FEMINISMO SIM!

Imagem Movimento Feminismo 3

“Todos os homens desse nosso planeta
Pensam que mulher é tal e qual um capeta.
Conta a história que Eva inventou a maçã.
Moça bonita, só de boca fechada,
Menina feia, um travesseiro na cara,
Dona de casa só é bom no café da manhã

Então eu digo:
Santa, santa, só a minha mãe (e olhe lá).
É canja-canja,
O resto põe na sopa pra temperar!”

In: Elvira Pagã – de Rita Lee

 

Bárbara Penna tinha 19 anos, uma filha de 2 anos, um bebê de 3 meses e uma vida pela frente. Pediu a separação do marido que diuturnamente a espancava e um dia acordou sendo por ele agredida. Desmaiou. Recobrou a consciência com o corpo coberto de álcool e correu para pedir ajuda. O agressor, então, ateou-lhe fogo e jogou-a da janela do terceiro andar. O resultado de tamanha brutalidade foi a morte das duas crianças e de um vizinho que tentou socorrê-la. Hoje, depois de 224 cirurgias, ela sobrevive com profundas e dolorosas sequelas. Físicas e emocionais.

E tudo porque é uma mulher. 

Estatística Oficial: 1 de cada 3 brasileiras foi vítima de VIOLÊNCIA no último ano. E 503 mulheres são vítimas de agressão A CADA HORA neste país.

No dia 6 de dezembro de 1989, Marc Lépine matou 14 estudantes da École Polytechnique de Montréal simplesmente porque eram mulheres. Outros 4 estudantes homens também ficaram feridos. O assassino invadiu a classe exigindo que os homens ali presentes saíssem e abriu fogo contra as estudantes enquanto gritava um discurso antifeminista. Depois disto se suicidou.

O crime ficou conhecido como O Massacre de Montreal.

Na época, em vez de destacar a importância do feminismo em nossa sociedade, esse trágico evento teve o efeito perverso de questioná-lo. Muitos alegaram que as feministas estavam indo longe demais em suas demandas. Que estariam mantendo uma guerra injustificada contra homens.

No artigo “Feminismo, onde estamos?”, publicado em abril de 1990, muitas mulheres afirmaram aderir aos valores da igualdade de gênero, mas se recusaram a endossar o rótulo das feministas. Neste período chegou-se a dizer que a palavra era “tão carregada de uma conotação negativa que tornou-se socialmente aceitável chamar-se antifeminista“.

A jornalista Francine Pelletier, co-fundadora da revista La Vie En Rose, explicou o fenômeno: “No momento em que as desigualdades mais flagrantes pareciam ter se tornado coisas do passado, os críticos do movimento se sentiram no direito de expressar dúvidas sobre a validade do feminismo“.

A partir de 1994 houve uma espécie de retomada do movimento. Uma nova geração de ativistas redefiniu o significado, esclarecendo (como se necessário fosse) que era absolutamente possível ser feminista e feminina ao mesmo tempo: “Nós temos que parar de dizer que existe uma ‘boa maneira’ de ser feminista. Podemos odiar o sexismo enquanto amamos os homens“.

Portanto, se você reconhecer abaixo umas das ideias que está acostumada(o) a ter sobre o feminismo, sossegue. É normal, pode acreditar. Ou melhor: é compreensível. E a boa notícia: dá pra mudar!

Conheço tão poucas pessoas livres de preconceitos contra as feministas que prefiro pensar tratar-se exclusivamente de falta de informação ou uma melhor reflexão acerca do papel da mulher que você é ou das que vivem próximas a você.

Ainda que persistam argumentos odiosos do tipo: ‘Feministas querem que as mulheres sejam superiores aos homens’, ‘O feminismo é um machismo de cabeça para baixo’, ou ‘É um movimento formado por histéricas, amarguradas, mal-amadas e incapazes de raciocinar’, ainda assim, sabemos que por séculos a “ciência”, desenvolvida e controlada pelos homens, não se absteve de proclamar diferenças absolutas entre os sexos onde, claramente, a soberania fisiológica, psicológica, neurológica e tantas mais pertenceriam aos…. (adivinhem?) homens!

O feminismo denuncia a violência contra as mulheres. Isso não significa que esta seja praticada sistematicamente por todos os homens, mas, sim, que existe uma tendência social de tolerância a essa violência. A sociedade certamente permite que os homens dominem as mulheres, mas nem todos usam essa ‘ferramenta gratuita’ à sua disposição.

Infelizmente, persistem muitos preconceitos em torno do significado do feminismo.

No imaginário coletivo (sobretudo masculino) a feminista se apresenta como uma mulher que, incondicionalmente, odeia os homens, não quer ter filhos, não usa maquiagem e não possui vaidades.

E, evidentemente, nada disto está certo. O feminismo é um movimento (e um pensamento) nascido com o objetivo de libertar as mulheres do estado de inferioridade que lhe foi cultural e socialmente imputado, assim como para defender seus direitos.

A mulher do passado era vista não só como uma ‘rainha do lar’, completamente dedicada aos seus filhos e marido, mas também como um ser inferior ao homem que, por essa razão, não poderia participar da vida social, econômica e política da sociedade.

E todos sabem nos horrores que este pensamento redundou e ainda redunda.

Basta dizer que o voto passou a ser um dever das mulheres brasileiras apenas em 1946 e que Israel, recentemente (2010), ainda discutia a separação de homens e mulheres (em nome da ‘preservação da decência’) dentro dos ônibus públicos – defendida pelo então Ministro dos Transportes, Israel Katz.

As feministas naquela época, na verdade, eram mulheres batalhadoras que, cansadas de serem subordinadas aos homens, tiveram a coragem de levar a luta às ruas a fim de reivindicarem direitos publicamente.

Desta forma, o feminismo que surgiu em 1970 tem em seus fundamentos raízes muito mais profundas.

No final de 1791, de fato, Olympe de Gouges, pseudônimo de Marie Gouze, dramaturga, ativista política e abolicionista francesa, escreveu uma das primeiras declarações a favor dos direitos das mulheres ( Declaração dos direitos das mulheres e dos cidadãos). Por isto, foi condenada à morte e guilhotinada.

Ao longo do tempo, esse movimento sofreu uma série de mudanças, também ditadas pelo contexto, mas o significado mais profundo permaneceu inalterado.

O feminismo significava, significa e sempre significará liberdade e igualdade.

Hoje, as mulheres querem ser livres para escolher em qualquer área de sua vida, assim como podem os homens.

Isso significa que não devem existir empregos masculinos e empregos femininos. Também porque, astutamente, os homens sempre conquistaram os empregos mais lucrativos e poderosos.

Basta pensar nas políticas em que as quotas femininas ainda são uma minoria e os trabalhos mais bem remunerados são basicamente dominados por homens.

O feminismo hoje busca a abolição de todos os preconceitos tão intensamente propagados e que defendem papéis estereotipados para as mulheres como donas de casa ou mães irresponsáveis que trabalham fora. Além da famigerada mulher-objeto que torna a beleza feminina um atrativo para agradar unicamente o ego masculino.

Se assim não é, o que explica o dado, recentemente divulgados, dando conta de que 76% dos nudes nos mais importantes museus do mundo representem corpos femininos enquanto apenas 4% dos artistas ali expostos são mulheres?

Ou o que dizer do fato de que as maiores universidades do planeta sejam frequentadas por muito mais mulheres do que homens e, apesar disto, elas façam parte de menos de 20% (em algumas, menos de 5%) do corpo docente?

Pense. Reflita. Não custa nada. 

E, daí, você pode melhorar o mundo. Quem sabe?

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Um pensamento sobre “FEMINISMO SIM!

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