida adulta de um ser.

Numa relação segura e cuidadosa, nosso existir ganha outro status e passa a fazer parte da dimensão do real, onde o indivíduo sente o mundo como algo protegido, assim como também sente-se seguro e esperançoso . O ambiente é percebido como  um meio no qual é possível se estar de verdade e com o qual é plenamente viável se relacionar, no sentido de ser tocado e também de tocar, ser presença e realizar, de alguma forma, suas potencialidades.

Isto seria perfeito, não fossem as psicopatas fantasiados de humanos que existem entre nós. Aos milhares.

Porquanto se trate da exposição de crianças às psicopatias dos adultos, não há dúvidas de que a discussão acerca da responsabilidade destes precise ser colocada às claras e sem quaisquer subterfúgios que nada mais são do que formas inadequadas e, muitas vezes, CRIMINOSAS de se lidar com os medos e falsos moralismos.

Quando uma criança é violada nos direitos e nas garantias que a sociedade deveria lhe oferecer, isto fatalmente acarretará uma acentuada perda de suas mais ricas potencialidades. Seu futuro estará para sempre maculado.

Esta perda traz não apenas dor. A criança percebe, inicialmente de maneira intuitiva, que perdeu aquilo que faria sua existência ser digna de ser vivida. Retirando-se dela o que havia de importante o que resta é o perigo iminente de que tudo o mais seja tragado para dentro do nebuloso e vazio buraco.

Logo, a bem de pensarmos acerca de um tema que tem despertado, legitimamente, muita apreensão entre as pessoas que verdadeiramente se preocupam com a infância em nosso país, esta conversa tornou-se urgente e fundamental.

E isto, em outras palavras, significa preocupar-se com o futuro desta nação pois sem um presente mais seguro não teremos condições de compreender nosso passado e, sem tal respaldo, não poderemos caminhar rumo a um futuro minimamente promissor.

Não enquanto o abuso sexual infantil, por exemplo, continuar ocupando o segundo lugar dentre as violências mais sofridas por crianças e adolescentes brasileiros e só perdendo para negligência/abandono. Estes dados encontram-se registrados em um levantamento do Ministério da Saúde.

Como já amplamente difundido, a maior parte da violência ocorre dentro da própria casa do menor. Grande parte dos agressores é composta pelos próprios pais, os que ocupam esta posição ou por outros familiares, assim como pessoas de convívio muito próximo da criança e do adolescente, como amigos e vizinhos.

Agora que reproduzi o que, aparentemente, já deveria ser de “conhecimento público”, passo a relatar o impressionante e desolador resultado de uma pequena pesquisa que empreendi junto a vídeos registrados no youtube. Adultos que, aparentemente, deveriam ser os responsáveis (?) estão impunemente expondo crianças incapazes de se defenderem.

A violência, muitas vezes, começa a partir da “coisificação” da imagem ou do corpo de uma criança. Assumindo o papel de “guardião”, o adulto responsável (?) se sente no direito de ultrapassar o limite do respeito à individualidade e, então, abusa da confiança e da inocência desta jovem criatura.

Procurando imagens que relacionassem crianças a algum tipo de apelo “sensual”, deparei-me com a estarrecedora constatação da existência de um número nada desprezível de vídeos muito desprezíveis onde crianças aparecem reproduzindo gestos de cunho erótico cujo significado, com certeza, não têm nenhuma capacidade de entender.

Existe, de fato, certo clima coletivo (e insano) que favorece a exibição e a exploração da sexualidade da mulher desde sua mais tenra idade e que enxerga seu corpo como depositário de riquezas obscuras que, na realidade, só se encontram no imaginário de cabeças pervertidas e que tentam transformá-lo uma espécie de pasto do desejo erótico masculino.

Entre perplexa e indignada pude comprovar que a grande maioria destes vídeos foi postada por pais (pai ou mãe), tios, padrinhos e amigos da família dos pequeninos.

Alguns comentários postados abaixo destas gravações conseguem ser mais infames e indecentes do que a própria situação à qual essas inocentes crianças são submetidas.

Inúmeros vídeos mostram garotinhas vestidas em trajes mínimos dançando músicas da Shakira e da Beyoncé. Fora a dança da garrafa, o funk e o pancadão – espetáculos protagonizados por meninas de 1 a 13 anos.

A partir desta idade, o número de vídeos aumenta tão assustadoramente que não vi mais sentido em continuar pesquisando algo que, obviamente, deveria ser objeto de investigação dos órgãos governamentais competentes de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes.

Penso que tais vídeos deveriam ser retirados da rede sendo, tal medida, acompanhada de uma campanha educativa que visasse orientar os pais, responsáveis, familiares e amigos dos menores expostos no sentido de explicar-lhes que o respeito pelo corpo passa, necessariamente, pelos direitos ao cuidado e a preservação do mesmo, assim como à privacidade da sua intimidade.

Mesmo porque, não se deve desprezar o perigo de um movimento crescente tanto aqui no Brasil como em países ditos do Primeiro Mundo, como o Canadá, que visa tornar a pedofilia uma ‘prática’ não só aceitável como oriunda de uma ‘nova orientação sexual’ (sic) ou passível de ser classificada como invalidez (conforme concluiu recentemente o ministério do trabalho grego).

Esta tese perversa, certamente, representa uma ameaça eminente à infância em qualquer país. Precisamos prestar muita atenção a esta tendência tão sórdida quanto absurda que vemos nas sistematicamente denunciadas das práticas de alguns políticos e empresários brasileiros, como esta última gang desmontada e que funcionava ao lado da Vila Olímpica, no Rio de Janeiro, onde aliciava crianças entre 13 e 16 anos de idade , para ‘atender’ certa ‘demanda’ psicopata.

Desta forma registro, a seguir, três perguntas que não devemos calar:

– O adulto, seja ele seu responsável legal ou não, tem direito de dispor, a seu bel prazer, da imagem de uma criança?

– Como se admite este tipo de exposição – involuntária, por parte da criança – sem que se considere o ônus emocional que lhe custará, tanto agora quanto futuramente?

– Que tal pensarmos na mensagem subliminar que este tipo de prática registra no psiquismo infantil?

A mais provável, sem dúvida, é a de que a criança passe a considerar que seu corpo não lhe pertence e, portanto, é passível de servir como objeto de diversão (e, consequentemente, de prazeres obtusos) do adulto que dela se aproximar.

Ora, se sua imagem pode ser repercutida virtualmente, sem qualquer limite ou controle, como é que ela terá condições de se cuidar e preservar sua própria intimidade?

Que direito acreditará ela ter sobre seu próprio corpo se não for auxiliada a compreender que o valor e a graça de uma mulher não residem apenas no aspecto físico, mas num conjunto muito mais amplo de elementos que envolve saúde, educação, conhecimento, discernimento e equilíbrio?

QUE CRIANÇAS ESTAMOS DEIXANDO PARA O MUNDO, AFINAL? 

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