COMO SOFREM AS MULHERES

Imagem Movimento Mulher 2

“Mulher é muito mais que ter um sexo,
É mais que ser do homem
complemento,
É mais que ser o avesso e o diverso.
Mulher é muito mais que sofrimento.”

In: Mulher da Vida – de Milton Nascimento

 

 

 

Parece que alguns cientistas andam tentando descobrir porque homens e mulheres mantêm comportamentos tão diferentes diante de um rompimento amoroso. De acordo com estudo feito por americanos e ingleses (sempre eles…), dirigido pela Binghamton University de New York e pela University College de Londres, publicado na revista Evolutionary Behavioral Sciences, as mulheres decididamente sofrem mais.

Mas quem não sabia disto, afinal?

O estudo jura ter se baseado em uma significativa amostragem: 5705 pessoas em 96 países. Estes indivíduos responderam questões sobre suas histórias de amor e seus sentimentos após uma separação.

Para sustentar o que, cá entre nós, todos já previam, a pesquisa mostrou que a média de dor emocional feminina, classificada entre 1 e 10 (sendo 10 a de maior grau), alcançou o número 6,84 enquanto os homens registraram uma média igual a 6,58. A dor física experimentada após a ruptura também foi quantificada: as mulheres, novamente, foram as mais afetadas, com dor de 4,21 em média, em comparação aos 3,75 para homens. 

Mas, a longo prazo, são os homens que acham mais difícil aprender as lições das dores de amor, enquanto que as mulheres emergem emocionalmente mais fortes de suas desventuras amorosas.

Jura que precisou de um estudo pra chegar a esta conclusão?

Craig Morris, um dos pesquisadores ‘garante’ (ah, esses homens sabidões…) que as mulheres investem mais do que seus parceiros nos relacionamentos. Daí conclui: “As mulheres são mais propensas a dar muito mais em um relacionamento do que os homens. Um breve encontro pode levar a nove meses de gravidez e vários anos de amamentação e cuidado para uma mulher, enquanto o homem pode ‘deixar a cena’ poucos minutos depois, sem nenhum compromisso adicional” diz, soberano, o ‘acadêmico’.

Sem comentários. E precisa de um?

Mas, sem chover no molhado, vamos pensar na razão pela qual tanto sofrem as mulheres?

Na minha experiência clínica pude observar que, de maneira geral, as mulheres relatam níveis mais elevados de ansiedade beirando o colapso físico que pode envolver dores generalizadas, insônia, taquicardia e toda uma gama de sintomas psicossomáticos não comparáveis aos relatados por seus pares. Porém, elas também mostram uma capacidade de recuperação invejável, conseguindo reconquistar o bem-estar físico e psicológico em pouco tempo. 

Os homens, que parecem absorver melhor o impacto inicial, caem nas armadilhas da ‘solteirice’ por um tempo maior e só se apercebem disto quando se dão conta da sua solidão ou se deparam com suas decepções e mágoas mais profundas. Arrisco dizer que os homens nunca se recuperam, eles simplesmente seguem adiante.

A suspeita de que a mulher não precisa ter um ‘caso’ para decidir se separar e de que o homem, muitas vezes, só toma esta iniciativa se já tiver algo ‘engatilhado’ do lado de lá, não é de todo equivocada. Aliás, me parece bastante razoável. Assim como perceber que quem mais decide uma separação é a mulher. O homem vai, por assim dizer, ‘levando’.

A diferença de comportamento teria uma base profundamente humana: o fim de um relacionamento apresenta, historicamente, mais riscos para a mulher. Significa que ela, muito provavelmente, será obrigada a criar seus filhos sozinha, sem meios sólidos de subsistência ou algum tipo de proteção. No entanto, superado o momento sombrio, ela terá condições de se dar a chance de encontrar um novo parceiro confiável sem, também, deixar de tentar garantir um futuro mais seguro para a prole. 

Por outro lado, os homens estão menos inclinados a deixar tudo para trás e começar do zero. Para eles, o fim de um relacionamento significa, acima de tudo, ter que lutar novamente e enfrentar o medo de ser incapaz de competir ou o de chegar à conclusão de que o amor perdido é insubstituível.

E por que as mulheres, apesar de seus indiscutíveis recursos, demoram tanto para tomar decisões que desemboquem numa separação?

Porque, aparentemente, elas aprenderam a sustentar a ideia que mantêm de si mesmas na qualidade e longevidade dos seus relacionamentos afetivos. Provavelmente por conta disso, uma relação ‘mal sucedida’ tenha tamanho impacto tanto no aspecto físico quanto no emocional.

As mulheres, de uma maneira geral, funcionam meio que como aqueles acumuladores que morrem de medo de jogar fora suas quinquilharias, suas pequenas ou grandes lembranças – mesmo que essas já se encontrem ultrapassadas ou até inutilizadas. Resistem impassivelmente às mudanças, não conseguem se desfazer do que de tão deteriorado já se tornou dispensável e se apegam ao acessório como se fosse o último barco em direção à terra prometida. Desta forma, vivem guardando sentimentos e esperanças para tempos melhores que, via de regra, jamais virão.

Outras duas recentes pesquisas apontaram para o fato de que 20% dos casais se sentem presos ao casamento porque acreditam serem incapazes de pedir a separação – principalmente por motivos financeiros. E só. Mas  registram também que uma em cada dez pessoas sente estar em um matrimônio sem amor e que 15% dos entrevistados gostariam de ter casado com outra pessoa. As informações são do site Female First.

As pesquisas confirmaram que o estresse causado por um casamento infeliz pode afetar seriamente a saúde física, além da psíquica. Sugerem que pessoas insatisfeitas com seus parceiros podem apresentar maiores riscos de depressão, pressão alta e até mesmo doenças cardíacas. A partir destes dados planejam fornecer evidências representativas de como os casamentos podem afetar a saúde cardiovascular.

Segundo o cardiologista Marcelo Assad, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio “A depressão é indiscutivelmente a doença do século. A manutenção de um relacionamento falido perpetua um ciclo de stress, diminuição da autoestima e falta de perspectivas“.

Atualmente, uma em cada quatro pessoas morre em decorrência de problemas cardiovasculares (o AVC entre eles) – sem contar as que sobrevivem com sequelas.

O desgaste proporcionado por um casamento infeliz pode também levar a práticas muito pouco saudáveis como sedentarismo, fumo e bebida. Além de pouco prazer com as atividades cotidianas assim como com as de dentro das relações interpessoais.

Mas, por outro lado, também sabemos que a separação é um dos maiores dramas humanos, mesmo quando o casamento está repleto de problemas. O indivíduo fica encurralado: se permanece, é infeliz; se sai, se sente culpado e também é infeliz.

De acordo com os citados estudos, 85% dos adultos enfrentaram pelo menos um abandono ‘desastroso’ que afetou significativamente a qualidade de vida. Há quem perca o trabalho, que deixe os estudos, que passe a se utilizar de álcool ou outros tipos de drogas. 

Logo, é bem provável que a maior parte dos casamentos dure o dobro do que deveria e só se estenda pelo medo ou pela covardia dos parceiros.

Em contrapartida, estudos muito sérios realçam que a felicidade encontrada dentro dos bons relacionamentos reforça a capacidade de manter equilíbrio físico e mental.

Sem dúvida nenhuma, laços afetivos cercados da matéria prima oriunda da lealdade e da confiança e sedimentada pelo carinho e pelo apreço, são projetos que podem (e devem) ser alcançados em qualquer estágio da vida. E de qualquer ponto. Desde que se abandone o medo de reiniciar uma nova, bela e promissora história. Percebendo quando o amor nos chega e aproveitando dele até que se esgote. Nutri-lo, com generosidade, sem esperar que seja eterno ou que dure até que a ‘morte nos separe’.

Porque existem muitos tipos de mortes e é fundamental não desistir de partir quando a guerra que nos corrói estiver perdida e o que nos restar for nada mais que morrer – mesmo que em vida. E, assim, recomeçar. Simplesmente. 

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Se desejar, envie seus comentários para psicologaheloisalima@gmail.com

 

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