EXISTEM MUITOS PSICOPATAS PERTO DE VOCÊ

Imagem Movimento Psicopata 2

“Quanta mudança
Alcança o nosso ser.
Posso ser assim
Daqui a pouco.

Se lembrar não é celebrar,
Dura é a dor quando aflora.
Esquecer não é perdoar,
Se consagrou, sangra agora.”

In: Reticências – de O Teatro Mágico

 

 

Você deve conhecer pelo menos um. Ou vários. Talvez até esteja cercada(o) por uma série deles sem se dar conta. Isto porque nem todo psicopata é um torturador demoníaco que se diverte arrancando as unhas de suas vítimas ou quebrando seus membros enquanto exige confissões que sabe não existirem.

Poucos psicopatas são loucos varridos. Ou sádicos inequívocos e dissimulados. Podem não se revelar um casal Nardoni, uma Suzane Von Richthofen ou um Roger Abdelmassih, médico-estuprador que aparecia como um pop-star nos programas de televisão e capas de revistas.

Também podem não se parecer com um Hitler ou um Pinochet. E acreditar neste mito pode confundir nossa percepção de quem sejam estas pessoas.

Por incrível que pareça, é bem possível que seja aquela conhecida que trabalha como assistente social na prefeitura de São Paulo, recolhendo pessoas na rua e que, contudo, quando conta para seu grupo de amigos aquilo que chama de ‘as façanhas da profissão’,  morre de rir ao lembrar-se da senhora desdentada que, não entendendo a finalidade do seu resgate, pergunta se vão levá-la ao ‘cabeleireiro’. Ou do homem de mãos sujas, cravadas de cicatrizes, que comenta ser alérgico a leite.

Esta criatura, superficial e vaidosa, desdenha da miséria que enxerga diante de si. Tem ‘nojo’ de pobre, incompetente que é para perceber que a indigência (humana) reside nela. E é incapaz de participar de qualquer ação no sentido de ajudar alguém que não seja seu marido ou sua filha. Ainda que nem assim seja crível que os ame de verdade. E sabe muito bem pedir ajuda. Até nas coisas que não necessita.

Outra dessas desagradáveis figuras é capaz de, numa viagem em grupo, fingir ‘esquecer em casa’ as coisas que ficou de levar e, no final, ainda carregar para si o que sobrou. Briga (sempre discretamente) por migalhas e não se importa nunca com o bem estar dos demais. Ainda que finja considerá-los.

É aquela que, numa divisão de conta, sempre arredonda para menos a sua parte e que, num restaurante, inventa uma reclamação contra o atendente para não pagar os 10%. Mesmo que você arque com a despesa por pura vergonha alheia.

O psicopata pode bradar contra a corrupção enquanto sonega todos os impostos da sua empresa e transfere dinheiro para paraísos fiscais, sem sentir a menor vergonha.

Este ser também luta contra o que chama de vantagens exageradas do trabalhador brasileiro ao mesmo tempo em que pratica o trabalho escravo dentro da sua cara e linda fazenda.

É o ‘respeitável religioso’ (seja lá a fé que profira) que prega boa moral e bons costumes enquanto viola crianças e adolescentes indefesos.

O problema da psicopatia (adquirida congenitamente ou através do espelhamento comportamental) é a frequência com que seus sinais permanecem diluídos na tal vida social.

Precisamos entender que a psicopatia faz parte de um espectro onde se tornar um assassino frio é apenas o ponto final. Antes disto, porém, existem diversas formas com as quais o comportamento psicopata se apresenta. E é muito importante considerá-las.

É possível tentar elencar alguns dos traços psicossociais deste tipo, lembrando que nem todos ostentarão a maioria deles e que, em alguns casos, apenas um já será suficiente para enquadrá-lo enquanto forte indício.

Primeiro e principal: todo psicopata é incapaz de sentir empatia por alguém. São insensíveis natos, embora escondam muito isto. Como os limites sociais estarão sempre presentes no decorrer de sua vida, ele acaba por entender o risco de não acobertar este aspecto, digamos, maligno.

Portanto, ainda que pareçam ser um bom pai, uma boa mãe, bom amigo ou boa amiga, filho ou filha, não importa. Ele, no fundo, não se ressente pelo sofrimento do outro. O psicopata é motivado apenas pelo seu próprio prazer.

Não faz ideia do que seja estar na pele de alguém. E o caso de parecer se importar com um filho, por exemplo, é apenas uma forma de dissimular a preocupação consigo mesmo(a). Ou seja: quanto mais o filho estiver ‘melhor’, menos lhe sobrarão preocupações ou obrigações parentais. E esta é apenas uma pequena amostra do seu desvio moral.

Outra das características emocionais é a falta de remorso ou culpa. Esta dimensão emocional explica porque os homicidas psicopatas podem cometer atos hediondos, como assassinatos, e não se sentirem mal com eles.

Um traço interpessoal muito conhecido de um psicopata é sua mentira patológica. Psicopatas mentem constantemente para encobrir seus traços psicopáticos e comportamentos antissociais, ao mesmo tempo em que sentem emoções de maneira extremamente rasa e superficial. 

E, creia, você pode sim JAMAIS desconfiar disto.

E mais: costumam ser muito simpáticos e engraçados (o exemplo da assistente social acima se refere a uma das pessoas mais divertidas com as quais já me deparei).

Também parecem possuir um sentido exageradamente grandioso de autoestima, ao mesmo tempo em que é enganador e manipulador.

Alguns acham os psicopatas intrigantes, ainda que não consigam explicar a razão. 

Penso que o maior motivo de tamanha atração (quase todos os atuais candidatos à presidência são exemplos vivos disto) esteja relacionado ao seu comportamento, uma vez que tendem a enganar ao mesmo tempo em que imitam reações normais, às vezes mudando seus pontos de vista e reações rapidamente. Quer dizer: como não têm o menor senso de bondade ou generosidade e são incapazes de compreender emoções como medo e amor, aprendem a imitá-las com perfeição.

Então, qualquer um pode ser enganado por eles, não duvide disto. Lembre-se de que eles usam doses exageradas de charme com objetivo de disfarçar suas atitudes calculistas que objetivam manipular outrem em proveito próprio.

Apesar de manterem uma espécie de ‘ar de superioridade’ sobre os demais, eles sempre tentam se tornar ‘a pessoa mais interessante do mundo’, contando histórias sobre si mesmos a fim de ganhar a confiança de todos. Aliás, esta é outra faceta evidente neles. Falam muito sobre si. Todas as suas falas referem-se a um eu excessivo e onipresente. Eles entendem de tudo. São engraçados demais, histriônicos demais, espertos demais. Tudo neles é demais. Exagerado. E radical. 

Quando acredita numa coisa (por mais estapafúrdia que seja) este indivíduo jamais apresentará aquele jeito, tipicamente humano, de ouvir uma argumentação contrária, refletir e, quem sabe, repensar e enxergar de um novo modo. 

O psicopata NUNCA refletirá sobre nada porque não possui esta habilidade. Mas saberá fingir reflexões. E como!

Em termos cognitivos, ele entende que suas práticas são erradas e que existem leis e sanções sociais contra elas. Mas, no fundo, não se importa nada com isto. Este é o dado mais assustador porque é exatamente o que o torna impiedoso, além de focado – mesmo que diante de grandes pressões. Logo, só se tornará um criminoso se, apesar de todo o ‘sangue-frio’ que corre em suas veias, agir impulsivamente diante de algum fracasso.

Assim, lamentavelmente, a esmagadora maioria deles em momento algum será identificada e permanecerá entre nós pensando e praticando coisas que ninguém jamais ousará imaginar. Ainda que alguns costumem ser raivosos quando confrontados. 

Estão tão absolutamente imersos em nosso meio que uma pesquisa, coordenada pelo psicólogo Kevin Dutton, concluiu que aqueles que ocupam certos empregos têm maior probabilidade de exibir seus traços. E isto inclui CEOs, advogados, personalidades da TV, vendedores, cirurgiões, jornalistas, policiais, clérigos, chefs e funcionários públicos. Fazendo seus estragos sem ninguém perceber.

E o que essas carreiras têm em comum? Praticamente todas elas requerem comportamentos mais racionais, objetivos, persuasivos e frios dentro da rotina profissional.

Ressumindo: pessoas com traços psicopatas tendem a serem insensíveis, narcisistas, impulsivas (sem parecer), detentoras de um charme superficial, mas convincente, com zero senso de grandiosidade e de sentimento de empatia ou remorso. Tudo junto e camuflado.

Ao contrário dos psicopatas criminosos, os bem-sucedidos conhecem a lei e controlam seu comportamento para evitar problemas reais. Com uma educação e um QI acima da média, este tipo é assustadoramente invisível. E perigoso.

Psicopatas ‘bem-sucedidos’ (ou seja: aqueles que se disfarçam de seres normais) são capazes de regular seu comportamento de uma maneira que os criminosos não são.

No entanto, por detrás da fachada da normalidade, com cuidado, você será capaz de juntar as pistas que o denunciem. Não é tão difícil. Basta atenção às evidências.

Lembre-se de que o psicopata faz parte de uma categoria que sequer deveria ser considerada humana e que a única coisa que deveria nos unir é a nossa humanidade, onde a bondade é a singular e mais importante qualidade.

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