O CÂNCER E A DEPRESSÃO

imagem-movimento-chuva-na-janela

“A vida tem sons
Que pra gente ouvir
Precisa aprender
A começar de novo;
É como tocar o mesmo violão
E nele compor uma nova canção
Que fale de amor,
Que faça chorar,
Que toque mais forte esse meu coração.”

In: Começo, Meio e Fim – de Roupa Nova

 

Antes de tudo é importante lembrar que há muito tempo a detecção de câncer NÃO significa uma sentença de morte.

Primeiro é preciso que se aceite o diagnóstico como parte da história daquele ser. Depois, entender que a doença tornou-se um componente da pessoa. Uma parte do todo.

E preste muita atenção: uma parte não é o todo!

É apenas um dado que devemos acolher de maneira honestamente serena até que estejamos preparados para fazer-lhe a pergunta crucial:

Para que você veio? Qual é o seu sentido na minha vida, afinal? 

A resposta virá, acredite. De uma forma ou de outra a doença é sempre uma porta a ser aberta ainda que, nesta fase, muitos pacientes e familiares  passem a se sentir incapazes de enfrentar a realidade. Um deles me contou certa vez:

“A realidade da morte não é a sua negação. Enquanto teima em negá-la veementemente você não consegue obter o conforto que representa poder compartilhar seus medos e ansiedades. Você sente falta da sensação do bem-estar que pode experimentar quando recebe os cuidados daqueles que você ama. Muitas vezes me peguei perguntando: ‘Por que eu?’ Perguntei isto todas as vezes que senti  raiva. As vezes sentia raiva do médico, dos meus familiares, dos meus amigos, de todos e de cada um, sem qualquer razão. Agora sei que esta era uma reação normal e perfeitamente humana. Mas até alcançar este entendimento, passei muito tempo me martirizando pela culpa que sentia. Quando fui capaz de reconhecer e entender minha raiva, pude me despedir dela. Compreender as razões da minha irritação me ajudou a falar sobre os meus sentimentos com minha família e com meus amigos.”

Então, você começa a perceber que não existe uma resposta para a pergunta: ‘Por que eu?’ se você substituí-la por: ‘E por que não eu?’

Impossível negar que seria ótimo se pudéssemos livrar-nos de uma patologia com a força de nossos desejos. Mas sabemos que, infelizmente, isto nem sempre acontece.

Muitos estudos, no entanto, vêm demonstrando que fatores psicológicos podem afetar o sistema imunológico ainda que isto não garanta que os mesmos fatores possam levar à cura.

A verdade é que respeitados especialistas concordam que a atitude do paciente pode desempenhar um papel extremamente importante – se não decisivo – no tratamento do câncer. Logo, uma “postura positiva” pode ser uma ferramenta muito útil na luta contra a doença.

Outro aspecto que precisa se considerado é que uma porcentagem significativa de pessoas ou já estava com depressão ou entrou nela logo depois de constatada a enfermidade.

A doença, desta forma, se transforma em dupla penalização porque produz desânimo, tristeza, cansaço, entre outras emoções. Muitas vezes esses sentimentos são frequentes e normais quando se referem a pessoas que sofrem de câncer. Mas também podem caracterizar uma depressão importante e real, e, assim, muitos casos acabam sendo mal diagnosticados porque há um relevante entrelaçamento entre fatores somáticos e fatores psicológicos.

É comum achar “normal” uma pessoa doente ficar muito triste. Esta visão dificulta a identificação da gravidade dos elementos, tais como culpa, isolamento, perda de prazer, queda de energia vital, etc. Esta, por vezes, é uma forma de ignorar os sintomas-chaves de uma depressão clínica que precisa ser tratada independente das eventuais comorbidades (associação com outras doenças).

O médico ou o terapeuta podem identificar e orientar aqueles que mostrem sinais de abatimento exagerado, prostração e melancolia. A importância do tratamento de uma simples síndrome depressiva é capaz de prevenir que a doença progrida para a depressão crônica ou profunda.

Medicamentos também são essenciais e, para isto, os pacientes precisam ser atendidos rapidamente.

Grupos de apoio podem (e muito) ajudar as pessoas nesta jornada. Psicoterapias e aconselhamento psicológico também.

Em muitos casos, como terapeuta, sinto que grande parte dos pacientes demonstra enorme dificuldade em expressar suas angústias e seus medos.

Alguns, de fato, comportam-se como se fossem uma espécie de âncora familiar que não pode ‘falhar’ e, desta forma, nunca aprenderam a se deixar cuidar. Em outras palavras: não sabem que também podem e precisam ser cuidados como os demais.

Desta maneira, cabe a todos aqueles que realmente se importam com estas pessoas perceberem esta “falta” e cuidar para que sofram menos  – e apesar dela.

Diversas pesquisas detectaram uma ligação clara entre o humor e a sobrevivência do paciente. A observação de mulheres que tiveram câncer de mama tem mostrado que aquelas que não perderam a esperança e não conceberam tudo com excessiva seriedade tem muito mais chances de sobreviverem melhor e com mais qualidade de vida do que aquelas que consideraram sua situação desesperadora.

No Brasil, a professora universitária e enfermeira Maria Helena Costa Amorim realizou uma pesquisa para o Instituto Nacional do Câncer que revelou que as mulheres com câncer de mama que enfrentam a doença com mais otimismo e alegria produzem uma substância no sangue que faz aumentar as células saudáveis capazes de destruir as tumorais.

No decorrer da minha prática clínica, ‘cansei’ (e espero continuar me ‘cansando’) de ver pessoas se curarem das mais diversas e terríveis doenças associando a medicina à sincera decisão de mudarem seus paradigmas e suas convicções. Como aquela que decidiu abandonar o companheiro insensível e dominador; aquele que largou  emprego incrível, mas que lhe roubava a existência fora dali;  o que decidiu viver a própria vida em detrimento de pai ou mãe chantagista; aqueles que romperam laços de submissão com seus filhos; o que conseguiu sair da relação tirana a qual se submetia sem, no entanto, perceber; o que disse um alto e sonoro NÃO! à tudo aquilo que lhe fazia mal e que fingia não ver.

Aliado à profundas transformações não há duvidas de que tanto o bom humor quanto o sorriso e a risada são importantes formas de se superar a pressão do estresse e das dificuldades cotidianas. Trata-se de uma constatação universal que independe de cultura, idade e gênero.

Procurar uma bibliografia ou filmografia alto astral tem sido um dos meus melhores ‘conselhos’. Afastar-se de temas e discussões espinhosas, procurar não assistir debates ou telejornais, outro.

Conviver com crianças e animais, jogar-se no chão com eles, rir de bobagens sem se preocupar com julgamentos, contar e ouvir piadas – mesmo as mais sem graça. Vale tudo e muito mais. Até baixar aqueles filmes toscos no Youtube, Netflix ou Pop Corn, mas que ainda nos fazem rir sem qualquer pretensão, como esta listinha que sempre repasso:

Deu a Louca no Mundo, Um Convidado Bem Trapalhão, Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!, A Vida de Brian, O Âncora, Harry e Sally – Feitos Um para o Outro, Tootsie, Trocando as Bolas, As Loucuras de Dick e Jane, Hitch: O Conselheiro Amoroso, Eu os Declaro Marido e… Larry, etc.

E levar às últimas consequências aquela máxima que muito nos ensina: rir é o melhor remédio!

Então…. ria!!!!

Acompanhe os novos textos através do: http://www.facebook.com/aheloisalima

E, se desejar, envie seus comentários para: psicologaheloisalima@gmail.com

Deixe seu comentário...

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s