A ARTE DE SE RECRIAR

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“Quanta mudança
Alcança o nosso ser,
Posso ser assim
Daqui a pouco não.
Se lembrar não é celebrar,
Dura é a dor quando aflora.
Esquecer não é perdoar,
Se consagrou, sangra agora.

O que há é o que é
E o que será
Nascerá, nascerá.

In: Reticências (…) – de O Teatro Mágico

A felicidade é, definitivamente, uma ‘ciência’ pessoal. Há anos assistimos centenas de pesquisadores oriundos de inúmeras disciplinas, da psicologia à economia, passando pela sociologia, história e neuropsiquiatria, estudando avidamente a questão.

O que faz as pessoas felizes? Clima? Dinheiro? Emprego? Amor? Filhos? Tudo junto?

Não necessariamente.

Todos nascem livres, autênticos, criativos e genuinamente amorosos. Prontos para serem muito felizes. No entanto, para nosso infortúnio, vamos aprendemos, a partir da infância, que não poderemos permanecer desta forma: desprendidos, originais e cheios de possibilidades vitais.

E, em função desta triste inversão do que seria uma tendência natural e humana, vamos sendo esculpidos ao bel prazer dos adultos – já tão pré-moldados – que nos rodeiam.

Compreendemos, desde pequeninos, que se seguirmos nossos instintos e fugirmos às regras engessadas, perderemos o amor do papai e da mamãe, dos avós, dos titios, dos primos, dos professores e, pior, perderemos o respeito e a credibilidade geral e irrestrita de todos os demais.

E como ninguém deseja viver isolado e sem amor vamos permitindo que nos modelem feito massinha, cães amestrados, vacas confinadas, idiotas em filas que desaprenderam a arte de criar.

Perdemos, junto do encantamento da criança que um dia fomos, a curiosidade que nos era nata, o anseio de conquistar o novo e o raro, a independência para cultivar e se encantar com a plena e maravilhosa simplicidade. Tornamo-nos robozinhos que repetem teses enfadonhas que nada constroem, nada criam e tudo copiam

A família nos modela logo nos primeiros cinco anos de vida. A contar daí passamos a ser ansiosos, medrosos e submissos. Pelo resto de nossas vidas.

E é assim que todas as pessoas se sentem na MAIOR PARTE DO TEMPO: como se estivessem prestes a fazer algo errado; como se já o tivessem feito; como se precisassem se desculpar por tudo o que fazem, fizeram ou pretendem fazer.

E, por isto, nos tornamos angustiados natos.

E começamos aprendendo esta angústia dentro do nosso próprio círculo familiar. E é sempre bom lembrar que angústia vem do latim angere que significa estreito, apertado. Redução de espaço para ser, para sentir e para estar no mundo.

Rapidamente nos tornamos cegos para as coisas mais naturais da vida. E a respiração é a primeira delas. Passamos a respirar mal porque vivemos mal.  E estreitamos a amplitude e a espontaneidade da respiração pensando demais, falando demais, atropelando a fluidez dos nossos pensamentos serenos com a rapidez das respostas instantâneas que camuflarão nosso não-pensar, nossa incapacidade de praticar a alteridade e de dar ou receber o imprescindível acarinhamento.

Paramos de gerar o belo e o inusitado para copiar e repetir o velho. Afinal, repetir é mais fácil e sai mais barato. Mas torna o mundo muito mais feio e acinzentado. E a angústia, desta maneira, não nos abandonará. Ela só se dissipará quando conseguirmos reacender a fagulha existencial apagada na infância contra nossa vontade.

O que o que NUNCA nos ensinam é que a saída se encontra exatamente em quando subvertemos a ordem e as repetições e optamos pelo caminho da autenticidade e autonomia; quando escolhemos a trilha da liberdade e singularidade, permeada pela imaginação fecunda que, com certeza, nos levará à resultados legítimos e puros além de muito mais felizes e prazerosos. Ainda que solitariamente, posto ser esta a mais verdadeira e insofismável condição humana.

A autenticidade é um dos elementos essenciais de nossa vida. Ela expressa o que define a nós mesmos e não o outro. A realidade é como ela aparece e se manifesta, e não o contrário, finalmente expressando a coincidência e a conformidade entre pensamento e sentimento. Desejo e afeto.

Para o indivíduo, torna-se a real identificação do ser em contraposição à mera aparência – porque sente que necessita ser transparente e não deseja ser obrigado a esconder nada.

O ser autêntico é fiel à sua realidade, aos seus princípios e ajusta seu comportamento de modo que a vida encontre sua verdadeira orientação e sua unidade. 

Neste caso, a autenticidade surge de uma vivência mais profunda e, muitas vezes, na ‘espiritualidade’. É a capacidade de aceitar-se incondicionalmente e expressar-se perfeitamente. Pode-se dizer que é a ação de rejeitar o que os outros dizem que devemos ser tendo coragem de assumir aquilo que escolhemos para nós.

Neste sentido não há nada mais autêntico do que uma criança. Nem FELIZ.

Portanto, coragem! Recrie-se! E (re)inicie, enfim, uma nova e produtiva jornada.

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