SEPAROU? SIGA EM FRENTE!

Imagem Movimento Borboleta no Dedo

“Melhor assim.
Pra que fingir se você já não tem amor,
Se teus desejos já não me procuram mais,
Se na verdade pra você eu já não sou ninguém.

De coração,
Eu só queria que você fosse feliz.
Que outra consiga te fazer o que eu não fiz,
Que você tenha tudo aquilo que sonhou.”

In: Separação – de Paulo Sérgio Valle

 

 

Existe a possibilidade de passar por uma separação sem sofrer?

Infelizmente, com toda honestidade, minha tendência é responder que não. Porque, antes de qualquer coisa, precisamos reconhecer que a dor é inerente a todo e qualquer tipo de rompimento. 

E, pensando bem, a busca desesperada pelo ‘bom divórcio’ decorrido na mais absoluta ‘serenidade’, pode ser realmente contraproducente. Muitas vezes ouvi pessoas afirmarem uma insólita convicção de que sua separação amigável não seria nada triste ou difícil, mas nunca vi isto acontecer de verdade.

Entendo que você tenha que conceber que pode se machucar. E, uma vez que aceite isso, evitará que as coisas fiquem difíceis demais quando a dor chegar.

Mesmo aquelas pessoas que garantem segurança no desejo de escapar de um ‘casamento ruim’ podem subestimar a sensação de perda que identificarão dentro de si.

Fundamental, também, é não deixar que a culpa fique fora de controle. Embora possamos prometer ficar com a mesma pessoa pelo resto dos nossos dias, já deveria soar muito estranho (e totalmente duvidoso) assegurar que vamos conseguir ser o mesmo ser humano pelos próximos cinco meses, concorda?

Tão bom seria se, simplesmente, pudéssemos evitar promessas que não poderemos cumprir, não é mesmo?

A solidão é algo que muitas pessoas temem, porém, não deveria ser motivo para achar que você tomou a decisão errada. Você pode até sentir um pouco de pânico e começar a perguntar: ‘O que acontece se eu estiver doente e não houver ninguém para cuidar de mim?’ É imprescindível conceber que sentir medo é normal. E que a pior coisa que ele pode fazer é lhe induzir a pular da frigideira para o fogo. Percebeu?

Portanto, quando apenas um dos dois parceiros entende que a história em comum ‘acabou’, o outro pode, é claro, começar a resistir a esta realidade. 

Parece estranho, mas as pessoas costumam não se espantar com o fato de o relacionamento estar em apuros  – mas ficam muito chocadas quando seu parceiro confessa desejar o divórcio. Engraçado?

O medo da perda da ‘identidade de casal’, aliado ao medo de mudar, de ficar sozinho, de ‘começar de novo’ (e quando é que não estamos começando de novo?), retira o melhor de nós. A resistência é prejudicial porque nos leva a uma perda de uma energia significativa que nos fará falta logo adiante.

O fato é que parecemos sempre prontos para lutar contra aspectos incômodos da nossa realidade. Mais do que gostaríamos, muitas vezes pensamos e agimos com medo das possíveis carências futuras, em vez de focarmos na esperança de algo melhor, como a abertura para uma vida mais produtiva e feliz. 

É preciso um ato de coragem e de vontade para fazer a mudança na direção de uma aceitação mais radical. Nossa mente não faz facilmente essa transição, pois tememos parecer estarmos nos rendendo, perdendo ou nos tornando uma vítima em potencial. 

No entanto, é o contrário que acontece. Quando nos damos conta do quão bom é reconquistar a energia vital que foi liberada assim que se desiste da resistência em se manter sofrendo numa relação desgastada, é possível vivenciar, com crescente satisfação, o bônus representado pela aceitação sobre a resistência: uma existência aberta para novos relacionamentos amorosos e até mesmo para um novo e belo equilíbrio no antigo relacionamento fragmentado. 

Afinal, quem é que não casou com o firme desejo de manter-se naquela união até que a morte os separasse? Parece que não nascemos aparelhados com o “desligadômetro” necessário para sobrevivermos, sem grandes marcas e muita dor, a este desenlace.

E está feito o estrago.

Algumas vezes, sem que ninguém pareça se dar conta, surpreende-se o casal com os conflitos instalados e, o que é pior, muito mal elaborados. Passado o tempo, resta pouco, quase nada, daquela harmonia, da afeição derramada e da felicidade transbordante que iluminava com seus 4000 watts de vapor de sódio toda a escuridão do mundo no início do idílio.

A separação ou o divórcio não são apenas eventos meramente legais, mas um processo psicológico e social. É sobre duas pessoas que estavam apaixonadas e sobre a confiança e as expectativas que mantinham entre si. Um acordava diariamente ao lado do outro. Agora, ambos precisam transformar suas vidas e rotinas. Mudar o modo como viviam. E tudo isto, creia, requer um ajuste enorme.

Sempre proponho a criação de certo distanciamento como primeiro passo. Não ajuda ficar em contato permanente com o parceiro.  Se vocês têm filhos, é claro que é necessário – ou se vocês tem um negócio comum – desde que se mantenha tudo de forma prática e objetiva, ainda que com algum tipo de negociação ou mediação externa.

Talvez a parte mais importante de sobreviver a um divórcio, no entanto, seja dar a si mesmo a chance de sofrer pelo que você perdeu. Talvez você não tenha perdido apenas um marido, mas um amigo, um confidente, trocador de lâmpadas, um chofer – ou alguém que trouxe alguma luz à sua vida. Ou desgaste.

Você também pode ter perdido seu senso de identidade e aspirações. Você pode ter tido um relacionamento infeliz, mas você também perdeu um sonho: a ideia de que vocês ficariam juntos para sempre. Nunca tente menosprezar sua dor – é uma reação necessária. Sofra.

Sofra com um amigo em quem você confia – o melhor momento para chorar é quando há alguém para lhe ouvir. Não para assegurar-lhe que está tudo bem, mas para ajudá-lo a superar sua dor. Sofrendo.

Estar sozinho pode ser abrir preciosas chances de aprender novas habilidades. Estabeleça uma meta de que, a cada três meses, você tentará algo novo que envolva socialização – ingressar em um clube de cinema ou aprender um idioma, por exemplo. Também será um bom momento para aprender a ficar sozinho (a). Um paciente me disse recentemente: ‘Pela primeira vez escolho ficar sozinho porque percebi que é bem melhor do que estar dentro de um relacionamento ruim. Nunca havia percebi isso antes. Estar sozinho significa estar sozinho sem estar sozinho”.

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