OS PSICOPATAS ESTÃO SOLTOS

Imagem Movimento Violência 1

O dia terminou, a violência continua. 
Todo mundo provocando todo mundo nas ruas. 
A violência está em todo lugar. 
Não é por causa do álcool, 
Nem é por causa das drogas. 
A violência é nossa vizinha.

In: Violência – de Titãs

 

 

No último dia 4 de agosto, o professor Ederson Costa dos Santos, de 29 anos, foi friamente assassinado, depois de uma banal discussão de trânsito, pelo Soldado da Polícia Militar do estado do Maranhão, Felipe Freire Sampaio Gouveia, que estava acompanhado de Thais Santos Rodrigues, considerada coautora do crime.

As imagens divulgadas mostram a vítima descendo do seu carro logo atrás do veículo dos seus algozes e, em seguida, conversando calmamente com eles durante alguns minutos, encostado no seu carro, aparentando tranquilidade com seus braços cruzados.

Quando tudo parece se dirigir a um desfecho pacífico, o criminoso se aproxima do rapaz, saca a arma de dentro da bermuda e, mirando a cabeça, dispara um tiro à queima-roupa, fugindo rapidamente com a comparsa.

Os psicopatas agem abertamente!

E o que dizer de um sujeito chamado Roberto Caldas, juiz, ex-presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos (??!!), que foi acusado pela ex-esposa e sobrevivente Michella Marys, de estupros, espancamentos e ameaças de morte?

Este tipo de psicopata mantem suas brutalidades escondendo-se por detrás das práticas e dos discursos de fúria que infestam as relações sociais e que, também, escorrem feito sangue frio e viscoso pelos programas da televisão e através de links na internet em geral e nas redes sociais em particular.

Os psicopatas agem como se fossem meros seres humanos e como se a fúria que praticam fosse algo natural.

Banalizou-se a agressão como uma resposta aceitável não só em relação a tudo aquilo que se contrapõe ao que resolvem chamar de “certo” como, também, para que estas feras – que se acham mais espertas que os outros – façam valer sua vontade cega e egoísta.

Continuarão estas pessoas a mostrar sua faceta de ódios exacerbados, porque nenhuma medida as aconselha a parar.

Não existem leis contra ódios disseminados.

Muito embora todos saibam que é exatamente este o sentimento que mais cria guerras e mata pelo mundo afora, ainda que seu portador sequer saiba por que odeia e para o que serve tal cólera, por detrás dele existe um pequeno, organizado e poderoso grupo que sabe exatamente aonde vai dar o descontrole coletivo.

Este, sim, é formado por pessoas cientes do que provocam, mas que não se preocupam com o resultado de tamanha insanidade. Gente que tem interesses muito claros e destrutivos, afinal: – Que se danem os demais seres humanos – desde que eu consiga obter tudo aquilo que desejo: dinheiro, prestígio e PODER! Feito meninos mimados que precisam ter TUDO e que nunca parecem estar saciados.

Então, se nos programas de televisão chovem exemplos de violência, esta não é uma mera coincidência!

A divulgação sistemática e a vulgarização da brutalidade cometida por uma percentagem mínima da sociedade (sim, estudos estatísticos apontam claramente para este dado) disseminam a violência como “banalidade”. Ou seja: ao rever centenas de vezes a cena onde o rapaz, que não oferece qualquer resistência, é ferozmente agredido por um policial, o espectador, numa atitude de defesa, começa a encarar a cena como algo “natural” e humanamente concebível.

Já afirmei aqui que nossa psiquê absorve cada cena de violência, repetida à exaustão, como se fosse a primeira vez. E, assim, para defender sua sanidade básica, ela passa a registrar aquilo como “procedente” e natural.

Como um pedreiro e seus calos, que se formam a partir do impacto sofrido, que persistem para defender o dedo e, desta forma, torná-lo mais “tolerante” frente as agressões sofridas.

A propagação da violência produz, neste sentido, um calo emocional que, com certeza, nos tornará mais frios e indiferentes transformando, para pior, o futuro das nossas próximas gerações.

Daí a ideia de que estamos criando pessoas mais insensíveis, individualistas e egoisticamente ‘autocentradas’ (logo, esvaziadas de humanidade) é tão previsível quanto perturbadora. Ou você ainda duvida disto?

Vários estudos desenvolvidos em diferentes países dão conta da ausência de uma percepção mais crítica da relação entre a violência “fora de si” e a prática de atos violentos “a partir de si”.

O que significa que o agressor é, na maioria dos casos, INCAPAZ de se autocriticar. No máximo, sabe que precisa esconder suas ofensivas por que entende que os demais não entenderão sua “supremacia”.

Um dos levantamentos apontou que, por exemplo, entre adolescentes e adultos jovens expostos a programações que abordam a violência por mais de três horas diárias, a possibilidade de incorrer em práticas violentas aumentou CINCO vezes em relação àqueles que acompanham a mesma programação por menos de uma hora/dia. Este estudo tornou-se emblemático não apenas pelo resultado em si, mas, também, pela metodologia criteriosa que estudou 707 famílias por VINTE E CINCO anos!

Isto, por si só, deveria ser o suficiente para que governos sérios e comprometidos com seu povo banissem de vez atrações muito conhecidos na televisão brasileira que, diariamente, oferecem um coquetel indigesto de violências de todos os tipos e maneiras.

Estes conhecidos programas são apresentados, na sua grande maioria, ao vivo e apresentam toda a sorte de selvageria, além de expor situações onde as pessoas mais simples e desinformadas sequer podem se defender. Não existe qualquer sinal de respeito à já tão degradada condição humana.

Durante os diversos episódios que assisti para conseguir escrever o presente texto, observei situações claras de pré-julgamentos de todos os tipos com acusações e defesas que navegam ao bel prazer do “apresentador” que, provavelmente, se julga um “deus” para tanto; humilhações públicas e sem cortes cometidas por repórteres mais interessados em ganhar seus parcos ‘segundos de fama’ do que em respeitar as pessoas que entrevistam; defesas descaradas de determinadas práticas ilegais como se fossem concebíveis (matar ‘bandido’ é a mais difundida delas); tratar as mulheres, de maneira geral, com deboche e descaso e mais uma série de outras coisas que deveriam ser tema de investigações sérias e envolvidas com a defesa da saúde mental da população.

Portanto, vai aí uma ideia: desligue os seus televisores nesses (e em tantos outros) horários. Acompanhe portais menos comprometidos com este tipo de prática que preconiza que quanto mais violência mais audiência; leia mais livros, converse mais com seus filhos, seus amigos, seus vizinhos.

Desligue a TV – sua saúde mental agradece!

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Se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

 

3 pensamentos sobre “OS PSICOPATAS ESTÃO SOLTOS

  1. A minha TV permanece o dia todo desligada…..há tempos percebi muitas das coisas descritas acima…ótimo post…parabéns!Se para muitos de nós adultos essa violência toda tem um efeito maléfico…imagino para as crianças …

  2. Pingback: OS PSICOPATAS ESTÃO SOLTOS — O sentido do ser – O PODER DA LEITURA

  3. Esses programas que irradiam violência, só querem audiência para que os patrocinadores aportem mais dinheiro no seu merchandising. E com isso, acabamos exacerbando o medo dentro de nós.

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