HOMENS CANALHAS: VOCÊ CONHECE ALGUNS

Imagem Movimento Flor Chorando

“Eu preciso te explicar,
Não quero mais me enfraquecer,
Chega de te agradar
Sem me importar com o meu querer.

Sinto que você precisa aprender a respeitar
O meu corpo, a minha lei.
E você têm que escutar
Quando eu digo não é não.”

In: Não é Não  – de Lila & Leo Justi

 

 

Duas irmãs, duas histórias de abusos sexuais.

Ivani, a mais velha, estuprada durante uma consulta realizada pelo médico CANALHA Roger Abdelmassih, no momento em que esta jovem e bela mulher buscava ajuda para engravidar. Iara, a mais nova, estuprada ao procurar a cura para seu grave problema de saúde, pelo autointitulado médium, o CANALHA João de Deus (??!!).

Dois estupradores sexuais, frios, calculistas, cruéis e IRRECUPERÁVEIS, que deveriam permanecer presos pelo resto de suas vidas inúteis, infames e covardes.

Duas irmãs, duas vítimas.

Se as coisas permanecerem como estão, a chance de todas as famílias brasileiras terem um ou mais casos de mulheres estupradas crescerá exponencialmente.

Vamos falar sobre os motivos pelos quais as vítimas destas terríveis violações demoram a denunciar seus algozes? E por que muitas jamais chegam a fazê-lo? Já pensou que perto de você pode haver várias mulheres que guardam este doloroso segredo?

De acordo com recentes levantamentos, apenas uma percentagem ínfima de todos os estupros são denunciados à polícia. Trata-se do crime violento mais subnotificado em todo o mundo.

É preciso começar explicando o óbvio: as vítimas de estupro têm horror de não serem levadas à sério ou respeitadas. Todo mundo sabe que elas sentem muito medo. Antes, durante e depois. Sempre.

Portanto, não desejam ser ainda mais feridas, revivendo a brutal experiência diversas vezes para a polícia, para os advogados, para tribunais inteiros, além do sofrimento da agressão sexual a que foram submetidas. É totalmente compreensível que lhes seja insuportável precisar relembrar os detalhes mais dolorosos e repugnantes para grupos de pessoas estranhas e, muitas vezes, frias e insensíveis. 

Experimentam o receio perpétuo de que qualquer circunstância, qualquer menção equivocada, qualquer pequeno detalhe, ‘esquecimento’ ou confusão, possam levar a um resultado onde o estuprador irá permanecer andando livremente perto delas.

É mesmo muita pressão. E sofrimento demais. Porque há consequências de ser a mulher que foi estuprada. E disto todas as que relatam um estupro sabem. 

É escancarado o modo medieval com que a mídia trata as mulheres. Também vemos suas histórias escaparem pelas rachaduras da fachada do sistema judiciário. Medidas cautelares, intimações, avisos, nada disso adianta quando um abusador que atingir seu alvo.

As pessoas parecem fazer muitas perguntas toda vez que um caso de assédio ou assalto sexual é relatado. É incrível como muitas transferem a culpa para as vítimas, perguntando por que ‘esperavam tanto’.

É preciso saber que 90% delas não denunciam o agressor e não procuram ajuda médica, segundo o ginecologista Jefferson Drezett, coordenador do projeto “Bem Me Quer” do Hospital Pérola Byington, de São Paulo, referência mundial no atendimento de mulheres e crianças vítimas de violência sexual.

Oficialmente, a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil. Mas esse número é apenas a ponta do iceberg, já que um número impressionante jamais contará a ninguém ou a qualquer autoridade seu calvário.

Muitas vezes, as mulheres escolhem somente evitar o agressor, negando ou minimizando a gravidade da situação, ou tentando ignorar, esquecer e suportar o dano.

Afinal, eu e você sabemos que a maioria dos estupradores não sofrerá nenhuma punição à altura do seu crime. Logo, como num gotejamento lento, suas vítimas geralmente abandonam a escola, saem dos seus empregos, passam a evitar relações mais íntimas, se afastam da família, dos amigos e, o que é pior, desenvolvem distúrbios alimentares, mentais e depressão, recheados de pesadelos, flashbacks e paranoia.

Quando as mulheres relatam uma agressão sexual a triste verdade é que elas nem sempre são consideradas. Casos recentes comprovam esta repugnante realidade: o estuprador Roger Abdelmassih foi acusado de assédio sexual e estupro contra mais de 56 mulheres e, ainda assim, casou-se novamente, teve filhos e viveu por anos sem ser perturbado no Paraguai. Hoje cumpre prisão domiciliar em seu luxuoso apartamento nos jardins, em São Paulo.

O estuprador João de Deus, acusado de violar mais de 500 mulheres, conta com a defesa de advogados de peso e de um jornalista de uma rede de televisão, Fábio Pannunzio, para ajudar a escrever uma tese onde centenas de mulheres deverão ser desacreditadas em nome de um inaceitável pacto de solidariedade psicopata.

Outra das principais razões pelas quais as mulheres não se apresentam para denunciar assédio sexual ou agressão é a vergonha. O abuso, por sua própria natureza, é humilhante e desumano. Isso é especialmente verdadeiro com as violações sexuais. A vítima sente-se invadida e corrompida ao mesmo tempo em que experimenta a indignidade de estar desamparada e à mercê de um ser ignóbil. Quando nos sentimos envergonhados, queremos nos esconder. Abaixamos nossas cabeças, curvamos nossos ombros e nos voltamos para dentro como se tentássemos nos tornar invisíveis. A maioria das pessoas que foram profundamente envergonhadas assume a crença subjacente e generalizada de que são defeituosas ou inaceitáveis. Elas se sentem indignas ou “ruins”.

Essa propensão de se culpar e de ser esmagada pela vergonha leva à outra importante razão pela qual as mulheres não denunciam seus algozes: negação e minimização. Muitas mulheres se recusam a acreditar que o tratamento que sofreram foi realmente abusivo. Elas minimizam o quanto foram prejudicadas pela violência. Se convencem de que o episódio não significou “grande coisa”.

O medo das repercussões é outro enorme obstáculo que as mulheres enfrentam quando se trata de expor o delito – medo de perder o emprego, medo de não encontrar outro trabalho, medo de não serem promovidas, de perder a credibilidade, de ficar marcada como causadora de problemas, de ser banida da vida social e familiar, medo por sua segurança física numa eventual (e muito provável) retaliação. 

Algumas ficam com a autoestima tão baixa que não consideram o que lhes aconteceu como algo muito sério. Elas passam a não valorizar ou respeitar seus próprios corpos ou sua própria integridade. 

Isto porque as violações sexuais afetam a autoestima, o autoconceito e o senso de ser alguém valoroso. Quanto mais uma garota ou uma mulher tenta se conformar, mais sua autoimagem fica distorcida. Pouco a pouco, atos de desrespeito, objetificação e constrangimento se sobrepõem até que ela tenha pouca consideração por si mesma e por seus sentimentos. Há um preço enorme a pagar por “seguir adiante” sem relatar a crueldade sofrida. 

Sentimentos de desespero e desamparo fazem com que as vítimas não consigam enxergar uma saída para uma situação abusiva e, assim, desenvolvem uma sensação de absoluta desesperança.

E, finalmente, pesa demais o fato de que muitas mulheres, mesmo com alto nível de instrução, não sabem exatamente o que constitui assédio sexual, não o reconhecem ou o percebem como uma ameaça real, não entendem como o assédio ou agressão sexual as afetou, nem as consequências reais de deixar de buscar ajuda ou procurar denunciar. 

Os efeitos emocionais podem envolver aspectos psiquiátricos devastadores com grande chance de culminar com desequilíbrios graves e comportamentos suicidas.

Portanto:

DENUNCIE seu agressor o mais rapidamente possível. Seja ele seu pai, irmão, tio, primo, professor, vizinho, médico, pastor, chefe, amigo, colega, conhecido, tanto faz. Saia de perto dele. Fale para o maior número de pessoas o que lhe aconteceu. Exponha seu nome, sua profissão, seus dados pessoais. O criminosa é SEMPRE ele. 

Vamos falar cada vez mais sobre estas violações. Criar redes de apoio. Laços de afeto. Escutas efetivas. Eu estou do seu lado. Conte comigo.

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E, se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

 

Um pensamento sobre “HOMENS CANALHAS: VOCÊ CONHECE ALGUNS

  1. Esses dois canalhas (Roger e João) não podem ser seres humanos, devem arder no fogo do inferno. E parabéns as irmãs Ivani e Iara, pela coragem de denunciarem esses fatos.

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