CORAGEM PARA MODIFICAR AQUILO QUE PODEMOS

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Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs;
É preciso amor pra poder pulsar, 
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.”

In: Tocando em Frente – de Almir Sater e Renato Teixeira

Por conta dos inconfessos e perversos interesses comerciais envolvidos na ampliação do uso e na propaganda de bebidas alcoólicas no Brasil, a grande maioria das pessoas ainda acredita – ou faz uma força danada para tanto – que bebida não seja uma droga.

Ainda que se beba todos os dias, ou nos finais de semana, ou uma vez por mês – pouco importa.

Se nestes dias – tanto faz se no singular ou no plural – a pessoa invariavelmente passa dos limites, bebendo todas e um pouco mais; não consegue parar nem no primeiro, nem no segundo e, muito menos, no décimo gole; provoca uma pequena hecatombe com repercussões para além do que ela poderia imaginar ouvir no dia seguinte; se as consequências podem afetar tanto seu emprego como sua vida familiar; se a lista de insanidades parece não ter mais fim, mas, mesmo assim, não morreu e nem matou ninguém, então bebeu “socialmente”.

Socialmente? Pense bem. Você acredita mesmo nisto?

Avaliar a partir de quando o hábito de beber superou a linha do uso comedido ou social para transformar-se num problema, é sempre uma tarefa difícil.

Se o consumo de álcool servir para que a pessoa consiga enfrentar suas dificuldades ou evitar que ela venha a sentir-se mal, não tenha a menor dúvida: ali já se estará trilhando um terreno potencialmente arriscado. 

Nem todos os abusadores eventuais de álcool tornam-se alcoólatras, mas este é um grande fator de risco. Às vezes, o alcoolismo se desenvolve subitamente como resposta a uma mudança radical ou a um alto nível de estresse, como uma separação, ou aposentadoria ou qualquer outro tipo de perda ou desgaste pessoal. Outras vezes, ele cresce gradualmente enquanto a tolerância ao álcool aumenta.

Se você é um bebedor compulsivo que, se pudesse, beberia todos os dias, o perigo de desenvolver o alcoolismo já se encontra instalado.

O alcoolismo é a forma mais grave da adicção e é uma doença. Ele envolve todos os sintomas de abuso de álcool, mas também inclui outro elemento: a dependência física. 

Se você necessita do álcool para fazer ou sentir uma série de coisas e para deixar de perceber outras, você pode ser um alcoólatra.

A tolerância é o primeiro sinal de alerta importante e demonstra que você precisa beber muito mais do que costumava para, por exemplo, sentir-se mais relaxado. Se você pode beber mais do que outras pessoas sem ficar bêbado, este é outro sinal relevante.

Tolerância significa que, ao longo do tempo, você precisará de mais e mais álcool para sentir os mesmos efeitos.

Se….

Se você precisa de uma bebida para acalmar as agitações do dia a dia ou para aliviar os sintomas da abstinência, saiba que isto representa uma ameça exponencial;

Se você perdeu o controle sobre seu consumo de álcool, sem dúvida vai beber mais álcool do que você queria, por mais tempo do que pretendia – ainda que jure que não irá fazê-lo;

Se você tem um desejo sincero de reduzir ou parar o consumo de álcool, mas seus esforços neste sentido são cotidianamente vencidos;

Se você desistiu de muitas atividades por causa do álcool e está gastando menos tempo em práticas que costumavam ser importantes para você por causa deste abuso;

Se o álcool ocupa uma grande parte da sua energia e você gasta muito tempo bebendo, pensando em bebida ou se recuperando dos efeitos dela; se tem poucos ou nenhum tipo de interesse em atividades sociais que não girem em torno de beber, você pode ser um alcoólatra.

Mas, lembre-se: o maior problema do alcoolismo é a negação.

O desejo pela bebida é tão persistente que a pessoa procura racionalizar sua necessidade, mesmo que diante das terríveis consequências. Este é um dos maiores obstáculos para a obtenção de ajuda – que é tão fundamental quanto vital.

Então, preste bastante atenção nestes mitos:

Posso parar de beber na hora que eu quiser.

Talvez você possa. Mas o mais provável é que isto não seja mesmo possível. De qualquer forma, esta pode ser apenas uma desculpa para continuar a beber. Talvez você não queira ou não saiba como parar. Imaginar que você pode parar sozinho faz você se sentir no controle, apesar de todas as evidências provarem o contrário.

Beber é um problema meu. Eu sou o único atingido por esta escolha e ninguém tem o direito de me dizer para parar.

É verdade que a decisão de parar de beber seja sua. Mas você está enganando a si mesmo se acha que sua forma de beber afeta exclusivamente você. O alcoolismo afeta todos ao seu redor, especialmente as pessoas que lhe são mais próximas e caras. 

Eu não bebo todos os dias, por isso não posso ser um alcoólatra. Ou: Mas eu só bebo vinho ou cerveja!

O alcoolismo não é definido pelo que você bebe, quando você bebe ou mesmo o quanto você bebe. São os efeitos de seu consumo que definem o problema. Se a bebida está causando transtornos em sua vida familiar e/ou profissional, você tem um problema.

Eu não sou um alcoólatra porque eu tenho um emprego e trabalho bem.

Você não tem de ser um sem-teto ou beber na sarjeta para ser um alcoólatra. Muitos alcoólatras são capazes de manter seus empregos, sustentar suas famílias e progredir nos estudos. Mas só porque você mantém um ‘bom funcionamento’ não significa que você não está colocando-se, e as outras pessoas, em perigo. 

Beber não é um “vício real” como o abuso de drogas.

O álcool é sim uma droga e o alcoolismo é tão prejudicial quanto a toxicodependência. Dependência de álcool provoca mudanças no corpo e no cérebro e o abuso pode ter efeitos devastadores sobre a sua saúde, sua carreira e seus relacionamentos.

Conseguindo ajuda…

Se você está pronto para admitir que tem um problema com a bebida, você já deu o primeiro passo. É preciso uma tremenda força de vontade e uma bela dose de coragem para enfrentar o alcoolismo. Buscar ajuda é o segundo passo.

A recuperação é um processo contínuo. É uma estrada esburacada, que exige tempo e paciência. Um alcoólatra não vai, por encanto, se tornar uma pessoa diferente uma vez sóbrio. E os problemas que o levaram ao abuso de álcool, em primeiro lugar, terão de ser enfrentados.

E lembre-se: o alcoolismo é uma doença incurável, progressiva e fatal.

Outro dado importante é entender que muitas pessoas sempre conseguirão beber socialmente e muitas jamais o farão – ainda que tentem.

E sobre isto muito pode nos ensinar os Alcoólicos Anônimos (A.A.) que é, conforme sua autodefinição:

“Uma irmandade de homens e mulheres que compartilham, entre si, suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. O único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber.”

O propósito primordial dos seus membros é manterem-se sóbrios e ajudarem outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.

Esta irmandade iniciou sua história em 1935, em Akron, Ohio, com um encontro entre Bill W, um corretor da Bolsa de Valores de Nova Iorque e o Dr. Bob, um cirurgião de Akron. Ambos eram considerados alcoólatras irrecuperáveis.

Sóbrio havia cinco meses, Bill W. fracassou em uma negociação perdendo, por isto, a oportunidade de se tornar presidente da empresa para a qual trabalhava. De volta ao hotel da cidade onde a reunião ocorrera, Bill voltou a sentir uma imensa vontade de beber.

Neste momento, porém, ocorreu-lhe que se conseguisse apenas conversar com pessoas que passassem pelas mesmas dificuldades diante da bebida, era bem possível que superasse – apenas por aquele dia – a enorme ânsia de embebedar-se mais uma vez.

Pressentiu que só falando com outro alcoólico em recuperação poderia manter a sobriedade.

No saguão do hotel havia um diretório de Igrejas. Assim, sorteou um nome e telefonou para o Reverendo Walter Tunks que lhe passou uma lista com dez nomes de pessoas daquela comunidade que poderia contatar.

Apenas na décima ligação conseguiu falar com alguém. Tratava-se de Henrietta  Seiberling que decidiu apresentá-lo ao médico cirurgião Robert Holbrook Smith (Dr. Bob) que sabia ser membro do Grupo de Oxford havia dois anos e meio e considerado um beberrão à beira do desprestigio profissional. Como todo bom alcoólico, Dr. Bob aceitou o convite mas exigiu que a reunião não durasse mais do que 15 minutos. Chegaram na casa de Henrietta às 17 horas, mas só se retiraram às 23:15.

Durante todo este tempo conversaram sobre suas vivências, angústias e sofrimentos, promessas e fracassos. Logo, perceberam que tinham uma mesma doença. Sim, uma doença caracterizada pela obsessão mental seguida de uma disfunção orgânica ou de uma dependência física.

Enfim, aqueles dois homens tinham descoberto uma aflição comum aos dois, o que criou entre eles uma imediata identificação que foi acompanhada pela mútua percepção de que nenhum dos dois desejava continuar bebendo.

E, enquanto falavam de si próprios, não pensaram na bebida. Por nenhum instante sequer.

Posteriormente, um disse do outro: “Bill foi o primeiro ser humano vivo com quem eu já tinha falado que, inteligentemente, discutiu meu problema a partir de uma experiência real. Ele falou a minha língua”. E: “Bob foi a rocha sobre a qual A.A. foi fundada. Sob seu apadrinhamento, com um pequeno apoio meu, o primeiro Grupo de A.A. no mundo nasceu em Akron, em junho de 1935”. 

Este emblemático encontro revelou que através do “simples” é possível se encontrar saídas para as mais delicadas e controvertidas questões humanas.

Portanto, se você tem problemas com a bebida, procure ajuda o mais rápido possível. VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO: http://www.alcoolicosanonimos.org.br/

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