A ARTE DE ESCAPAR DA MANIPULAÇÃO

Imagem Movimento Marionetes 2

“Nós somos ásperos por força do hábito,
Trazemos o sangue muito quente.
Vivemos de migalhas, promessas e batalhas,
Estamos rindo de nervosos.
Cobertos de feridas num beco sem saída,
No entanto, o coração palpita.”

In: Circo de Marionetes – de Kleiton e Kledir

 

Seria muito bom e saudável se cada pessoa pudesse construir uma vida guiada por suas próprias escolhas e que estas fossem retiradas de experiência pessoais genuínas. No entanto, o que ocorre, em grande parte das vezes, é que as pessoas sucumbem à influência dos outros. Não porque desejem. E nem porque saibam que isto está acontecendo.

E o que é manipulação?

Manipulação psicológica é um exercício perverso que visa obter controle e influência, através da exploração emocional, para alcançar benefícios e privilégios à custa da vítima. 

Logo, se para conseguir algum tipo de benefício você ‘precisar’ enganar alguém, mentir ou ‘forçar a barra’, sua prática pode ser chamada de manipuladora, sem dúvida alguma. Se seu intento for alcançado às custas de alguém que não tinha ciência desta finalidade, você, definitivamente, é um(a) manipulador(a).

Para se classificar uma pessoa como manipuladora, leva-se em conta uma série de indícios. E para descobrir se estamos envolvidos com alguém assim, devemos observar não só o outro, mas nós mesmos, a fim de entendermos a dinâmica desta relação.

Ser vítima de manipulação pode ser extremamente prejudicial ao desenvolvimento da vida afetada. É importante perceber o mais rápido possível e tentar encontrar ferramentas para lidar e escapar desta situação imediatamente.

Manipuladores escondem-se sob muitas faces. São também difíceis de serem identificados porque seus métodos são sempre silenciosos e sutis. É como um ataque que se coordena sem que ninguém tenha a menor noção do que está por vir.

Eles possuem características comuns: sabem como detectar as fraquezas alheias e as usam contra a vítima através de maquinações astutas, convencendo-as a desistirem de suas próprias coisas para servirem seus interesses egoístas; suas violações acontecem em ambientes profissionais, sociais e familiares.

Publicamente, parecem pessoas muito simpáticas, cordatas e gentis. Aparentam uma afeição que não sentem e, sendo excelentes na arte de perceber as necessidades dos outros, fingem perfeitamente estarem ali para resolvê-las. 

Pode ser o papai ou a mamãe. O irmão. A ‘melhor’ amiga. O marido. A esposa. O chefe. Enfim, qualquer um.

Utilizam-se do mais poderoso motivador: o medo e a insegurança do outro. Incutem nele a ideia da existência de um perigo potencialmente presente. Desta forma, controlam suas ações convencendo o incauto de que qualquer outra maneira de agir, diferente da que eles “sugerem”, será ruim.

É como a mãe que declara para seu filho que não dorme antes dele voltar para casa. Ou do pai que repete para a filha: “o que os outros vão pensar de você?” É a mulher que vive precisando dos ‘favores’ e da presença do ex-marido. É o rapaz que não consegue sair de casa sem seu ‘melhor’ amigo.

A comunicação com o manipulador invariavelmente traz desconforto. Isto porque inconscientemente, a vítima percebe sua falta de sinceridade e seu jogo perverso.

A convivência cotidiana e regular com ordens e exigências, ainda que disfarçadas de afeto, gera sofrimento significativo na pessoa atingida que, muito provavelmente, passará a vivenciar um ou mais dos seguintes sintomas:

– uma crescente falta de confiança em si mesmo;
– um sentimento de insegurança e de inferioridade na presença do manipulador; depois, esta sensação se expande para tudo e todos que lhe rodeiam;
– uma perda de referência onde o manipulador não estiver presente; 
– problemas de sono: insônia e pesadelos;
– presença de distúrbios alimentares; 
– somatizações do tipo: dores de cabeça, dores abdominais, reações cutâneas, mal- estar difuso e constante, etc.;
– sensação de viver em permanente estado de stress, ansiedade, irritabilidade e fadiga até alcançar a depressão;
– tendência à confusão mental podendo chegar a transtornos graves e  irreversíveis. 

A lista acima apresenta alguns dos processos regularmente observados em pessoas manipuladas sistematicamente.

Mas nem tudo envolve apenas péssimas notícias. A boa nova é que existem maneiras de evitar as armadilhas da manipulação. E as mais importantes são aquelas que contrariem o manipulador. Tais como:

– ouvir com profunda atenção as próprias necessidades e sentimentos;
– analisar o mal-estar tentando identificar suas causas reais;
– manter ou buscar criar um pensamento crítico acreditando nos próprios pressentimentos ou descrenças; 

– treinar a capacidade de dizer “não”; 
– buscar constantemente o autorrespeito; 
– nunca deixar de exercer o direito da réplica;
– recusar-se a assumir as obrigações e responsabilidades que não sejam suas; 

– procurar prestar mais atenção à críticas injustificadas; 
– ter perseverança para obter todos os esclarecimentos que entender necessários;
– considerar com carinho as suspeitas daqueles que criticam esta relação na qual  você esteja envolvido(a);
– procurar informações diretamente das pessoas que já se queixaram do manipulador. 

E, finalmente, assumir atitudes capazes de dissolver relações manipuladoras:

– olhar a realidade de frente e dirigir a vergonha da humilhação não para si, mas para seu manipulador; 
– procurar agir rapidamente para desfazer o laço doentio; 
– listar mentalmente os contra-argumentos para as insinuações do manipulador para que nunca mais se afete com elas;
– mostrar sincera indiferença para com suas tentativas de rebaixamento ou  desestabilização; 

– lembrar-se de que verdadeiros amigos agiriam em seu benefício, ao contrário do  manipulador;  
– distinguir a crítica construtiva da crítica degradante e, diante desta,  exigir do  interlocutor o devido respeito; 
– tomar a liberdade de recusar o que lhe for solicitado, especialmente se você se  sentir pressionado; a frase que pode ajudar é:  “quando se faz um pedido você deve  ser capaz de aceitar tanto um ‘sim’ como um ‘não’”; 
– defender os seus limites, necessidades e desejos até o fim; 
– se opor à chantagem emocional, dizendo que “todos são livres para pensar, sentir  e fazer o que quiserem”.

E, por último (e o mais importante): desistir de tentar mudar uma personalidade manipuladora. Seus argumentos ou até mesmo o seu amor não vão poder mudar nada.

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