NESTE MOMENTO UMA CRIANÇA ESTÁ PRECISANDO DE VOCÊ

Blog Corpo infanti A

“No céu de uma criança tem tantas asas a voar 
Tanta pombinha branca que não se pode imaginar 
Infinito azul, raio de amanhecer 
Nuvem que pode ser tudo que se quiser ver

No amor de uma criança tem tanta canção pra nascer 
Carinho e confiança, vontade e razão de viver 
Fogo a se acender, vento que vem soprar, água que vai beber 
Terra do Nunca Esquecer”

In: Asas a Voar – de Claudio Nucci

Você sabia que o  abuso sexual infantil continua ocupando o segundo lugar dentre as violências mais sofridas por crianças e adolescentes brasileiros, só perdendo para negligência/abandono?

E que, como é amplamente difundido, a maior parte da violência ocorre dentro da própria casa do menor?

Você tem ciência de que grande parte dos agressores é composta pelos  próprios pais ou por outros familiares, assim como por pessoas de convívio muito próximo da criança e do adolescente, como amigos e vizinhos?

Agora que reproduzi o que, aparentemente, já deveria ser de “conhecimento público”, passo a relatar o impressionante e desolador resultado de uma pequena pesquisa que fiz junto a vídeos registrados no youtube.

Procurando imagens que relacionassem crianças a algum tipo de dança com apelo “sensual”, deparei-me com a estarrecedora constatação da existência de um número nada desprezível de desprezíveis vídeos, onde crianças muito pequenas aparecem reproduzindo gestos de cunho erótico, cujo significado, com certeza, não têm nenhuma capacidade de entender. 

Isso sem contar o número de visitas à cada um dele. Dentre os recentes, um tal de ” manda muito bem…….no quadradinho kk” registra mais de 2 milhões de views!

Classifiquei a amostra como ‘incontável’, além de insuportável, porque desisti de continuar  a computá-la assim que percebi que o número extrapolaria as minhas mais pessimistas previsões.

Existe, de fato, um certo clima coletivo que favorece a exibição e a exploração da sexualidade feminina desde sua mais tenra idade e que enxerga o corpo da mulher como depositário de riquezas, tornando-o, desta forma, quase um pasto do desejo erótico masculino.

Entre perplexa e indignada pude comprovar que a grande maioria destes vídeos foi postada por pais (pais ou mães), tios, padrinhos e amigos da família dos pequeninos.

Um deles mostra uma menininha de um ano de idade que, trajando apenas um shortinho, é incentivada por adultos ao seu redor a dançar funk. Um deles chega a chamá-la de “ordinária”!

Em outro, duas bebezinhas gêmeas rebolam com suas fraldas um tal de ‘funk da motinha’ enquanto a mãe força uma delas a largar a mamadeira para que possa dançar direito!

Em outro, meninas de 6 anos, muito envergonhadas, são obrigadas pela tia a dançar o “tchan” enquanto são filmadas. Noutro, uma garotinha de 2 anos é chamada, por um homem, de ‘safada’.

Um outro apresenta um grupo formado por meninos e meninas, com idades variando entre 6 e 10 anos, em uma creche, dançando um tal de “popozuda” enquanto um homem filma.

Outro vídeo mostra um menino e uma menina em cima de um palco, junto a uma banda e diante de uma grande plateia, dançando um certo “swingão“, em troca de um “prêmio”. Outros, ainda, exibem garotinhos requebrando-se de cueca.

Uma menininha de 6 anos leva uma bronca da mãe porque não dança direito o “funk da popozuda” enquanto, em outro, a garotinha é chamada de “periguete” pelo sujeito que aparenta ser seu pai. Diversos vídeos mostram mais meninas dançando coisas como “kuduru“, “pondo“, “dança da bundinha” e por aí vai.

Mas, por aí se foi também minha paciência, ao perceber que o rosário de sandices, às quais as crianças são submetidas, não teria fim.

Alguns comentários postados abaixo destas gravações conseguem ser mais infames e indecentes do que a própria situação à qual essas inocentes crianças são submetidas.

Inúmeros vídeos mostram garotinhas vestidas em trajes mínimos dançando músicas da Shakira e da Beyoncé. Fora a dança da garrafa, o funk e o pancadão – espetáculos protagonizados por meninas de 1 a 13 anos. A partir desta idade, o número de vídeos aumenta assustadoramente. Não vi mais sentido em continuar pesquisando algo que, obviamente, deveria ser objeto de investigação dos órgãos governamentais competentes de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes.

Penso que tais injúrias deveriam ser retiradas da rede, acompanhado-se tal medida de uma campanha educativa que visasse orientar os pais, responsáveis, familiares e amigos dos menores expostos no sentido de explicar-lhes que o respeito pelo corpo passa, necessariamente, pelos direitos ao cuidado e a preservação do mesmo, assim como à privacidade da sua intimidade.

Mesmo porque, não se deve desprezar o perigo de um movimento crescente em países ditos do Primeiro Mundo, como o Canadá, que visa tornar a pedofilia uma ‘prática’ não só aceitável como oriunda de uma ‘nova orientação sexual’ (sic) ou passível de ser classificada como invalidez (conforme concluiu recentemente o ministério do trabalho grego). Esta tese, certamente, representa uma ameaça eminente à infância em qualquer país. Precisamos prestar muita atenção a esta tendência tão sórdida quanto nociva.

Desta forma, registro, a seguir, três perguntas que não devem calar:

– O adulto, seja ele seu responsável legal ou não, tem direito de dispor, a seu bel prazer, da imagem de uma criança?

– Como se admite este tipo de exposição – involuntária, por parte da criança – sem que se considere o ônus emocional que lhe custará, tanto agora quanto futuramente?

– Que tal pensarmos na mensagem subliminar que este tipo de prática registra no psiquismo infantil?

A mais plausível, sem dúvida, é a de que a criança passe a considerar que seu corpo, desde cedo, não lhe pertence e, portanto, é passível de servir como objeto de diversão (e, consequentemente, prazer) do adulto que dela se aproximar.

Ora, se sua imagem pode ser repercutida virtualmente, sem qualquer limite ou controle, como é que ela terá condições de se cuidar e preservar sua própria intimidade?

Que direito acreditará ela ter sobre seu próprio corpo se não for auxiliada a compreender que o valor e a graça de uma mulher não residem apenas no aspecto físico, mas num conjunto muito mais amplo de elementos que envolve saúde, educação, conhecimento, discernimento e equilíbrio?

E, como já se perguntou lá atrás, QUE CRIANÇAS ESTAMOS DEIXANDO PARA O MUNDO, AFINAL? 

 

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Um pensamento sobre “NESTE MOMENTO UMA CRIANÇA ESTÁ PRECISANDO DE VOCÊ

  1. Boa tarde! Primeira vez que acesso sua página, li todo o texto acima e gostaria de parabenizar vc pela sensibilidade contida no mesmo. Se o mundo fosse feito de pais e mães mais sensíveis com certeza não estaríamos nessa devastadora onda virtual em que vivemos. Pena que não podemos poupar as crianças. Faço o possível pelos meus filhos, como já dizia minha avó a educação vem, em primeiro lugar, de casa, depois da escola.
    Lamentável realidade não é mesmo?

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