E VOCÊ, JÁ TEVE DESEJOS DE VINGANÇA?

Imagem Movimento Vudu 2

“Eu gostei tanto,
Tanto, quando me contaram
Que lhe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar.
E que quando os amigos do peito
Por mim perguntaram,
Um soluço cortou sua voz,
Não lhe deixou falar.
Eu gostei tanto,
Tanto, quando me contaram
Que tive mesmo de fazer esforço
Pra ninguém notar.”

In: Vingança – de Lupicínio Rodrigues

 

Às vezes, quando alguém lhe machuca ou lhe trai, você sente que gostaria de ‘devolver a dor na mesma moeda’. No entanto, a busca por vingança realmente faz você se sentir melhor? Esta resposta não é tão simples como desejam alguns.

Quando somos feridos, esta pode ser uma resposta humana e natural. O instinto de vingança surge em muitas pessoas, mas nem todas irão atuar dentro dele.

Logo, o tema vingança inunda não apenas o imaginário coletivo, mesmo que enquanto uma mera possibilidade, mas, principalmente, muitas práticas orientadas no sentido de destruir tudo aquilo que é projetado nos outros – e que não se consegue realizar em si ou para si.

Aquele(a) que não consegue viver sem atormentar a vida da(o) ex-parceira(o); que não passa um dia sequer sem arranjar uma forma de atingi-la(o) das mais variadas formas, seja demonstrando ódio ou amor; aquele(a) que precisa berrar aos quatro ventos tudo o que sofreu e ainda sofre, no fundo, deseja chamar a atenção para si e para o que sente, desconsiderando o que a outra pessoa escolheu para si.

Conheço pessoas que passaram anos inventando formas, muitas vezes pouco razoáveis (para dizer o mínimo), de exibir suas feridas, aquelas mesmas que não deixam cicatrizar simplesmente porque decidiram que o “outro” não pode seguir a vida sem a sua perversa e avassaladora presença.

Enquanto sentimento, a vingança pode ser quase uma ‘arte’ praticada por aqueles que não admitem perder ou não sabem deixar de brigar. Ocupa a mesma face da moeda da carência, só que desenhada em cores desagradavelmente berrantes.

O problema de quem se alimenta dela é que enquanto vive esse rancor por vezes encoberto, por vezes escancarado, deixa de experimentar outros rumos e de procurar alternativas que ajudem a aproveitar as inúmeras possibilidades que a vida oferece, além da chance de vivenciar relações mais satisfatórias.

Concentra-se com tamanho empenho em “atazanar” a vida alheia que se esquece da própria existência e das gratificações que dela poderiam extrair, se tamanha energia fosse investida em novos projetos.

Então, vingar-se de alguém porque deixou de ser amada(o) ou de fazer parte de sua vida, é o mesmo que gritar para ser ouvido por quem não possui a capacidade de ouvir. E não importa os motivos alegados: ter dado mais do que acredita ter recebido; ter aberto mão de inúmeras coisas; ter se autossabotado; ter deixado a própria felicidade de lado. Não passam de meras e esfarrapadas desculpas. Pretender vingar-se por ter sido preterida(o) ou esquecido(a) é optar por brigar solitariamente contra exércitos de sombras numa atitude que, de fato, só revela o ódio na sua mais concreta e assustadora concepção. Veja bem: ódio e não o decantado amor, como planeja transparecer.

O vingador deixa pistas porque pretende mesmo ser identificado. É uma carta anônima com nome e endereço de remetente pois deseja que seu alvo saiba do que ele é capaz e até onde pretende ir. Desta forma, é uma maneira de tentar ‘vencer’ pelo medo.  

Alguns desavisados espectadores do ato, muitas vezes, sentem-se comovidos e tendem a identificarem-se com o algoz que se autoproclama vítima. É o caso da mulher deixada pelo namorado que passa a mostrar publicamente a dor que garante sentir. Mesmo que utilizando palavras carinhosas quando se refere ao ‘ex’ ela, no fundo, deseja que todos o condenem por fazê-la tão infeliz.

Recentemente, um homem publicou inúmeras notas declarando um amor “extraordinário” pela ex-companheira, enquanto esta discretamente tentava ir em frente, vivendo sua vida sem incomodar ninguém.

Até que ele encontrou uma forma que entendeu ser infalível para atingi-la: publicou fotos e trechos de cartas íntimas trocadas entre os dois muitos anos atrás com a alegada e falsa intenção de persuadi-la a retomar a relação. O resultado foi nefasto e transformou a vida da ‘ex’ num verdadeiro inferno com direito a um processo judicial que se arrasta há tempos.

Portanto, anote aí: todo vingador se julga acima do seu objeto de vingança por subestimá-lo acreditando ser (muito) mais esperto que ele. Pretende debitar toda a sua incapacidade de viver em paz na conta do outro e pressupõe estar habilitado para ensinar-lhe uma “verdade” que só ele vê e que o faz humilhar-se para que aquele a quem martiriza sinta-se humilhado também.

Se pudesse falar-lhe claramente, diria:

Não se vingar, não fazer nada e avançar com a própria vida, com certeza, é a melhor forma de provar deste insosso e indigesto prato de mágoa profunda que fica como subproduto no final de um relacionamento. Mas, creia: esta experiência dolorosa pode nos tornar mais fortes e melhores. E muito mais interessantes!

Afinal, convenhamos, as relações começam e terminam como tudo na vida. Vá em frente que atrás –  quando se está bem – sempre virá gente.

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