POR QUEM OS SINOS DOBRAM?

Imagem Movimento Julian Assange 1

Nunca se vence uma guerra lutando sozinho.
Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada,
O eco de suas palavras não repercutem em nada
.”

In: Por quem os Sinos Dobram – de Raul Seixas

 

Nascido no dia 3 julho de 1971, em Townsville, Austrália, Julian Assange usou seu genial QI para desenvolver um dos seus maiores talentos: invadir bancos de dados de organizações muito importantes. Em 2006, fundou o site WikiLeaks (uma organização sem fins lucrativos, sediada na Suécia, que coleta e compartilha informações confidenciais, recebidas de fontes anônimas, vazadas de governos ou empresas, que tratam assuntos sensíveis em escala internacional). Por seus esforços, o ativista da internet recebeu o título de “Personalidade do Ano” pela revista Time em 2010.

Depois de uma série de denúncias envolvendo, principalmente, o governo norte-americano e que culminaram com a acusação de que este teria criado ferramentas para controlar telefones, computadores e televisores conectados à Internet, ele passou a ser perseguido e acusado de coisas que nunca foram esclarecidas.

Buscando evitar a extradição para a Suécia devido a alegações de agressão sexual neste país (que seus advogados afirmaram ser uma represália armada a fim de desacreditá-lo e das quais foi finalmente inocentado em 2017), Assange permanece exilado na embaixada equatoriana em Londres desde 2012 porque o Reino Unido, agora, alega ‘violação dos termos de fiança’.

Atualmente sua situação parece ter se tornado um problema para o Equador, cuja questão foi herdada pelo presidente Moreno do seu antecessor e, agora, inimigo, Rafael Correa.

Portanto, desde março deste ano, ele teve o acesso à internet totalmente cortado. Depois, passou a ter seus direitos, dia a dia, reduzidos.

O pequeno e espremido espaço onde mora não é um local apropriado para residência e não oferece mínimas condições para uma vida digna. O governo britânico conhece a situação precária na qual Assange vive e, violando os direitos humanos, não permite que ele saia do local, pois, assim ocorrendo, será preso. Não toma banhos de sol nem dá caminhadas, além de permanecer sem luz natural ou acesso a ar fresco. Há mais de seis anos não tem sequer o direito de receber a visita de um médico.

Há poucos dias, andaimes misteriosos foram instalados em torno da Embaixada, bem como estranhos dispositivos eletrônicos. Também há indivíduos suspeitos dentro do prédio.

A mãe de Julian Assange faz apelo de emergência pela vida do filho.

Hoje, o Procurador Geral do Equador declarou um plano para participar, junto com o Reino Unido, de uma ‘arbitragem internacional’ onde, depois de ‘perder’, será ‘forçado’ a entregar Assange – e, assim, evitar um processo por extradição ilegal. Isto significará o risco dele ser imediatamente entregue aos Estados Unidos onde, muito provavelmente, será declarado espião e condenado à morte.

UMA VIAGEM PELA VIDA DE ASSANGE

Segundo Christine, mãe de Julian Assange, seu filho foi criado para sempre se colocar no lugar dos outros a fim de exercer a compaixão. Se visse um bêbado na rua, parava para ver se ele estava bem e como poderia ajuda-lo. Com valores muito sedimentados no sentido do respeito ao próximo, ele procurava não mentir. Jamais. 

Por outro lado, se Julian entrasse em uma disputa com outra criança, sabia que ela nunca ficaria do seu lado só por ele ser seu filho. Então, isto certamente lhe forneceu uma noção bastante clara de justiça.

Além de gostar de tocar instrumentos e de apreciar música de uma maneira geral, Julian adorava aventuras como escaladas, por exemplo. Era destemido por natureza.

Quando garotinho, costumava construir jangadas para passear no rio e estava sempre explorando florestas. Aos 24 anos, chegou ao deserto da Tasmânia com apenas uma faca e se colocou diante da natureza a fim de experimentar sobreviver nestas circunstâncias. 

Logo, a ideia de Julian ser esse nerd atrás de um computador, segundo ela, sempre foi completamente equivocada.

‘Jules’, como costuma ser chamado pela família, sempre foi um profundo interessado na busca da verdade, não importava qual assunto envolvesse – medicina, meio ambiente, natureza, física, etc. 

Segundo seus amigos, Julian Assange é um homem incrivelmente motivado, com um intelecto impressionante e um QI muito acima da média. Ele também tem, em raras ocasiões, um senso de humor ácido e, às vezes, até autodepreciativo.

Para Peter Graham, seu amigo na escola de Goolmangar, na Austrália, Julian era um garoto loiro, cabelo na altura dos ombros, educado e com um estilo de vida alternativo. 

Daniel Matthews, seu amigo da universidade testemunha: “Julian e eu estudamos matemática na Universidade de Melbourne (Austrália). Eu sempre o achei inteligente, brilhante e eclético. Ele já era um apaixonado pela justiça e pelo livre fluxo de informações e ideias. Sei que esta forma de pensar, lhe rendeu grandes custos pessoais. O acusam de ser portador de algumas idiossincrasias. Quem especula isto não faz ideia do que se passa na cabeça de um matemático.

Iain Overton, editor do Bureau of Investigative Journalism no Reino Unido, diz ter conhecido Julian quando este convidou seu jornal para examinar os Registros da Guerra do Iraque. Comenta que desde o começo ele causou uma boa impressão: “Ele deu talvez a declaração mais dura que já vi na vida para a CNN e, em seguida, como a câmera desligada, transformou-se em um homem caloroso e simpático. Aquele era o homem que se colocou em perigo expondo os segredos dos EUA.”

Alan Rusbridger, editor do Guardian, conta que em sua autobiografia não autorizada, Assange fez o relato de uma maratona de oito horas que tiveram no período que antecedeu a publicação dos telegramas do Departamento de Estado (que teve início no final de novembro de 2010 quando o site WikiLeaks e cinco grandes jornais publicaram documentos oficiais que denunciavam correspondências entre o Departamento de Estado dos Estados Unidos e suas embaixadas ao redor do mundo. O vazamento dos telegramas foi precedido pelo vazamento de documentos da Guerra no Afeganistão e pelo vazamento de documentos da Guerra do Iraque). Relata: “O australiano de cabelos grisalhos falou abertamente. Lembro-me de pensar que, em uma vida diferente, ele poderia ter sido um CEO ou COO. Ele era inteligente, calmo e incisivo”.

A jornalista Heather Brooke cita que a primeira vez que avistou Assange, ele estava convencido de que um franco-atirador estava mirando-o pelas janelas de um centro de conferências. Algumas horas depois, ele estava feliz digitando na frente das mesmas janelas: “Perguntei se ele acreditava que era um alvo e ele respondeu que não podia me dizer. Então, cinco minutos depois, ele falou que eu deveria ir a Washington DC para uma coletiva de imprensa. Por quê? Novamente respondeu que não podia me contar. Porém, depois de alguns minutos, me contou sobre o vídeo do Assassinato Colateral*.”  
(*Vídeo vazado pelo Wikileaks que mostra o exército dos Estados Unidos assassinando dezenas de civis na Guerra do Iraque).

Jérémie Zimmermann, amigo e fundador da La Quadrature du Net (grupo francês que defesa e promove direitos digitais e liberdades dos cidadãos) relata: “Quando nos conhecemos em 2009, Julian me pareceu uma das mentes mais brilhantes que já encontrei. Ele tem uma profunda compreensão da tecnologia e sua importância para construir sociedades melhores, onde os cidadãos são mais capacitados do que controlados. Ele é muito autoconfiante, o que é uma boa qualidade na maioria das vezes, mas é por isso que ele precisa de seus amigos às vezes para introduzir algumas dúvidas em sua mente. Com o WikiLeaks, ele chamou a atenção mundial para a denúncia de irregularidades. Ele mostrou que as tecnologias digitais podem capacitar as pessoas, expondo os erros das instituições. As pessoas que o criticam com base em traços de personalidade devem dar uma olhada melhor no que ele produziu e alcançou”.

Mark Stephens, ex-advogado de Assange, assim o retrata: “Ele tem um conhecimento enciclopédico – e quero dizer que uso o verdadeiro sentido da palavra – dos assuntos atuais. Ele pode falar com você sobre qualquer país do mundo com o máximo de detalhes e conhecimentos e insights sobre as nuances da política e assuntos atuais, pois você e eu podemos falar sobre a política britânica. Ele realmente recebe uma reação mista das pessoas. Ele é uma pessoa sobre quem os mitos crescem facilmente”. 

John Pilger, jornalista australiano e amigo, atesta:

Conheço Julian Assange desde o início de sua extraordinária luta em Londres. O que me impressionou de imediato foi seu destemor, embora a coragem seja uma palavra melhor. Ao enfrentar as forças mais vorazes do mundo atual e dizer às pessoas, em muitos países, o que os poderosos dizem e fazem pelas costas, ele se tornou uma espécie de ‘inimigo’ que os jornalistas deveriam usar como distintivo de honra, mas raramente o fazem. O ciúme e a inveja que ele atrai frequentemente vêm daqueles que estão conscientes de seu próprio conluio com o poder e que são implacáveis com alguém que se recusa a se juntar ao seu clube incestuoso. Pessoalmente, acho-o uma pessoa incrível: visitei-o na embaixada equatoriana, tivemos longas conversas telefônicas, muitas vezes nas primeiras horas da manhã, compartilhamos um humor negro semelhante. Dada a sua energia inquieta, seu espírito é notável ​​nas atuais circunstâncias; e ele tem a sorte de contar com o apoio de um grupo de pessoas impressionadas e impressionantes, inclusive sua mãe, Christine. Desejo todo poder para ele.”

Em janeiro de 2017, em entrevista a um jornalista brasileiro, Julian Assange garantiu que o Brasil é o país latino-americano mais espionado pelos Estados Unidos. “A razão é o tamanho da economia e um dos motivos é o pré-sal”, afirmou. Em 2013, Edward Snowden, ex-contratado da agência NSA, já havia relatado que os Estados Unidos contavam com ferramentas para vigiar cidadãos do mundo inteiro, inclusive órgãos e empresas no Brasil.

Neste exato momento, causa profunda estranheza o ‘estridente’ silêncio dos meios de comunicação de maneira geral e das mídias ditas alternativa de maneira particular. Assange caminha para a morte a passos largos e ninguém parece se importar.

Isto posto, afinal, para quem devem dobrar os sinos? Responda você, depois desta breve e contundente biografia.

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Um pensamento sobre “POR QUEM OS SINOS DOBRAM?

  1. Brilhante Assange. Ha um grande plano para destruí-lo, encabeçado por Estados Unidos e Inglaterra. Hoje digo com certeza, “Assange é um Herói”.

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