HOMENS QUE ODEIAM MULHERES

Imagem Movimento Misoginia 2

 

Homem, mulher,
Somos todos bichos,
Nichos de mercado.
Datados!
Dotados de amor e querência.
Por isso não esqueça:
Onde sobra intolerância, falta inteligência!

In: O Sol e a Peneira – de Teatro Mágico

Diante de tanta celebração em torno do fato de um deputado ter sido condenado por haver ofendido pública e descaradamente uma deputada declarando que só não a estupraria porque ela não o ‘merecia’, comecei a pensar nas coisas que não falamos quando procuramos entender o poder do ódio humano – neste caso, do ódio expresso pelo desequilíbrio em estado puro.

O mesmo vale para o desembargador que, recentemente, foi capaz de humilhar uma advogada porque ela, data vênia, usava uma vestimenta tão bela quanto feminina.

Os homens que odeiam as mulheres podem não perceber este fato conscientemente. Mas suas ações revelam a verdade sem muitos disfarces.

Ainda que tentem inventar desculpas com o intuito de acobertar tais sentimentos; que criem ‘regras de comportamento’ a serem seguidas apenas por mulheres; ainda assim, não conseguem esconder o óbvio: odeiam exatamente o que desejam ser e o lugar que gostariam de ocupar a fim de ‘corrigirem’ erros dos quais acreditam terem sido vítimas.

São os misóginos. Você pode ter ouvido falar deles. Mas o que você pode ainda não ter percebido é que eles estão ao nosso redor em muitas situações. 

Alguns são difíceis de detectar. Como não vêm com um rótulo grudado na testa, podem muito bem serem identificados como homens amáveis em relação ao gênero feminino.

Isto porque, como já afirmamos – e na maioria dos casos – os misóginos nem sabem que odeiam as mulheres. 

Misoginia é tipicamente um ódio inconsciente que alguns homens geram dentro de si logo no início de suas vidas. Muitas vezes como resultado de algum trauma envolvendo uma figura feminina em que confiavam. Pode ter sido uma mãe, irmã, professora, tanto faz. Com certeza esta referência terá sido abusiva ou negligente, mas forte o suficiente para ter plantado uma semente no fundo da matéria cerebral.

Uma vez plantada, esta sementinha germinará e crescerá como uma minúscula raiz trabalhando o medo nas áreas de memória do cérebro, afetando a emoção e a tomada de decisões racionais.

Os primeiros sinais de misoginia são pouco visíveis, mas diante da vivência do descuido, do abuso ou da falta de tratamento, esta semente comportamental se tornará potencialmente perigosa e destrutiva. Quando, enfim, a misoginia atinge a maturidade, a tendência para agir com ódio contra as mulheres não pode mais ser controlada.

A origem da palavra se encontra no grego miseó (ódio) e gyné (mulher) e sua definição alcança todo os homens que não gosta de mulheres, que as odeiam, desprezam e demonstram isto de maneira claramente hostil. 

Sua aversão por elas e sua tendência à depreciação sistemática de tudo aquilo que esteja ligado à feminilidade são as características mais nefastas de sua doença.

Desta forma, a misoginia pode resultar numa dominação organizada, social e cultural dos homens (como, por exemplo, no patriarcado), numa superestimação do que seja ‘próprio’ à masculinidade e em uma subavaliação das mulheres com base em meros preconceitos.

É uma forma de sexismo e tem como oposto a misandria (desprezo ou preconceito contra homens ou meninos), de ocorrência muito rara em nossa sociedade.

Existem diversos traços que desnudam um misógino e um dos principais é o fato de que ele sempre escolherá uma mulher como alvo preferido. Mesmo sendo muitas vezes divertido e carismático no início de qualquer relacionamento – características que desenvolve com louvor em nome de encobrir as que são detestáveis. Por conta disto, ele aparenta uma personalidade estranha: ora pode ser rude e, logo depois, voltar a ser galante. Seu comportamento em relação às mulheres será grandioso, arrogante, controlador e egocêntrico. Tudo ao mesmo tempo.

Á ela fará promessas que sabe que não irá cumprir. No entanto, as promessas que fizer aos homens serão religiosamente cumpridas até o final.

Sempre será competitivo com todas de uma maneira geral e tratará as mulheres de maneira diferente dos homens em locais de trabalho e sociais, permitindo que estes tenham várias liberdades que criticará em colegas e parceiras.

Estará preparado para usar qualquer coisa em seu poder para fazer as mulheres se sentirem miseráveis. Pode exigir sexo ou reter o sexo em seus relacionamentos (sem jamais se preocupar com o prazer dela) e fazer piadas sobre mulheres em público, desqualificando-as e humilhando-as. É capaz de roubar-lhes ideias, dinheiro, etc.

Sente-se no ‘direito’ de enganá-las porque acredita que monogamia é um ‘dever’ exclusivamente feminino.

Ele tanto pode desaparecer de uma relação sem oficialmente terminar, como pode voltar três meses depois com uma explicação projetada para atrair a parceira de volta.

Apenas raramente um misógino possui todos esses traços, o que torna mais difícil identificá-lo. Sua capacidade de atrair mulheres com seu charme e carisma aumenta a dificuldade de detectar sinais de alerta precoces.

Fundamental nos lembrarmos sempre que misóginos são homens cujo ódio doentio é proporcional à sua fraqueza.

Arrisco dizer que o exagero da ‘masculinidade’ que normalmente acompanha o comportamento misógino é altamente suspeito, como demonstram aqueles que extravasam sua homofobia. 

Misoginia e homofobia são, praticamente, lados diferentes de uma mesma moeda e podem constituir uma forma de homossexualidade que não transita o bom caminho – o do amor por alguém do mesmo sexo, mas o caminho ruim – o que se traduz na estúpida necessidade de sentir o ódio visceral pelo outro.

Estas manifestações de extrema violência são momentos primordiais para que a sociedade se responsabilize no sentido de proteger a liberdade e a existência de todas e de todos nós, seres humanos.

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