A EMPATIA CONTRA O INDIVIDUALISMO

Imagem Movimento Empatia 2

“Tudo é um rio refletindo a paisagem,
Espelho d´água levando as imagens pro mar.
Cada pessoa levando um destino,
Cada destino levando um sonho
E sonhar é a arte da vida.
Sonhar nas sombras de um jardim,
Nas noites de lua que não tem fim.”

In: Espelho D’Água – de Almir Sater

 

Um dos lugares onde, infelizmente, o foco no individualismo mais se encontra fica dentro do ensino de História. A maioria dos estudantes não aprende nada sobre movimentos coletivos. Nas escolas secundárias esses eventos são citados, geralmente, através das figuras de ‘corajosos paladinos’, ou seja, meros e solitários indivíduos.

Isso ajuda a reforçar a ideia de que o processo histórico é construído por “grandes homens” e pelo funcionamento heroico destas pessoas. 

E este é um enorme equívoco histórico.

Nenhum desses “heróis” – como no caso de Martin Luther King, apenas para citar um exemplo – nada seria sem o trabalho das centenas, milhares de pessoas, como os Black Panthers, ou os demais milhões de negros que apoiaram sua causa – antes e depois dele. 

Sem outros seres humanos empenhados na mesma luta, esses homens não teriam sido ou produzido coisa alguma

Eles eram especiais? Muito provavelmente sim. Eles tocaram em algo de uma forma que ninguém anteriormente havia conseguido? Absolutamente sim! Eles poderiam ter feito isso apenas por seus méritos? Definitivamente não!

Eles tiveram que ter compreensão e empatia pelas pessoas que vieram antes deles e as que trabalharam ao lado deles. Não porque possuíssem uma existência mais valiosa do que o resto dos seres humanos, mas porque eles simplesmente entenderam que cuidar de si mesmo e só de si mesmo é uma maneira perigosa e imoral de viver. E é por isso que eles conseguiram alcançar tantas vitórias. 

A empatia é a antitética do individualismo. O individualismo nos obriga a pensar em nós mesmos primeiro e todos os outros em segundo lugar – e apenas ‘se for o caso’. 

Isso é tóxico e perigoso. 

Afinal, o mundo só será transformado se as pessoas boas se identificarem. Certo? E como será que podemos identificar seres tão empáticos quanto a gente reconhece ser?

A empatia exige que você se junte a um grupo, que você faça sua parte para os outros. E dar parte de você não significa perder nada, só significa que você estará ganhando uma outra coisa. Muito mais poderosa.

Ultimamente, temos nos deparado com uma figura patética e raivosa que desponta, nas esquinas e nas redes sociais, com um tipo de pensamento que parece ser assim produzido: 

“Não ligo a mínima para o que os outros sentem. E se eu escancarar o que penso sentir, independente da forma ou do momento, vou me livrar desta desagradável sensação – que não entendo, mas que muito me incomoda – simplesmente vomitando-a para fora. Não me interessa como isto atingirá os demais. Eu não penso. Apenas reajo, grito e machuco. Exponho o que trago por dentro do jeito que bem entender. Danem-se todos. Menos eu.”

Essa concepção individualista de livrar-se do que incomoda, doa a quem doer, é um fenômeno bastante característico da sociedade em que vivemos. Assim, como mercadoria, trata-se os sentimentos. O que parecer ruim é descartado e o que ‘servir’, preservado. Sem uma mínima nota reflexiva.

Portanto, os iguais na idiotia almejam se livrar dos diferentes porque estes pensam. E pensar está se tornando uma prática muito perigosa ultimamente.

Então…. vamos pensar juntos?

É fundamental entender que quando estamos verdadeiramente ouvindo, estamos fisicamente presentes e atentos: o outro não está sozinho, mas pode tomar suas próprias decisões em relação à sua vida sem que nossa fala dite um procedimento a seguir. 

Assim, a empatia exige uma atitude de escuta ativa, respeitosa, separada de qualquer julgamento, a fim de tentar entender o raciocínio do outro. A empatia é sincera e pode ser definida como a capacidade de acomodar as emoções, comportamentos, percepções e opiniões uns dos outros. 

Isso implica aceitar as peculiaridades de cada um e estar aberto ao outro, no que ele é, sem julgamento, sem necessariamente concordar ou sentir os mesmos sentimentos que ele. 

A empatia – o poder de compreender outras perspectivas além das suas – é uma habilidade essencial e fundamental para construir pontes entre os indivíduos, entender as emoções complexas uns dos outros, ganhar uma perspectiva diversificada e alavancar relacionamentos para colaboração e progresso comum.

A simpatia é um processo superficialmente emocional. Já a empatia envolve emoções mais profundas. Sentimos o que os outros sentem porque compartilhamos os mesmos sentimentos. Nós não entendemos apenas a emoção dos outros, nós a sentimos como nossa e, desta forma, argumentamos com nossa própria razão. Inclui perspectivas, pensamentos, desejos ou crenças que interessam a quem está sentado diante de nós.

A maioria de nós, fala prestando mais atenção às próprias emoções do que ao que as emoções dos outros nos dizem. Nós ouvimos pensando sobre o que iremos dizer a seguir, ou pensando em que tipo de experiências próprias podemos trazer para a situação. 

Aprender a ouvir envolve concentrar toda a atenção sobre o outro, quando ele fala, e parando de pensar no que queremos dizer ou o que faríamos no seu lugar. Pessoas com grande capacidade de empatia são capazes de sincronizar sua linguagem não verbal com a de seu interlocutor. Elas são capazes de interpretar tais indicações através da mudança no tom de voz, gestos ou movimentos que realizamos inconscientemente, mas que fornecem uma grande quantidade de informações.

No entanto, deve-se ter em mente que um excesso de empatia também pode ser um problema. Uma pessoa tremendamente empática vive exposta a um complexo universo de informações emocionais, doloroso e intolerável, que os outros simplesmente não percebem, mas que também representa uma constante fonte de estresse.

Apesar da sua importância, a empatia é ainda uma habilidade. E, como todas as habilidades, interpessoais ou não, pode ser desenvolvida completamente ou…. ignorada. 

Entender e refletir acerca das emoções, é chave para a construção de relacionamentos saudáveis, construtivos e produtivos, enfim.

À medida que sejamos capazes de compreender as perspectivas dos outros, seremos também mais capazes de controlar, desenvolver, nos conectar e nos motivarmos de forma mais humana e feliz para, então, alcançarmos uma existência mais plena, digna e justa.

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