DEPENDÊNCIA EMOCIONAL

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“Viver é bom
Nas curvas da estrada.
Solidão, que nada.

Viver é bom,
Partida e chegada,
Solidão, que nada.”

In: Solidão que Nada – de Cazuza

Ainda que viver amorosamente implique no belo aprendizado de amar e sermos amados, muitos parecem bastante cansados de passar de um relacionamento para outro, pulando de história em história e procurando, sem sucesso, a pessoa “certa”.

Todos já ouvimos falar de dependência emocional ainda que este tema permaneça muito pouco esclarecido entre nós.

De qualquer forma, você já experimentou pensar que a dependência emocional pode ser a causa dos repetidos fracassos amorosos? Quer dizer: daqueles que passam por nossa vida feito um tsunami, sem deixar nada de bom a não ser marcas de destruição?

Quem já não ouviu falar daquele bom e velho ditado que aconselha a não nos apegarmos a nada e a ninguém porque, no final das contas, coisa alguma nesta vida é permanente?

Pois é. Ainda que o desapego não signifique necessariamente que você não deva aproveitar cada experiência – aliás, pelo contrário, você pode e deve mergulhar nela – somente com um certo e cuidadoso distanciamento é que seremos capazes de deixar que algo ou alguém passe por nossas vidas sem trazer ou levar dor. Sem deixar ou carregar pedaços.

Como disse uma amiga:

“Tudo bem. Eu sei o que é perder alguém. Experimentei essa emoção. Reconheço o gosto amargo deste sentimento. Agora, tudo o que eu preciso é separar-me dele até entender que, como dizia Buddha, ‘a gente só perde aquilo a que se apega’. E repetir isto como um mantra até que consiga deixá-lo sair de dentro de mim.” 

Enfim, somente aquilo no que você se agarrar poderá ser perdido. Certo?

Este é o maravilhoso paradoxo da existência humana que nos mostra que tudo o que decidirmos segurar, perderemos; o que decidirmos dar, teremos. E enquanto morremos, vivemos.

Se você se apegar a sua vida você vai perdê-la; mas se você deixá-la fluir sem ansiedade, você vai salvá-la.

E para ajudar a repensar alguns de nossos velhos e repetitivos comportamentos, elenquei alguns sinais que podem oferecer pistas sobre o que pode fazer uma relação promissora naufragar.

1 – Da incapacidade de ser feliz sozinho

O primeiro sinal pode ser detectado mesmo antes conhecermos alguém. Se você é incapaz de ser feliz e de sentir-se bem quando está sozinho tem grande chance de viver uma dependência emocional. E o grau desta dependência depende da frequência do mal-estar quando se está sozinho. Uma pessoa que não é afetivamente dependente não sente urgência na necessidade de buscar um parceiro. Isso não significa que ela não queria encontrar alguém e compartilhar sua vida. Significa simplesmente que não há desespero nesta escolha já que entende que o importante é viver a vida em harmonia consigo mesma, antes de qualquer coisa.

2 – Da necessidade de agradar

Desde o início e durante todo o relacionamento, a pessoa emocionalmente dependente é do tipo que têm absoluta necessidade de agradar e ser o centro das atenções do parceiro que ela deseja.  Ela deixa de ser para si e passa a existir totalmente para o outro. E o importante para ela é ser a eleita com absoluta exclusividade – ainda que pareça despojada quanto a isto.

3 – Da identidade frágil

Para satisfazer esta necessidade de agradar, de ser escolhido e ser exclusivo para o outro, o dependente emocional, muitas vezes inconscientemente, vai perdendo sua autenticidade. Ele vai adaptar comportamentos a fim de supostamente agradar o outro fazendo, de acordo com a sua percepção, o que é esperado por ele. Ainda que pese o fato de negar a sua própria identidade, continuará a desempenhar esse papel o maior tempo possível. Às vezes, para sempre.

4 – Da obsessão com o pensamento do outro

O outro é o objeto permanente e constante de todos os seus pensamentos. De manhã à noite, ela pensa nele e não há espaço em sua mente já que o outro tornou-se o centro de sua vida – no lugar das suas verdadeiras prioridades. Essa obsessão cria uma agitação mental muito intensa que gera stress, insegurança e desconforto físico e mental. Ela precisaria aprender a alimentar sua mente com atividades pessoais que iriam substituindo gradualmente esta obsessão. Mas a maioria das pessoas nem sequer percebe que vive uma fixação patológica.

5 – Da crença de que seu valor depende da presença e do olhar do outro

Isso ocorre porque o dependente tem uma baixa autoestima e é incapaz de reconhecer seu próprio valor – ainda que finja fazê-lo. Está tão convencido de que sem o outro é inútil que prefere viver uma existência sem qualquer direção individual.

6 – Da falta de autoconfiança

A pessoa dependente é incapaz de confiar no outro porque não tem confiança em si mesma. Essa falta de confiança gera estresse em sua vida amorosa. No fundo, se sente indigna de merecer o amor e, por isso, parece (ou finge) estar satisfeita com as migalhas que recebe em vez de exigir ou se dar o direito de uma vida mais prazerosa e feliz.

7 – Da tendência de atrair parceiros indisponíveis ou com medo de compromisso

Novamente, esta é uma atração que diz algo sobre o estado emocional da pessoa dependente. Esta atração tem, em sua maior parte, uma ligação com ferimentos sofridos na infância onde ela também tentou atrair um pai ou uma mãe que sentia distante e indisponível. É um modelo que se repete em suas relações. Este padrão recorrente visa evitar a verdadeira intimidade já que o medo do engajamento simboliza um medo de fundo, e básico, que é o de fracassar. Então, a pessoa dependente atrai um parceiro cuja situação vai usar como desculpa para não se sentir verdadeiramente envolvida em um relacionamento – já que a culpa é do “outro” e não dela.

8 – Da crença de que a vida não tem sentido sem um relacionamento a dois

Esse é o ‘sentido da vida’ que a sociedade gosta de imprimir como o único possível. ‘Pobre’ daquele que diz ser feliz sozinho. Os demais olham para ele como se fosse um extraterrestre ou um grande mentiroso.

“O quê? Você finge ser feliz sozinho?” Ou “Na sua idade você tem que conhecer urgentemente alguém!” Ou ainda “Coitada de você que não achou um homem!” E tem mais esta “Oh, tadinho, ele vai acabar na maior solidão!”

A pessoa dependente é uma boa presa para todos esse pacote de crenças moldados no barro das ilusões e das inseguranças humanas. Mas se já decretou que a vida não faz sentido sem um relacionamento a dois, convido você a tentar se livrar de tantas certezas equivocadas. Note que eu não estou dizendo que a convivência não faz sentido. Digo apenas que não é necessário ser casal para a vida ter sentido. É muito mais verdadeiro e gratificante termos uma vida inteira dentro de nós, antes de qualquer coisa.

9 – Do medo de abandono e solidão

Este é o maior medo da pessoa dependente emocional. É um medo que muito provavelmente foi alimentado desde a infância quando uma experiência de abandono ocorreu – independente se real ou imaginada. Esta pessoa certamente desconhece o valor da serenidade, do silêncio e do isolamento para a sanidade mental.

10 – Da tendência a afundar em depressão depois de um rompimento

A pessoa dependente corre o sério risco de passar por uma depressão que poderá torná-la incapaz de virar a página. Isto às vezes demora tanto para passar que apenas muito mais tarde é que se descobrirá a perda de um bom pedaço de vida que nunca mais poderá ser resgatado.

Afinal, você decide. A  imagem que ilustra esta publicação pode lhe remeter a um amargo e penoso sentimento de solidão ou a uma linda e luminosa perspectiva de libertação. 

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